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Palavras e ações de Paz para o Oriente Médio: tema do Diálogo Comunitário da FaTeo

25/03/2011 13h55 - última modificação 28/03/2011 12h11

Quem se habituou a ver nos jornais notícias sobre conflitos no Oriente Médio pode cair na tentação de pensar que a paz naquela região é um ideal inatingível. Contudo, um grupo de cristãos e cristãs de várias partes do mundo crê que a paz entre israelenses e palestinos não apenas é uma possibilidade concreta, mas um compromisso de fé e ação.

Os participantes do Programa de Acompanhamento Ecumênico à Palestina e Israel, EAPPI (da sigla em inglês), do Conselho Mundial de Igrejas, trabalham para que a paz seja construída no cotidiano das comunidades árabes e israelenses que habitam a Palestina. Para falar sobre o programa estiveram na FaTeo, no dia 24 de março, o seu coordenador, jornalista Manuel Quintero, e o estudante Gabriel Mathias Soares, voluntário brasileiro que irá a Palestina por intermédio do programa em julho deste ano. O evento, denominado Diálogo Comunitário, foi promovido pelo Programa de Extensão da faculdade.

É a segunda visita de Quintero à FaTeo para  falar sobre o EAPPI. No ano passado, ele anunciou o interesse do EAPPI em ter participantes latinoamericanos em seus quadros. Neste ano, volta com boas notícias: em 2011 quatro brasileiros estão participando do Programa. Para 2012 o CMI deverá selecionar de 6 a 8 brasileiros, por intermédio de uma parceria com o CLAI, Conselho LatinoAmericano de Igrejas.

O Programa de Acompanhamento Ecumênico à Palestina e Israel é uma iniciativa do CMI que procura garantir o respeito aos direitos humanos e às leis humanitárias internacionais nos territórios palestinos ocupados por forças israelenses. Uma das tarefas dos voluntários selecionados pelo EAPPI é acompanhar os palestinos que passam pelos postos de controle todas as vezes em que, para ir de uma cidade palestina a outra, são obrigados a ingressar em terra sob domínio israelense. Há mais de 90 postos de fiscalização nas estradas, informa Quintero.  ‘Os palestinos são submetidos a assédios e humilhações cotidianas dentro de seu território, quando  pretendem entrar em Israel”.

Os voluntários também acompanham crianças palestinas que vão à escola e sentem medo de passar pelos postos de controle, onde costumam ser hostilizadas pelos colonos israelenses. Segundo o jornal israelense Haaretz,  mais de 100 crianças afirmam terem sido abusadas , maltratadas e intimidadas ao serem detidas em 2010 sob custódia do Exército de Israel, uma medida que o governo justifica como prevenção a atos terroristas.

Para o acompanhante ecumênico a tarefa não é totalmente isenta de riscos. Uma das participantes já levou uma pedrada na cabeça quando conduzia uma criança à escola, conta Manuel. Mas todos os participantes do programa recebem um treinamento com instruções para que o período de três meses em que permanecerão na Palestina transcorra da maneira mais segura possível. Para ser voluntário do EAPPI não há limite de idade. A principal exigência é o dominio do inglês. Conhecimentos em  hebraico ou árabe não são obrigatórios, mas são bem vindos.

Árabe é o idioma que Gabriel Mathias Soares estuda, como aluno da Universidade de São Paulo. Ele irá à Palestina em julho deste ano e não será a primeira vez. Já esteve no país, como integrante do Projeto “Caminhos de Abraão”, criado por uma ONG para estimular o intercâmbio e convivência dos três povos que tem Abraão como seu patriarca. Na ocasião, Gabriel pôde ver como convivem, em grande tensão, os israelitas e palestinos na Faixa de Gaza. Mas também pôde observar as similaridades culturais dos povos que habitam a Terra Santa: “Eles têm mais pontos em comum do que divergências”, afirma.

“Extremistas há dos dois lados”, diz Manuel Quintero. Ele lembrou que no dia anterior ao Diálogo Comunitário, dia 23 de março, uma mulher morrera por atentado a bomba em um ponto de ônibus de Israel. “Esses atos terroristas só acirram o conflito”, diz ele. “O CMI reconhece o direito do Estado de Israel à sua soberania e condena todo ato de violência e terrorismo”. “A única possibilidade para se alcançar a paz no Oriente Médio é o diálogo”. As igrejas e os voluntários que participam do Programa de Acompanhamento Ecumênico contribuem com palavras de paz.

 

Na foto acima, da esquerda para a direita, Manoel Quintero (coordenador do EAPPI), professora Margarida Ribeiro (coordenadora do Programa de Extensão), Gabriel Mathias Soares (estudante voluntário do Programa EAPPI) e professora Magali Cunha (coordenadora do Programa de Relações Institucionais) Foto: Luciana de Santana.

 

CLIQUE AQUI PARA VER FOTOS DO PROGRAMA EAPPI

Veja também:

A apresentação da palestra de Manuel Quintero na FaTeo 

SAIBA MAIS:

 

Nem mocinhos, nem bandidos: Diálogo Comunitário aborda conflito Israel-Palestina

No Diálogo Comunitário ocorrido em março de 2010, Manoel Quintero apresentou o Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel e convidou brasileiros a participarem do programa.
 

Quando as palavras “Palestina” e “Israel” estão juntas em uma mesma notícia, é muito provável que uma terceira palavra as acompanhe: conflito. Existem, porém, novas palavras florescendo no Oriente Médio, a partir do diálogo promovido por lideranças religiosas de todo o mundo, sobre as quais, lamentavelmente, pouco ou nada sabemos.

Foi para trazer informações e proporcionar a reflexão sobre o tema que a Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo trouxe à sua tradicional atividade Diálogo Comunitário , promovida pelo Programa de Extensão, dois representantes dos esforços de paz entre Israel e Palestina: Michel Nseir, membro da Igreja Ortodoxa Antioquina, e Manuel Quintero Pérez, membro da Igreja Presbiteriana Reformada, ambos representantes do Conselho Mundial de Igrejas, CMI. Eles estiveram na Faculdade de Teologia no dia 23 de março para dois momentos de diálogo com a comunidade acadêmica e convidados(as), de manhã (9h30) e à noite (19h30), sob o tema: Diálogo para a Paz: ações para superar o conflito em Palestina e Israel.

 
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Michel Nseir (foto acima) atua como executivo de programa do Fórum Ecumênico Palestina-Israel, uma plataforma criada pelo CMI em 2007 para coordenar as iniciativas das igrejas em favor da paz. Nascido no Líbano e formado em teologia, ele trabalha na sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. Em sua palestra, ele falou da situação das igrejas cristãs que existem na região desde que surgiram os primeiros seguidores de Jesus. São igrejas que, espalhadas por Israel, Líbano, Síria, Jordânia, Egito e Iraque aprenderam a conviver num contexto multirreligioso e multicultural.

Hoje, os cristãos palestinos são marginalizados sob o rótulo de "terroristas" que a mídia internacional ajudou a criar, especialmente após o 11 de Setembro. "Vivem uma situação de desespero, pois todas as tentativas de negociação falharam até agora. No entanto, eles ainda pronunciam uma palavra de fé, amor e esperança, em um documento chamado Kairós Palestina", diz Michel. Neste documento, eles falam da dura vida sob a ocupação israelense:

Nosotros, un grupo de palestinos cristianos, después de haber rezado, reflexionado e intercambiado opiniones delante de Dios sobre la prueba que vivimos sobre nuestra tierra, bajo ocupación israelí, hacemos oír hoy nuestro grito, un grito de esperanza en ausencia de toda esperanza, unido a nuestro ruego y nuestra fe en Dios que vela, en su Divina Providencia, sobre todos los habitantes de esta tierra. Movidos por el misterio del amor de Dios por todos y de aquel de su presencia divina en la historia de los pueblos y, más particularmente, en esta nuestra tierra, queremos decir hoy nuestra palabra como cristianos y como palestinos, una palabra de fe, de esperanza y de amor. (veja abaixo, no item Mais informações, o documento na íntegra, em espanhol)

 
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Manuel Quintero (acima, o primeiro da esquerda para a direita) é coordenador internacional do Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel (EAPPI, da sigla em inglês), uma iniciativa do CMI que tem como objetivo apoiar os esforços locais e internacionais para por fim à ocupação israelense, com base nas resoluções da Organização das Nações Unidas. Cubano, formado em Comunicação Social, Quintero foi diretor de comunicações do Conselho Latinoamericano de Igrejas, CLAI.

Ele explicou que o programa EAPPI recebe voluntários do mundo todo. Eles monitoram e informam sobre a violação de direitos humanos e as leis humanitárias internacionais. Uma das tarefas destes voluntários é acompanhar os palestinos que passam pelos postos de controle todas as vezes em que, para ir de uma cidade palestina a outra, são obrigados a ingressar em terra israelense (as áreas palestinas vistas no mapa, parecem pequenas ilhas em meio ao solo israelense, observe na foto). Os voluntários chegam até mesmo a acompanhar crianças palestinas que vão a escola e sentem medo de passar pelos postos de controle, onde costumam ser hostilizadas pelos colonos israelenses.

"Não há mocinhos nem bandidos. Todos sofrem", diz Quintero, que faz questão de lembrar que o Conselho Mundial de Igrejas não está tomando partido de nenhum grupo, mas buscando a paz. É também o que afirma o Código de Conduta do Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel, o EAPPI: “Não tomamos partido neste conflito e não discriminamos ninguém, porém, não somos neutros quanto aos princípios dos direitos humanos e do direito humanitário internacional. Estamos fielmente com os pobres, os oprimidos e os marginalizados. Queremos servir a todas as partes, de maneira justa e imparcial, em palavras e ações”.

“Nossas metas baseiam-se na convicção de que a ocupação é prejudicial não apenas para os palestinos, mas também para os israelenses, e derivam de nossa preocupação pelo sofrimento que experimentam ambos os povos. O programa demonstra nossa solidariedade com as pessoas de ambos os lados deste conflito que se esforçam de maneira não violenta para por fim à ocupação e alcançar uma paz justa”, diz o site do EAPPI.

A partir do diálogo do EAPPI com igrejas cristãs da América Latina, o EAPPI abrirá vagas para voluntários latinoamericanos. Para participar do programa, os voluntários terão que passar por um treinamento que inclui conhecimentos históricos e geográficos da região, direito internacional e técnicas de "não violência".

Fotos: Luciana de Santana

 

Mais informações:

http://www.eappi.org - site do Ecumenical Accompaniment Programme in Palestine and Israel (EAPPI)

http://www.oikoumene.org/gr/programmes/public-witness-addressing-power-affirming-peace/churches-in-the-middle-east/pief/pief-home.html - site do Palestine Israel Ecumenical Fórum

 
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