Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Fateo / Notícias / Ontem, hoje e sempre: no Diálogo Comunitário da FaTeo, o Antigo Testamento em debate

Ontem, hoje e sempre: no Diálogo Comunitário da FaTeo, o Antigo Testamento em debate

06/09/2012 13h25 - última modificação 06/09/2012 13h27

 

Especialistas em AT debatem a atualidade do texto bíblico

Uma parceria entre o Programa de Extensão da Faculdade de Teologia e o Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião proporcionou uma oportunidade rara: a presença de dois especialistas em Antigo Testamento participando, no mesmo dia, do “Diálogo Comunitário” da FaTeo.  No período da manhã, os/as participantes puderam dialogar com o Prof. Dr. José Ademar Kaefer, novo professor de Antigo Testamento no Programa de Pós Graduação de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.  Além do professor Kaefer, a mesa de debates foi composta pela professora Margarida Ribeiro, coordenadora do Programa de Extensão da FaTeo e professora Suely Xavier, especialista na área de Bíblia.

 

À noite,  o conferencista foi  o Prof. Dr. Erhard S. Gerstenberger, professor de Antigo Testamento da Universidade de Marburg e participaram da mesa de debates os professores Leonildo Silveira Campos e Tércio Siqueira, do Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião. O professor Tércio representou, também, o curso de Teologia da FaTeo, onde é especialista na área de Bíblia.

 

Pela manhã, o professor Ademar Kaefer  abordou o tema “O tribalismo em Israel: uma experiência ainda válida?”Em sua palestra, o professor Kaefer  lembrou que a experiência tribal descrita no Antigo Testamento inspirou a teologia latino-americana. A opressão e a libertação dos tempos bíblicos serviram de referência para entender a situação dos povos latino-americanos e desenvolver uma teologia conectada a essa realidade.  Mas, será que os conceitos que temos acerca do tribalismo em Israel  -- uma terra partilhada, sem acúmulo ou exploração da riqueza, sem tributos ou poder central -- correspondem aos fatos históricos?

 

Segundo o professor Kaefer, diferentes teorias já surgiram sobre esse período, todas elas influenciadas pelas convicções e experiências dos teólogos que as elaboraram.  “A hermenêutica se faz a partir de onde está o teu pé”, lembrou o professor.  Com base nesses estudos, é possível questionar a descrição que fazemos do tribalismo do Antigo Testamento, mas não o que ele representa como símbolo e horizonte utópico para todos os tempos e lugares. “A terra prometida é a utopia de todos os povos, sempre em confronto com o poder centralizado. Ela chega ao Novo Testamento no projeto de Jesus. A comunidade que Jesus constrói está fundamentada nas 12 tribos, por intermédio dos 12 apóstolos e traz essa utopia: a periferia contra o centro, a casa contra o templo... “, exemplificou o professor,  lembrando que o estilo de vida das comunidades cristãs primitivas, que “tinham tudo em comum”, devem inspirar os cristãos de hoje, sobretudo os jovens:  “Pensemos mundialmente num projeto de inclusão... Os  jovens não podem estar presos a preconceitos e projetos pessoais, disse ele”. “Que continuemos construindo o tribalismo”, concluiu.

 

Às 19h30, a conferência do prof. Dr. Erhard S. Gerstenberger, professor de Antigo Testamento da Universidade de Marburg, versou sobre o tema “Viver os Dez Mandamentos hoje: reflexões hermenêuticas e teológicas”. Baseando-se nos  textos de Êxodo 20, 2-17 e Deuteronômio 5,6-21, o professor Gerstenberger  situou cada mandamento  no seu ambiente de origem. Ele analisou a importância desses mandamentos para a comunidade israelita ao longo da história, desde o período tribal até os dias de Jesus Cristo, e constatou a preocupação social de cada um deles.

 

Mas o professor Gerstenberger não se restringiu aos tempos bíblicos: salientou a permanente necessidade de reinterpretar os Dez Mandamentos (sem revogá-los ou substituí-los!).  Assim por exemplo, o mandamento “honrar pai e mãe” pode ser acrescido da atenção e cuidado com os direitos da criança.  E a lei que pede o “descanso aos sábados” é uma constante lembrança do sagrado direito ao repouso que todo trabalhador deve ter. Vistos em seu contexto e reinterpretados para os nossos tempos, sem perda do núcleo central, os 10 mandamentos são textos atuais e necessários à preservação da vida humana e de toda a criação de Deus.

 

Após as apresentações, como de costume, os professores puderam interagir e debater com o auditório, composto por alunos/as e professores/as dos cursos de Teologia da FaTeo (turmas matutino e noturno e CTP), alunos/as do Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião da Umesp, além de visitantes de outras instituições de ensino e igrejas.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre:

Receba informações de oferecimento sobre esse curso: