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Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis luta pela não incineração do "lixo" e da cidadania

19/06/2012 11h50 - última modificação 19/06/2012 11h49

 

Por Dirceu Benincá, Cúpula dos Povos na Rio+20


Entre os diversos movimentos sociais e ambientais presentes na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, que acontece no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, de 15 a 23 de junho, está o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Com 11 anos de existência, o movimento já deu passos significativos e obteve conquistas importantes. Porém, os desafios dessa categoria de trabalhadores e trabalhadoras ainda são enormes. Lutam diariamente pela sobrevivência, por direitos e cidadania.

De acordo com membros da coordenação do MNCR, hoje, no Brasil, existe em torno de um milhão de pessoas que sobrevivem com a coleta de materiais recicláveis, seja na catação de rua ou nos lixões. Em nível mundial, a estimativa é de que sejam 15 milhões sobrevivendo com o que a sociedade descarta. No Brasil, cerca de 65 mil catadores estão organizados em aproximadamente 600 cooperativas ou associações, constituindo a base do movimento.


Carlos Alencastro Cavalcanti, 55 anos, (foto) catador há 12 anos, em Curitiba/PR e há 5 anos militante ativo do movimento nacional dos catadores, destaca a importância do trabalho cooperativo: "Primeiro é o resgate da cidadania. O trabalho individual é marcado pela exploração, seja no preço, seja na servidão por dívida. O companheiro ou companheira, ao se organizar em cooperativa, a primeira coisa que resgata é o sentido de sua cidadania. Muitos desses catadores que ainda trabalham individualmente, sua principal característica é que são pessoas com uma baixíssima auto-estima. Ao se cooperarem, logo resgatam a auto-estima. Portanto, o cooperativismo busca o bem de cada cooperado de forma coletiva".


Entre as diversas propostas defendidas pelo MNCR, na Cúpula dos Povos, está a participação efetiva dos catadores nos programas de coleta seletiva dos municípios; o fortalecimento das cooperativas e associações; a eliminação e proibição de usinas de incineração de resíduos; a implantação de programas de logística reversa de embalagens; investimentos públicos em programas de educação ambiental e a capacitação dos catadores. "Nós ainda somos uma categoria de trabalhadores pouco escolarizada e isso é um entrave para o avanço de nossa organização produtiva. A primeira condição para termos igualdade de oportunidades é o conhecimento. É pelo conhecimento que vamos poder estruturar melhor os nossos empreendimentos e vamos poder nos reconhecer como cidadãos. É pelo conhecimento que vamos nos libertar e a partir da nossa libertação poderemos libertar os nossos opressores", assegura Cavalcanti.


Os catadores estão aproveitando a Cúpula dos Povos para realizar diversos debates e para propagar a campanha contra a incineração do lixo. Uma das razões fortes do posicionamento contrário a essa prática é o fato de que a incineração de resíduos ocasiona graves prejuízos ambientais e à saúde humana. Outro fator é a própria questão socioeconômica dos catadores, pois cerca de um milhão de pessoas estaria perdendo o que foi a sua última oportunidade de sobrevivência: a catação do que a sociedade descarta como lixo.


Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que o país perde anualmente R$ 8 bilhões por enterrar materiais recicláveis que poderiam ser reutilizados na produção industrial. Para o líder do Movimento dos Catadores, a reciclagem não é a solução, mas é uma das soluções para a gestão do lixo gerado pelo consumo ilimitado da sociedade atual. "Nós temos a consciência de que, muito embora a reciclagem seja fator determinante para a nossa sobrevivência, é necessário reduzir a geração de resíduos, reutilizar, reciclar, cuidar do tratamento e do destino final. Não basta incentivar a reciclagem se também não houver uma política que fortaleça a redução do consumo excessivo que existe hoje", enfatiza.


Dentre as conquistas obtidas pela luta dos catadores está a instituição da política nacional de resíduos sólidos. Ela é fruto de muita mobilização social e visa instituir medidas concretas para garantir a coleta seletiva e o adequado tratamento dos resíduos pós-consumo, com a inclusão cidadã dos catadores. Carlos adverte a importância de toda sociedade conhecer essa política e se envolver efetivamente. "É fundamental também que o poder público municipal faça cumprir o que está preconizado nesta política."
Fonte: Revista Missões

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