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Missão e Diaconia: apontamentos de esperança na Semana Wesleyana

26/05/2010 18h18 - última modificação 28/05/2010 19h23


Por Daniel Souza, aluno da FaTeo


Na tarde de terça-feira, 25 de maio, nos reunimos para uma proseada sobre a Diaconia e a Missão. Para facilitar este nosso encontro, tivemos a presença do pastor pentecostal da Igreja de Cristo e diretor da organização Diaconia, Carlos Queiroz. Com palavras cheias de causos, o bispo Paulo Ayres nos apresentou um pouco da vida do nosso facilitador: um nordestino do Ceará, filho de uma família de pastores, sendo missionário durante 12 anos em Angola. Hoje reside em Fortaleza, mas é gente inquieta, sempre anda pelo sertão, com uma mochila, a Bíblia e poucas coisas, realizando as suas peregrinações pela terra seca.

Com toda esta história e vida, o assunto se tornou provocante! Missão e Diaconia, como deverá ser esta relação? Logo no início, Carlos Queiroz já disse, baseando-se no bispo anglicano Sebastião Gameleira, que “a missão é ser e fazer diaconia”. A missão é serviço em suas diversas dimensões. Seguindo por esta concepção, o nosso companheiro nordestino apresentou a sua palestra em dois momentos. O primeiro deles abordou a relação entre a missão e a diaconia como um desdobramento de práticas espirituais; e na segunda parte nos mostrou os três eixos básicos para o balizamento de uma missão que seja denominada cristã: a fé, o amor e a graça, baseando-se na experiência evangélica de Jesus e as/os primeiras/os discípulas/os, a matriz inicial.

Ao relacionar o tema da missão com a espiritualidade, Carlos Queiroz mostrou para as/os participantes da oficina, cinco práticas espirituais de vitrine: a primeira é a relação entre a Missão e Fetiche, que se centra na espiritualidade do decreto, em que o mágico traz valores a um objeto e a missão traz em seu bojo interferências pela via dos milagres; a segunda é a Missão e o cristianismo idolátrico marcado pela espiritualidade da soberania do mágico, da imagem pública da instituição. Desta maneira, a diaconia se transforma em filantropia e o pobre aparece como instrumento de visibilidade para as instituições; o terceiro é a Supervalorização do estético em detrimento do ético, residindo uma imagem da hipocrisia, dos sepulcros caiados, como lembrou Carlos Queiroz. Neste contexto o pastor levantou uma questão: “os nossos símbolos reafirmam as relações de poder e dominação?” Para ele, é preciso “uma relação ética-estética, em que a nossa estética expresse os nosso compromissos éticos”.

Para isso, Carlos Queiroz relembrou o ministério de João Batista entendendo que a sua vestimenta e a sua forma de alimentação era um protesto a relação entre a estética e a dominação; a quarta espiritualidade de vitrine é a Missão como fenômeno de mercado. Segundo o diretor da Diaconia, no Brasil muitas coisas se venderam à lógica do mercado: o carnaval, as belezas naturais, o futebol e a fé! Aqui a missão se transforma em propagação do mercado religioso em que as bênçãos sinalizam a espiritualidade: quanto mais bênção mais espiritual; e, por fim, Carlos Queiroz relembra a Missão exotérica sensível, que ao contrário de uma prática religiosa centrípeta, fechada em seu mundo, em sua Igreja e denominação, toma para a missão o modelo de amor aos de fora, ao outro, sem excluir os de casa, sendo sensível e vinculada a uma prática histórica, política, social, justa, solidária e ecumênica.

Na segunda parte de nossa proseada, Carlos Queiroz abordou os três eixos e balizamentos da missão. Ao começar pela fé, ele retomou as reflexões de Rudolf Otto, que relaciona a fé como transcendência e fé como responsabilidade ética, numa relação racionalidade-subjetividade. Desta sorte a Missão necessita de uma fé que nasça das experiências das gentes, com a crença na capacidade sobre-humana possível de realizar fenômenos sobrenaturais, com a consciência da fé e daquilo que se acredita, sabendo dar a “razão para a sua esperança”, e com a fé que traga uma resposta ética, como resultado da reconciliação com Deus, com testemunho social e a comunhão com o outro e com a natureza. São essas dimensões da fé que se inter-relacionam e se mostram como eixo missionário, com a dimensão pessoal e pública.

O segundo eixo levantado em nossa conversa foi o amor. O nosso assessor trouxe algumas palavras levantando uma questão: “quem é o samaritano do nosso mundo?”. Ao pensar nesta indagação, Carlos Queiroz apresentou o amor como marca de santidade, como fermento que catalisa os processos em nossas vivências. É marca da comunidade: centrada no serviço. Para isso, retomou o movimento pentecostal com seu surgimento entre os pobres e o seu resgate da promoção humana. Por fim, o nosso facilitador retomou a graça como eixo da missão, que não aumenta a perspectiva da troca, superando a dominação e o controle. Seguindo esta concepção, quem ama age por conta desta fonte inesgotável dentro de si mesmo e em resposta ao amor de Deus. Sendo desta forma, os empobrecidos, os espoliados, os injustiçados não se tornam devedores dos serviços de misericórdia e justiça realizados pelo povo de Deus. Desta maneira, a missão como eixo de graça é o acesso aos bens necessários à vida, socializando-os. Com fluxo e re-fluxo de graça. O Espírito que se revela ao pequeno nos encontra em nosso mundo e em nossas lutas. O rosto, a voz, o abraço, o sorriso e a esperança se tornam meio de graça.

Após estas considerações, a oficina foi encerrada com muitas conversas, estórias e a esperança que a missão é serviço, diaconia, abertura ao outro e caminho pelas trilhas do reino com uma espiritualidade encarnada em nossas vivências.

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