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Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Uma reflexão sobre a dor.

24/04/2013 11h20 - última modificação 24/04/2013 11h27

 

Por quê?


Nessa semana aconteceu algo especial na minha vida. Uma pessoa da minha família me pediu um tempo para conversar para contar problemas difíceis que está passando. Em quase todo o atendimento que faço, espera-se que eu dê um conselho, ajude a compreender os processos e instrumentalize aquele ou aquela que vem me procurar para encontrar consolo, solução e paz de espírito. Mas a pergunta que vêm logo depois do problema contado por esta pessoa foi: Por quê? Por que Pastora? Por que eu tenho que passar isso? E confesso que diante dessa pergunta eu me calei. Me calei todas as vezes que ouvi esta pergunta.

Por que eu me calei? Essa resposta eu sei! Me calei porque não sei dos porquês. Me calei, pois acho que não temos que dar essa resposta e fiquei me perguntando se as pessoas que eu já atendi, até então, ficaram frustradas com a minha reação. Sempre que essa pergunta aparece fico pensando que todos nós, seres humanos, buscamos isso. Toda vez que eu passo por um luto, perda ou problema, fico pensando nos porquês. Com esse pensamento dos porquês sondando minha mente nesta semana, apareceu um texto em minhas mãos que quero partilhar com você. É um texto do Rubem Alves que segue abaixo:


Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais  quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem  aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas  pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No  entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém”.

Se você está passando algo nesta semana, que tem tirado seu sono e lhe provocado esta pergunta dos porquês, pense que, esse desgaste não resolverá seu problema, mas lhe trará mais tristeza do que você já tem. E à luz do texto do Rubem Alves, deixamos para seu coração a simples sabedoria de que algumas provações na nossa vida nos trazem mudanças e nos fazem mais fortes.

Que Deus abençoe a sua semana e lhe permita o consolo verdadeiro!


Pastora Carol

Pastoral Escolar e Universitária/UMESP

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