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Semana Wesleyana de 2012 terá palestrante de Moçambique

11/05/2012 14h30 - última modificação 18/05/2012 11h54

 

Na Semana Wesleyana de 2012 a FaTeo homenageia os 40 anos de ministério pastoral feminino e recebe uma visitante muito especial: a bispa de Moçambique Joaquina Nhanala

 

Sob muitos aspectos, Joaquina Nhanala é muito parecida com as mulheres metodistas brasileiras. Nascida em família católica, na adolescência ela se converteu ao metodismo. Atuante na Igreja, casou-se com um pastor e hoje tem quatro filhos adultos. Mas a história de vida de Joaquina é uma inspiração que ultrapassa fronteiras culturais, históricas e geográficas: Joaquina Filipe Nhanala é a primeira mulher eleita bispa da Igreja Metodista Unida de Moçambique. Ela estará no Brasil na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, entre os dias 21 a 25 de maio, como palestrante convidada da 61ª Semana Wesleyana, que, homenageando os 40 anos do ministério pastoral feminino, traz um tema instigante: “Caladas na Igreja? Mulheres e Igrejas nos dias de hoje”.

A bispa Joaquina compartilhará a experiência de ser mãe, mulher e teóloga metodista em Moçambique, país que, a semelhança do Brasil mas com indicadores sociais ainda piores, sofre severas disparidades de gênero.

As leis em Moçambique protegem a mulher, afirmam a igualdade de direitos mas, em um cotidiano ainda marcado pelas tradições rurais, não conseguem fazer frente à discriminação e à opressão. Para muitas mulheres moçambicanas, a maternidade não é uma opção, mas uma imposição da sociedade ou, até mesmo, o resultado de violência sexual que, não raro, atinge meninas em idade escolar.  Embora proibidos por lei (a “Lei da Família” proíbe casamento antes dos 18 anos de idade), os casamentos prematuros são muito comuns nas zonas rurais. Não raros as meninas são retiradas da escola para o casamento aos 12 anos de idade. Uma vez casadas, são proibidas por seus maridos de voltar a estudar.

Os casamentos prematuros e o alto índice de gravidez indesejada, seja por violência, seja pela falta de planejamento familiar, são fatores que tiram as meninas da escola muito cedo, fazendo com que o analfabetismo, que é alto em todo o país, seja ainda maior no sexo feminino.

A igualdade de direitos também é uma falácia entre as mulheres casadas. A poligamia também é proibida por lei mas, socialmente, é aceita. Para os homens, claro.  E a situação fica ainda pior para aquela mulher que perde o marido, pois normalmente é o homem o dono de todos os bens, inclusive a casa e as terras para o cultivo. Essa tradição torna muito delicada a situação das viúvas, normalmente deixadas de lado na partilha dos bens do marido falecido e, até mesmo, expulsas da casa por seus familiares.  Ao perderem o marido – e é grande a taxa de mortalidade entre homens jovens, vítimas de AIDS -- perde todos os meios de subsistência.

Organizações governamentais e não governamentais tentam, com grande empenho, mudar essa situação, mas esbarram em tradições arraigadas. E, o mais triste é que, segundo relatório da Liga de Direitos Humanos de Moçambique, as instituições religiosas apenas reforçam a retórica machista. Representantes de comunidades religiosas e líderes tribais têm sido acusados de atacarem as ativistas de direitos das mulheres sob pretexto de que as militantes feministas promovem a imoralidade e a destruição da família.

Em meio a esse cenário, por vezes desanimador, a história da pastora metodista eleita bispa em 2008, aos 51 anos de idade, representa uma nova esperança de que sociedade e Igrejas respeitem e promovam os direitos de suas meninas e mulheres. Formada em 1995, Joaquina foi a primeira pastora da igreja moçambicana a obter o título de mestrado em Teologia, três anos depois, sobressaindo-se em um país onde seminaristas ainda precisam emprestar Bíblias entre si para poder estudar. A bispa fala português, inglês e cinco idiomas nativos.  Como pastora, coordenou projetos de mulheres na igreja e liderou programa de educação e apoio a pessoas portadoras do HIV/Aids. Como bispa, Joaquina supervisiona 29 escolas, um escola teológica, programas de agricultura, um hospital, duas clínicas, um seminário e quatro escolas bíblicas. Hoje, a bispa Joaquina Nhanala tem muito mais do que quatro filhos biológicos para cuidar e por quem orar. Muitos moçambicanos a tem como referência de fé e exemplo de vida.

Na Semana Wesleyana de 2012, a bispa Joaquina Nhanala estará na FaTeo, compartilhando suas experiências. Esperamos por você.

Foto: Chris Heckert/UMC

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