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Luteranos buscam respostas para fazer frente à violência

19/09/2013 14h05 - última modificação 19/09/2013 14h05



Como as Igrejas contribuem para a superação da violência na sociedade  foi a pergunta que a II Consulta da Igreja Evangélica Luterana na Baviera (EKLB) junto às Igrejas parceiras procurou responder. "Nós, como cristãos, precisamos dizer algo no sentido de enfrentar esse desafio da superação da violência, em função da nossa mensagem de esperança, de que Deus está conosco e Ele, como o doador da vida, nos capacita a superar as diferentes faces da violência”, provocou o bispo alemão Michael Martin na abertura do encontro, reunido nesta cidade paulista de 6 a 12 de setembro.

ALC
quinta-feira, 19 de setembro de 2013


Uma das tarefas centrais da Igreja hoje, apontou o sociólogo e teólogo Emil Albert Sobottka, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, é a de resensibilizar a humanidade para que ela encare a violência como tudo aquilo que "impede a saúde e o bem-estar da pessoa", o que também pode ser definido como  "para que todos tenham vida, e vida em abundância".

Sobottka palestrou aos mais de 20 representantes das igrejas da Alemanha, Austrália, Brasil, Congo, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Hong Kong, Hungria, Quênia, Liberia, Malasia, Moçambique, Nicarágua, Singapura e Tanzania sobre "Violência e Direitos Humanos hoje".

"A agressão à vida e aos bens, que cada vez mais aflige as pessoas na forma de assassinatos, assaltos, furtos e roubos, talvez seja a imagem mais representativa da noção de violência no nosso cotidiano. Ditaduras militares como as vividas pela América Latina, as incessantes guerras entre grupos e tribos na África, invasões de países e assassinato de civis, como no Iraque e no Afeganistão, o conflagrado Oriente Médio também são exemplos clássicos de violência. Da mesma forma, a morte de pessoas por consequência da fome e de doenças que recebem o nome de "negligenciáveis", arrolou Sobottka.

No entanto, alertou o sociólogo, há interpretações diferentes em relação a outros episódios atuais e cotidianos, como as patentes da indústria farmacêutica, que impedem o acesso popular aos medicamentos, o gasto financeiro imenso com animais de estimação enquanto pessoas passam fome e morrem em consequência da desnutrição, o refinanciamento de dívidas públicas, como ocorreu na Grécia, onde, segundo estudos, levará de 30 a 40 anos para o desemprego voltar aos níveis pré-crise... "São formas de violência?" "O que tudo deveria ser considerado violência?" - indagou.

O professor Marcos César Alvarez, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), apresentou, em palestra, conceitos de violência, poder, crime, controle social, punição, segurança pública, sistema de Justiça Criminal, políticas de segurança pública. Ele abordou a relação do Estado com a violência no sentido do direito à punição, além das práticas da Polícia, da Justiça e do Exército, de modo que tais instituições possam ser fortalecidas como instrumentos da democracia e não como armas de governos autoritários ou totalitários.

No culto celebrado no domingo, 8, na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santo André, o bispo Heinrich Bedford-Strohm, da EKLB, frisou que a superação da violência faz parte das dimensões essenciais da incumbência evangélicas às igrejas.

“O engajamento da Igreja pela superação da violência é apenas um campo no qual precisa ser comprovada, hoje, a validade daquilo que Jesus diz sobre o discipulado usando a imagem do sal. Como podemos ser sal hoje? Ser sal, hoje em dia, significa um amor profundo pelo mundo no qual se pretende ser sal. Significa sentir o coração arder pelas pessoas que vivem nesse mundo, independentemente do lado em que elas se encontrem. Significa servir às pessoas que necessitam especialmente de apoio, cuja dignidade está sendo violada. Significa erguer a voz e falar com clareza se com isso se pode fazer com que as pessoas reflitam e transformações sejam desencadeadas”, completou.

Algumas respostas e compromissos foram assumidos no documento final do encontro, inititulado "Nunca desista!" Embora as igrejas luteranas representadas na Consulta atuem em contextos diferentes, todas elas "lidam com a questão da violência individual e familiar, e convivem com as consequências da violência estrutural em diferentes graus", aponta o documento.

Tomando por parâmetro a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que descreve a violência como " qualquer ato, real ou em ameaça, que resulta em ou tem a probabilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação", luteranos identificaram causas e expressões de violência: o fosso entre ricos e pobres, a falta de boa governança, a corrupção e a repartição de coesão social, a falta de educação e os cuidados de saúde, o abuso e a exploração dos recursos naturais, a grilagem de terras, a hostilidade ou a desarmonia entre denominações, religiões e grupos da sociedade civil, a violência doméstica, o abuso de álcool e drogas, a agressividade no trânsito.

O documento afirma que a teologia luterana é um grande recurso para a construção da paz. "Ela nos encoraja a compreender a lei como instrumento de paz, que protege os fracos e os pobres de injustiça", e fornece uma antropologia "que nos ajuda a compreender a corruptibilidade da natureza humana", arrola.

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