Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Fateo / Notícias / Luciano Lima. Uma leitura do pastor, amigo e professor

Luciano Lima. Uma leitura do pastor, amigo e professor

23/06/2015 19h10 - última modificação 23/06/2015 20h19

SOLAFRICAdocentes003.jpg
Na preparação para a viagem à África, momento de registro no corredor da FaTeo

Para falar do ex-aluno e professor Luciano José de Lima é preciso compartilhar as leituras que cada um dos seus companheiros e companheiras de turma de graduação e de trabalho fizeram dele.

 

Sim, ele foi aluno exemplar, sempre com excelentes notas, mas ele fez história entre os companheiros de curso da turma de 2004 também por outros motivos. Não tem ninguém com quem se converse que não fale de suas muitas qualidades, da humildade, da excelência no cotidiano, nas conversas e da poesia presente em todos os momentos de sua vida. O humor perspicaz, a inteligência, a amizade e o cuidado pastoral são particularidades do “Mister Lucius”, carinhoso apelido dado por colegas, citado por quem conviveu com ele.

 

Com forte desejo de compartilhar vida, ainda durante o período de graduação, ele atuou como professor colaborador de Sociologia, Ética e Religião no Projeto Universidade Livre da Terceira Idade da Faculdade de Educação e Letras da Universidade Metodista de São Paulo.

 

Assim como a turma da graduação, ele também impressionou professores que, tempos depois, o convidaram para fazer parte do corpo docente da FaTeo. Com propriedade, falam de sua dedicação naquilo que fazia e se referem a ele como um fenômeno na docência, apesar da tenra idade.

 

Partilha e comunhão. No culto da FaTeo, expressão de amor à liturgia

 

Depois de participar do Grupo de Pesquisa “Expressões Minoritárias do Cristianismo na Galiléia”, sob a coordenação do professor Paulo Garcia, se apaixonou por esta área e cursou mestrado em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, na linha de pesquisa da História Comparada das Diferenças Sociais.

 

Na FaTeo, ele começou a trabalhar em fevereiro de 2011, como professor auxiliar nas disciplinas Sociologia da Religião, Antropologia e Religião, Filosofia e Hermenêutica Filosófica; deu aula para o CTP – Curso Teológico Pastoral – destinado à formação de pastores e pastoras metodistas e, também, atuou como professor orientador no EAD – Ensino a Distância.

 

Os amigos/as de trabalho no EAD deram a ele outro apelido: “LucPédia”, e não é difícil entender o motivo, porque Luciano atuava em muitas áreas, falava com propriedade a respeito de qualquer assunto e, quando encontrava algo novo, a pesquisa era sua companheira. Na Fateo, ele acompanhava módulos relacionados à pastoral e esteve em estúdio substituindo o professor Luiz Carlos Ramos, na área de Homilética. Também participou de aulas com o professor Paulo Roberto Garcia, tratando de temas do Novo Testamento. Os acompanhamentos de TCCs englobavam as áreas de Pastoral, Liturgia, Bíblia, Novo Testamento e Teologia Sistemática.

 

 

No culto de envio para a 6ª etapa do SOL-África, em 2012

 

Em 2102, ele participou, com um grupo de professores, da 6ª etapa do projeto SOL-África, que a FaTeo desenvolve, no continente africano, em parceria com a Igreja Metodista e a Junta Geral de Educação Superior e Ministérios da Igreja Metodista Unida nos Estados Unidos. Ele ministrou aulas para pastores e pastoras em Luanda – Angola e Cambine – Moçambique. (veja matéria)


Difícil falar do professor Luciano e não deixar de citar algo relevante. Mesmo tão novo, viveu intensamente seus 37 anos. Foi autêntico, inteligente, perspicaz. Estudou, ensinou e amou com todo o seu ser. Por todas essas suas qualidades, a FaTeo sente falta do professor e amigo Luciano José de Lima. Por isso, nessas limitadas linhas, agradecendo a Deus pela oportunidade de convívio com ele, deixamos um abraço cheio de palavras dos seus amigos docentes, discentes, funcionários e funcionárias:

 

“O Luciano sempre foi uma pessoa de sensibilidade e capacidade muito vasta. Ele conseguia encantar com as palavras, que eram marcadas por uma profundidade muito grande. A capacidade artística dele se aliou à capacidade em conhecimento teológico profundo e o resultado foi esse amor por várias áreas, essa forma de comunicar a mensagem com a poesia, a liturgia. Ele foi uma pessoa com muita força e esperança. Esse é o grande ensino que ele deixa”.

Paulo Roberto Garcia – reitor da FaTeo

 

Professor Luciano Lima. Sinônimo de humildade e academia por excelência

“Convivi, trabalhei e vivenciei uma experiência única com o pastor e professor Luciano Lima. Sua humildade nos relacionamentos sempre me chamou atenção. Era um verdadeiro pastor nas relações humanas. Na academia, mesmo muito novo, era um fenômeno. Trabalhava de forma interdisciplinar com os temas da teologia, dialogava com a pastoral, sistemática, história e bíblia. Um acadêmico de excelência. O Senhor nos deu um servo que soube testemunhar humildade e excelência como gestos inseparáveis da vida cristã.”

Nicanor Lopes – vice-reitor e coordenador de curso da FaTeo

 

“Minha recordação do Luciano é a de uma pessoa muito estudiosa e extremamente cuidadosa com os aspectos existenciais. Pessoa querida por todos/as. Procurava cultivar uma fé inteligente e celebrativa ao mesmo tempo. Mantinha uma atitude meditativa, quase contemplativa, mas era caloroso no relacionamento humano. Sua marcante personalidade influenciou muitos de nós. Seu trabalho de conclusão de curso (que eu orientei depois que estudamos a antropologia e a teologia não sacrificialista de René Girard, com o título  Sacríficio e Dom-de-si: por uma interpretação não-sacrificialista do martírio),  abordou um tema que se tornou caro para ele: acreditava na doação de si mesmo por amor e não por prolongar uma interpretação sacrificialista do cristianismo.”

Rui Josgrilberg – professor da FaTeo

 

“Lembro-me de ocasião em que fui visitar o professor Luciano no Hospital AC Camargo, junto com o prof. Luiz Carlos Ramos. Mesmo sabendo da gravidade da doença e das implicações do tratamento, ele é que nos deixava animados por ver sua alegria de viver,  sua força na fragilidade, sua determinação e vontade de superar. Lembro que, em várias situações, ele é que nos visitava ao dedicar tempo nas passadas pelo corredor para um bom papo e as informações sobre sua saúde e tratamento.”

Jonadab D. Almeida – professor da FaTeo e pastor da comunidade entre 2008 e janeiro de 2014

 

028.JPG
Professor Luciano compartilhando a Palavra em culto da Fateo de 2013

“Luciano, um amigo, educador da vida, semeador do Reino de Deus. Aprendi muito com Luciano e sua sabedoria respeitosa e diálogo enobrecedor da paz, justiça e amizade. Saudades!”

Blanches de Paula - professora da FaTeo

 

 

 

 

“Ele vinha muito na minha sala. A gente conversava muito inclusive sobre a nossa vida particular. Até nos intervalos das internações ele vinha aqui me ver. Eu o encontrei uns 40 dias antes dessa última vez. O Luciano era uma pessoa que transpirava amor e carinho. Ele conseguiu ser uma pessoa muito meiga, muito doce, mega inteligente. Eu brincava com ele e considerava ele como um filho. Ele era muito, muito especial mesmo.”

Eliane Taylor Quintela - secretária da reitoria da FaTeo

 

"O Luciano era um historiador. E foi um observador perspicaz da história, como ele, que se deu conta de que “os grandes impérios viram pó, os grandes homens, poemas” (atribuído ao filósofo, historiador e poeta Manoel Affonso de Mello, o Manoelzinho). O Luciano que também era poeta, agora virou poema. [...] Luciano tinha sempre muito bom humor. Dentre os filmes de que mais gostava estavam os do Harry Potter. Num dos episódios, há a cena de uma aula na escola de magia em Hogwarts – escola que o Luciano também “frequentou”– que ensinava como enfrentar o medo e derrotar o terrível Bicho Papão. O segredo era o seguinte: quando ele se apresentasse poderoso e amedrontador na nossa frente, bastava imaginá-lo usando algo engraçado, como, por exemplo, as ceroulas de bolinha da nossa avó. O bom humor e o riso eram suficientes para derrotar o medo. O Luciano foi vítima, muitas vezes, de injustiças: sofreu bullying, impiedades, perseguição, desrespeito, discriminação, intolerância... Mas nunca se acovardou. Acho que, muitas vezes, ele saía por aí vestindo ceroulas de bolinhas em muita gente. O Luciano não teve medo do poder da família, não teve medo do poder eclesiástico, não teve medo do poder político nem do econômico, não teve medo do medo, e, por fim, não teve medo da morte. Nunca se acovardou, enfrentando tudo com muita dignidade, sempre um gentleman." (Extrato do pronunciamento do Rev. Luiz Carlos Ramos durante o Ofício de Consolação e Despedida do Rev. Luciano José de Lima, aos 6 de junho de 2015, na Igreja Metodista da Moóca)

 

 “A convivência com o Luciano sempre foi muito produtiva. Ele sempre tinha alguma coisa pra ensinar. Dentro da Faculdade de Teologia, ele era muito respeitado por todos, desde os professores mais antigos até os mais novos.

Ele era muito dedicado a suas amizades. Isso tinha muito do aspecto pastoral. Ele sempre foi pastor e nunca deixou de atuar como pastor. Tinha uma capacidade de ouvir sem fazer juízo, nem de palavras nem de expressões. Só se você pedisse a opinião dele. Se você precisasse de um ombro amigo, de um confidente... era ele.”

Hérmiton Oliveira Freitas – professor da FaTeo

 

Com professores do EAD, amizade, pesquisa, trabalho

 

“O Luciano viveu uma vida coerente com a teologia que ele defendia. Não era só um discurso. Ele realmente viveu o que pregou. Uma palavra que define bem o Luciano é coerência”.

Elizangela A. Soares – professora da FaTeo

 

Texto: Rose Rosa
Fotos: arquivo / FaTeo

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: ,

Receba informações de oferecimento sobre esse curso: