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Livro sobre presença evangélica no telejornalismo brasileiro foi lançado no ECLESIOCOM

17/08/2012 12h05 - última modificação 24/08/2012 13h54

A pastora Hideíde Brito Torres, ex-aluna da FaTeo, lançou o livro "Discurso, Identidade, Representação: A Presença Evangélica no Telejornalismo Brasileiro" no Encontro Nacional de Pastoras e Pastores Metodistas, realizado  no Espírito Santo entre os dias 14 e 17 de agosto e na VII Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial, na FaTeo, no dia 23. Leia, a seguir, entrevista com a pastora:


 

Por Diana Gilli

A pastora e professora Hideide Brito Torres lançou nesta terça-feira, 14/08, no Encontro Nacional de Pastores, o livro "Discurso, Identidade, Representação: A Presença Evangélica no Telejornalismo Brasileiro".

A obra  é o resultado de sua dissertação de mestrado de mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Seu livro também será apresentado no próximo ECLESIOCOM, VII Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial, que ocorre na Universidade Metodista, no dia 23 de agosto.

Teóloga pela FaTeo, a pastora Hideíde também ministra aulas no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa, nas disciplinas de Semiótica e Estética da Comunicação.

Na entrevista cedida ao site da Terceira Região Metodista, Hideíde fala um pouco sobre a presença evangélica no telejornalismo brasileiro, o andamento deste mercado, preconceito e expectativas com o lançamento de seu livro.

1) Como você vê a presença evangélica no telejornalismo brasileiro hoje?

Como na mídia em geral, a tendência é que as coberturas jornalísticas cada vez mais evidenciem a presença dos evangélicos. Em época de eleições por exemplo, isso acontece também devido à mobilização que algumas igrejas fazem para eleger seus candidatos. Então, infelizmente, ainda é uma visibilidade homogeneizante, porque este evangélico que aparece é apenas um entre os demais referenciais de identidade dos evangélicos que temos. Cabe destacar que, no caso da minha pesquisa, ficou evidente a intenção do jornalismo em mostrar "outro" evangélico na série especial do Jornal Nacional, que tratou somente as igrejas históricas e as pentecostais históricas, se podemos dizer assim. Mas de modo geral, é uma presença ainda relacionada com política ou a quebra do estereótipo, no caso de notícias que expõem conexões entre os grupos religiosos evangélicos e o tráfico, a droga ou a lavagem de dinheiro.

2) Você diz em sua obra que há características peculiares com relação a esse novo mercado. Quais seriam essas características?
A professora Magali (do Nascimento Cunha, professora da FaTeo) aborda isso em termos de consumo, na tese de doutorado dela. Mas também no telejornalismo, a gente pode perceber que é um segmento visto de modo diferenciado porque o consumo também se dá, mesmo na notícia, pelo viés do sobrenatural, do religioso, do ungido...

Então este político não é qualquer um, mas um ungido de Deus. E esta ação da igreja na sociedade é diferenciada porque ela vem na dinâmica da unção, etc. É claro que qualquer cristão entende que Deus deve estar envolvido e, mais, na direção dos seus projetos sociais ou particulares. O problema é quando isso se torna uma desculpa também para ações irrefletidas ou para justificar qualquer circunstância. Ou quando uma denúncia legítima envolvendo um evangélico perde sua credibilidade junto a este segmento porque ele se justifica dizendo que se trata de perseguição religiosa.

Mas existem os lados positivos desse consumo diferenciado, que ainda resistem à mercadorização, como no caso de um escândalo envolvendo um determinado cantor fazer a venda de seus CDs despencar. A fidelidade do público evangélico ainda traz um certo bojo de "exigências", mas talvez seja uma realidade em declínio em alguns segmentos dentro do segmento maior que é o evangélico.

3) Você sente que ainda há muito preconceito por parte do telejornalismo secular?

O jornalismo se pretende neutro. Em tese, não deveria haver nem favorecimento, nem preconceito. Eu entendo que as resistências contra os evangélicos de alguma forma se tornarão menores, por um lado, porque o mercado quer vender, não interessa a quem, e este grupo está querendo consumir... Prova disso é a Rede Globo promover um evento gospel quando historicamente isso era uma coisa mais ou menos improvável até pouco tempo atrás. Mas o problema não é o preconceito ou não. Talvez a questão que me inquieta um pouco é que boa parte dessa aceitação se deva mais a questões econômicas do que outro aspecto qualquer. E isso é preocupante.

4) Sintetize em uma frase o que você está sentindo com esse lançamento?
Eu entendo que é uma contribuição diferenciada, porque ainda não havia sido feito esse tipo de pesquisa no telejornalismo (apenas se trabalhou com programas ou canais de programação evangélica) nem em estudos de recepção com os evangélicos históricos. Então eu me sinto feliz por incluir a igreja Metodista, em particular no âmbito da pesquisa e feliz também por partilhar os resultados dela com minha comunidade em particular e com os pesquisadores de comunicação e religião em geral. Ih... foi mais de uma frase!

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