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Igrejas são chamadas a mobilizar população em favor do meio ambiente

01/12/2011 12h25 - última modificação 01/12/2011 12h26

As igrejas têm reserva moral para mobilizar as populações e liderar processos de mudança em favor da conservação do meio ambiente e da diminuição dos efeitos das questões climáticas.

ALC, 30 de novembro de 2011

A afirmação é do engenheiro agrônomo e ecologista Arno Kayser, ao falar, na segunda-feira, 28, sobre Mudanças Climáticas no Brasil durante o Seminário de Capacitação em Preparação e Resposta a Emergências, reunido em São Leopoldo. 

Kayser lembrou que entre as causas apontadas para as mudanças do clima estão a erosão do solo, o desmatamento e a destruição da vegetação natural, as monoculturas agrícolas, os esgotos não tratados, a poluição industrial e a enorme produção de lixo.

Os números impressionam. "A quantidade de esgoto, no Brasil, chega a 32,4 milhões de metros cúbicos, o que representa mais ou menos 13 mil piscinas olímpicas cheias. O triste é que desse total, apenas  8,5 milhões de metros cúbicos são tratados", disse no encontro organizado pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD).

Para Kayser, as saídas terão que começar por uma mudança interna, que aos poucos vai se tornando uma mudança no mundo. Utilizar mais o transporte coletivo, consumir alimentos produzidos nas proximidades - são mais frescos e gastam menos com transporte - e consumir menos carne são algumas atitudes que podem contribuir para minimizar a situação atual, arrolou.

Com a criação da área temática Emergências, a FLD pretende contribuir para a capacitação de Sínodos e comunidades da denominação na prevenção e atuação em situações de desastres, afirmou o secretário executivo do organismo, Carlos Gilberto Bock.

O evento reúne, dias 28 a 30 de novembro, 50 pessoas, entre pastores sinodais e lideranças da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), além de representantes de organizações parceiras, como o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e o Conselho de Missão entre Indígenas (COMIN). O evento recebe o apoio da Ajuda da Igreja da Noruega (AIN).

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Durante vários anos, ecologia e sustentabilidade foram palavras associadas a uma parcela muito pequena da população. Quem falava em “meio ambiente” seria uma elite privilegiada que, tendo conquistado o básico para sua sobrevivência, podia se dar ao luxo de discutir temas supérfluos, enquanto degustava sua salada orgânica. Afinal, em um país onde ainda existem bolsões de fome e miséria, quem se importa com a caça às baleias ou a matança das foquinhas? – só para citar um dos tantos comentários carregados de preconceito. 

Foi no norte do país, entre o povo pobre dos seringais, que a mente brasileira começou a se abrir para a compreensão de que o ser humano depende da terra para viver, ser vivo que é, um dentre os demais espécimes de fauna e flora. Adotar uma política de sustentabilidade ambiental podia ser a diferença entre ter ou não comida no prato. Chico Mendes mobilizou o povo, ganhou projeção internacional, influenciou outras lideranças. A senadora Marina Silva chegou a ser considerada como alternativa política ao Poder Executivo e conquistou a simpatia do povo brasileiro, especialmente entre os que, a exemplo de Marina, professam a fé evangélica. Contudo, as questões ambientais, que, pouco a pouco começam a ser mais discutidas no país, ainda estão distantes do cotidiano das igrejas.  

Claro que há bons exemplos a serem seguidos.  A Igreja Unida do Canadá é uma das que busca inserir a experiência da fé na vida cotidiana e, no contexto do país, tem assumido posições políticas a favor da pequena propriedade rural e apoiado projetos de agricultura sustentável. Ainda na década de 90 desenvolveu um projeto de horta orgânica destinada à alimentação de moradores de rua. Hoje, esse projeto ganhou dimensões ainda maiores, buscando envolver toda a comunidade local. O plantio de uma horta é não apenas uma experiência comunitária de aprendizado e sociabilidade, como uma alternativa real de alimentação mais saudável e barata para a população local.  Dependendo da área plantada, pode ser um meio de sustento financeiro na zona rural, com a criação de cooperativas.

Penso nas igrejas brasileiras inseridas em áreas desmatadas, urbanas ou rurais, com risco de desabamentos e enchentes – onde já ocorreram tantas tragédias ambientais provocadas não pela vontade de Deus, mas pela ação humana. As igrejas tendem a responder com rapidez diante de desastres ambientais. Correm a levar roupas, alimentos, palavras de conforto. Poderiam, no entanto, fazer mais: poderiam ajudar na prevenção das tragédias.

Ações ambientais educativas podem salvar vidas. Que tal uma parceria com a Defesa Civil da Cidade, promovendo palestras e cursos? Como identificar uma área de risco? Como proteger um morro de inevitável, antes que as chuvas de final de ano se intensifiquem? Elas já começaram! Ações cidadãs capitaneadas pelas igrejas também podem mudar a configuração de uma cidade. A Igreja poderia (e deveria) ser a voz do povo na reivindicação de melhores condições sanitárias e estruturais. Criança com diarréia também é problema ambiental; previne-se com água tratada e maior responsabilidade no destino do lixo industrial e doméstico.

É possível que nosso discurso ambiental não consiga mesmo fazer muito pela sobrevivência de baleias e focas... embora,  não nos esqueçamos, hoje vivemos em um mundo cada vez mais globalizado. Mas mesmo aquela Igreja pequenina, que não dispõe de Internet ou outras ferramentas da informação, talvez tenha um terreno vazio nos fundos. E uma horta, pequena e modesta, pode fazer toda a diferença no corpo que precisa de alimento e na alma que precisa de entusiasmo para viver.

Suzel Tunes


Quer ler a matéria da Igreja Unida do Canadá?
Clique em http://www.ucobserver.org/ethics/2009/06/food_security/

(em inglês)

 




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