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Igrejas e imprensa posicionam-se contra ataque israelense

01/06/2010 12h23 - última modificação 01/06/2010 12h26


Ataque israelense mostra que o bloqueio a Gaza deve ser suspenso

O “Ato pela Paz”, uma agência internacional de ajuda do Conselho Nacional de Igrejas na Austrália, está pedindo uma investigação completa e uma resposta decisiva do Conselho de Segurança das Nações Unidas após o desproporcional ataque de Israel a uma flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza, matando pelo menos nove ativistas pela paz e ferindo dezenas de outros.

Alistair Gee, diretor Executivo da Ato pela Paz, disse “Nós condenamos as ações que levam a mortes e ferimentos de ativistas da paz e atentam contra os direitos humanos”. “ O ataque em águas internacionais ao comboio humanitário constitui uma violação do Direito Internacional e Direito Marítimo. Esta pacífica e simbólica missão estava transportando alimentos e medicamentos para a população de Gaza, 80% da qual é totalmente dependente de ajuda humanitária devido à aplicação ilegal do bloqueio israelense. " Segundo Gee, o governo australiano deve se posicionar contra o bloqueio a Gaza que, imposto para restringir a ação do Hamas, tem causado uma crise humanitária que afeta diretamente os civis palestinos. “Ato pela Paz está pedindo uma investigação internacional independente sobre este episódio, que evidencia a necessidade de uma completa mudança da política israelense em relação a Gaza”.

O bloqueio de três anos a Gaza deixou 70% dos moradores da região vivendo com menos de um dólar por dia e a carência de muitos itens de primeira necessidade. O dia 4 de junho marca a Semana Mundial de Oração pela Paz em Palestina e Israel. Na esteira dos trágicos acontecimentos do dia 31 de maio, Ato pela Paz está pedindo ao governo australiano, organizações não governamentais, igrejas, escolas e pessoas a se posicionar em suas própria comunidades. O Reverendo Olave Fyske Tevit, Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas, disse: “Neste ano novamente precisamos, ainda mais do que antes, denunciar como os assentamentos e a ocupação são reais obstáculos a uma paz justa. Todos os lados devem parar com a violência e encontrar o caminho a seguir. Citando a profunda mensagem do Documento Kairós (veja abaixo), escrito por cristãos no Oriente Médio e apoiado pelo “Ato pela Paz”, o Reverendo Tevit reiterou o seu apelo às igrejas e cristãos de todo o mundo para reagirem ao conflito.


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Imprensa israelense critica Governo após ataque a frota humanitária

UOL/EFE - 01/06/2010


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi alvo de uma incomum onda de críticas por parte da imprensa de seu país, que chegou a pedir a renúncia do ministro da Defesa, Ehud Barak, pelas trágicas consequências do ataque a uma frota de ajuda humanitária na segunda-feira.

Nove pessoas morreram e quase 40 ficaram feridas no ataque aos seis navios que formavam a "Frota da Liberdade", que levava ajuda humanitária a Gaza e foi abordada pelo Exército israelense em águas internacionais.

"Onde estavam com a cabeça?", "Punho de força", "Os desaforos como método de ação", "Completa estupidez", "Liderança de tolos", "O preço de uma política deficiente" e "Fiasco em alto-mar", são alguns dos títulos de artigos de opinião e editoriais dos principais jornais de Israel nesta terça.

É a primeira vez que Netanyahu, que chegou ao poder em março de 2009 após a formação de uma coalizão de direita, enfrenta uma onda de críticas desta magnitude da opinião pública de seu país, após uma de menor intensidade em março após a pior crise diplomática com os EUA em décadas.

"Quase tudo o que fazemos nos últimos anos é afetado por alguma deficiência, por falta de inteligência... para incorrer na negligência", escreve a colunista Sima Kadmon em seu artigo diário no "Yedioth Ahronoth", o jornal de maior tiragem.

Por sua parte, com algum cinismo, seu colega de redação Amnon Abramovich lembra que "cada vez que há algo relacionado com o Exército e a segurança, o primeiro-ministro tem azar, sofre mal olhado ou é vítima de algum mau agouro".

O jornalista Eitan Haver, ex-chefe de gabinete do assassinado primeiro-ministro Yitzhak Rabin, assegura que o problema que representava a frota para Israel "podia ser resolvido de forma pacífica", mas novamente o Exército se deixou levar pela crença de que "na força está a solução".

Ben Dror Yamini, do jornal "Maariv", cita em seu artigo "Uma liderança de tolos". Para ele, é normal que líderes cometam erros, mas "é preciso saber diferenciar erros cometidos ingenuamente e erros cometidos quando o resultado é previsível de antemão".

"Se esta é a liderança israelense nos dias atuais, não acho que nenhum israelense pode dormir tranquilo frente à ameaça maior que enfrentamos (em alusão ao programa nuclear Irã)", afirma.

O escritor David Grossman argumenta no jornal "Ha'aretz" que "nenhuma explicação pode justificar o crime que foi cometido, nem há desculpa para a estupidez com que o Governo e o Exército atuaram".

Grande parte da responsabilidade, para os comentaristas, recai sobre o ministro da Defesa, o trabalhista Ehud Barak, a quem outro influente colunista, Sver Ploztker, do jornal "Yedioth", exige sua renúncia.

"Não importa como foi tomada a decisão de cair na armadilha, na provocação do Hamas, e não importa que outras alternativas havia. A única coisa que importa é que Barak fracassou e deve renunciar", escreveu.

No mesmo sentido, Nahum Barnea, outro dos pilares da imprensa israelense, lembra que o titular da Defesa costuma dizer aos quatro ventos que seu lema de vida é "o resultado é a única prova da eficácia" e que "se este é o resultado, o ataque à frota... abre muitas dúvidas".

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