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Igreja Metodista lança Carta Pastoral sobre o Racismo

18/11/2011 12h45 - última modificação 18/11/2011 12h45

A Pastoral de Combate ao Racismo da Igreja Metodista convida a todos os segmentos da Igreja a separarem parte de sua programação neste mês para refletir sobre a importância do povo negro na história de nosso país.

A Carta Pastoral sobre o Racismo , do Colégio Episcopal, é uma ferramenta para ajudar as igrejas e demais segmentos metodistas a caminhar no testemunho do amor de Deus, rompendo preconceitos, quebrando idéias racistas e sendo solidários/as com as lutas negras para alcançar os direitos sociais e de cidadania que ainda são negados.

Principais vítimas da violência urbana, alvos prediletos dos homicidas e dos excessos policiais, os jovens negros lideram o ranking dos que vivem em famílias consideradas pobres e dos que recebem os salários mais baixos do mercado. Eles encabeçam, também, a lista dos desempregados, dos analfabetos, dos que abandonam a escola antes de tempo e dos que têm maior defasagem escolar. Texto de: Maria Aparecida Silva e Nathalie Beghin    

O IV Encontro Afrocristão - “Juventude Negra, sujeito de direitos”, promovido pelo Ministério de Ações Afirmativas Afrodescendentes da 3re- AA-AFRO-3RE, realizado em abril deste ano assumiu a Carta Compromissos negros , a qual aponta possibilidades de compartilhamento e solidariedade para com a juventude negra.

A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou duas medidas importantes objetivando transformar para melhor o valor social e o empoderamento das populações afrodescendentes e das juventudes:

2011 - ANO INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES com o objetivo de fortalecimento de ações nacionais e regionais, além da cooperação internacional para o benefício das pessoas descendentes de africanos em relação ao total usufruto de seus direitos econômico, cultural, social, civil e político; à sua participação e integração em todos os aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais da sociedade, e da promoção de mais conhecimento e respeito por seus patrimônios e culturas diversos.

O Ano está acabando e a maioria da população afrodescendente brasileira ainda não é acolhida, desde seu nascimento, com dignidade e respeito, na mesma categoria como os demais: direito à saúde desde o pré-natal - as mulheres negras durante os exames clínicos são menos tocadas do que as mulheres brancas e seu tempo de consulta é bem menor do que o das mulheres brancas; direito à educação com a mesma atenção afetiva que a criança branca é acolhida, por parte dos profissionais da educação, e, oportunidade de acesso a universidade, na mesma proporção da juventude branca; direito ao lazer, ao trabalho com remuneração digna.

O povo negro desde sempre foi alvo do amor de Deus, mas nem sempre do amor humano. Povo este que ainda sofre o estigma da cor e da escravização, a herança de exclusão pela abolição sem direitos; que chora a morte de seus meninos e jovens, pela falta de perspectiva de um futuro melhor, e, das meninas-mães que vêem na gravidez uma esperança por não ter o que mais esperar. Povo que busca força de onde já não há esperanças. E sobrevive apesar de ganhar os menores salários, ocupar os mais baixos cargos, de morar nas periferias abandonadas pelos poderes públicos.

2010/2011 - ANO INTERNACIONAL DA JUVENTUDE, visando: dinamizar o diálogo e compreensão entre gerações, culturas, religiões e civilizações; promover os ideais de paz, respeito pelos direitos humanos e solidariedade; incentivar os jovens a dedicarem-se a promover o progresso, incluindo a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas (ODM).  Porém ainda os jovens negros sofrem estereótipos de ser marginal, trombadinha, assaltante, etc., sendo comuns as abordagens policiais e de seguranças de shoppings e supermercados, marcadas por agressões, às vezes com conseqüências fatais, como tem sido noticiado na mídia.

Estudos apontam o alto nível de mortalidade do jovem negro, o que é alarmante, pois está ocorrendo o genocídio da juventude negra. Os jovens negros, vivem muito mais expostos a violência produzida pela sociedade, da qual eles são vítimas desde a infância, pela exclusão social, expostos a organizações criminosas, e a agressão de Instituições que deveriam zelar por sua segurança. A situação é grave em decorrência dos estereótipos negativos. A situação das mulheres jovens negras também é marcada pela violência. Ainda são as mais expostas aos tráficos e exploração sexuais. As meninas negras estão mais expostas à gravidez precoce, a prostituição, e a trabalhos menos valorizados.

Vivemos o ano da juventude, tempo de valorizar a juventude negra como sujeitos de sua história. Tempo de ouvir sua voz que ecoa nos movimentos de periferia, como hip hop, grupos de escritores/as jovens negros, na militância de estudantes Educafro – cursinho pré vestibular, entre outros. É tempo de ouvir a voz da juventude negra metodista, presente nas igrejas, nas escolas dominicais, nas sociedades de juvenis e jovens, e nas federações, e que muitas vezes tem mantido silencio sobre sua identidade afrodescendente ocultada no contexto religioso. Mas que também tem sido ousada e levantado sua voz sobre as violências sofridas enquanto jovens negros e negras, como a primeira Pastoral da juventude Negra Metodista atuante no Rio de Janeiro.

A Igreja “comunidade a serviço do povo” é chamada a pensar no povo negro, na juventude negra, com solidariedade e amor.

Que a Igreja, comunidade a serviço do povo, seja o espaço de escuta e acolhimento da juventude negra, e agregue todo seu potencial na construção de uma igreja que contemple a diversidade étnico-racial a partir desta juventude.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR CÓPIA DA PASTORAL DO RACISMO

Diná da Silva Branchini
Pastoral de Combate ao Racismo
Ministério Ações Afirmativas-3re
Igreja Metodista




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