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120 anos de ensino teológico metodista: a história do logotipo da Faculdade de Teologia

03/06/2009 12h08 - última modificação 25/06/2009 18h36

“O esporte favorito da maioria dos colegas era, obviamente o futebol. Treinávamos ou batíamos bola sempre que tínhamos folga. Aos sábados, era comum jogarmos contra clubes amadores da região, no campo semi-gramado de Rudge Ramos, não longe do seminário. Foi aí que enfrentamos várias vezes a equipe de um seminário católico do município vizinho de Santo André e chegamos a fazer boas amizades com alguns dos seus jogadores. Foi minha primeira e saudável experiência ecumênica!
O ano de 1950 está na memória de todos os brasileiros amantes de futebol. O Brasil era o país anfitrião da Copa Mundial daquele ano e o Estádio do Maracanã, no Rio, tinha sido construído para ser o principal palco desse grande evento esportivo internacional. Só se falava nisso. O Brasil tinha chegado à final e iria disputar o título de campeão do mundo com o Uruguai. Naquela semana, o professor Nathanael, o do coral, que era também apaixonado por futebol, veio conversar com alguns de nós sobre irmos assistir a esse jogo decisivo no Maracanã. Eu e quatro colegas topamos. Iríamos de ônibus ao Rio, e depois do jogo passaríamos a noite no dormitório do Instituto Bennett, outra famosa escola metodista, para voltarmos no dia seguinte. Dito e feito. O Maracanã, recém-inaugurado, era o maior estádio do mundo, com capacidade para 100 mil espectadores; mas naquele sábado de final acomodara 150 mil, muita gente acocorada entre os degraus das arquibancadas. E lá estávamos nós. Bem..., o resto é do conhecimento de todos. O impossível aconteceu. A vitória certa se transformou em humilhante derrota. Aquele gol de contra-ataque do lateral uruguaio Schiafino entrou nos anais como um dos momentos mais traumáticos da história esportiva brasileira...
Mas, quero terminar esse parágrafo futebolístico com uma nota mais risonha. Certa noite resolvemos comprar camisetas novas para o nosso time. Conversamos sobre cor, dístico e também sobre a criação de um emblema que ornasse as camisetas e que tivesse algum significado. A idéia me ficou na cabeça e, numa daquelas aulas soníferas de História Eclesiástica, sentado no fundo da sala e fingindo que estava tomando notas, fui rabiscando e desenhando um emblema. Tomei como base um círculo (símbolo da eternidade) contendo o clássico monograma do nome de Cristo em grego (XP), verticalizado; desenhei, em dois dos seus setores angulares opostos, as letras alfa e ômega (que Jesus disse ser), e no terceiro um candeeiro (luz do Evangelho); o quarto já estava preenchido com o meio-círculo da letra P (“ro”). Isso tudo num fundo azul (pureza) e vermelho (abnegação e coragem). E, na circunferência , os dizeres “Faculdade de Teologia da Igreja Metodista”.
Os colegas aprovaram meu desenho, o fabricante das camisetas o passou a limpo e o bordou a máquina nas camisetas azuis. Ficou realmente bonito. Nosso time tinha agora um uniforme vistoso e significativo... Fiquei alegremente surpreso quando, anos depois, me contaram que aquele emblema fora adotado pelo próprio seminário, e que era reproduzido nos documentos oficiais e até nos diplomas da instituição. Há poucos meses, um amigo e atual professor do seminário me presenteou com um broche de lapela e um chaveiro comemorativos do aniversário da instituição: traziam o mesmo emblema...”

Esse texto que você acabou de ler pertence ao livro Memórias de um Brasarmênio, do teólogo Aharon Sapsezian (Fonte Editorial, 2008). Sapsezian é autor de inúmeros estudos sobre Educação e Teologia e um dos personagens principais da história do ensino teológico brasileiro: foi Secretário de Estudos da Confederação Evangélica do Brasil, Secretário-Executivo da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos e dirigiu por 13 anos o Programa de Educação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas, primeiro em Londres, depois em Genebra. Aharon Sapsezian também foi professor da Faculdade de Teologia, onde lecionou Teologia Contemporânea e Ecumenismo.

Nascido em 1926 em um campo de refugiados armênios, sobreviventes do genocídio que se iniciou em 1915 e dizimou mais de um milhão e meio de pessoas, com apenas um mês e meio de vida Aharon migrou para o Brasil, com os pais e o irmão. Brasarmênio é o termo que ele mesmo cunhou para tentar, numa única palavra, reunir as duas culturas que formaram sua identidade.

Nesse saboroso livro de contos autobiográficos, seus tempos de seminarista da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista são descritos com bom humor, saudade e leveza. Aharon Sapsezian diz que compartilhar memórias é uma forma de perenizá-las. Não se pode saber em que mãos suas memórias cairão ou que olhos as percorrerão, diz ele. Mas ele espera que elas tragam algum proveito, "quiçá algum prazer". Pois o prof. Aharon pode ter certeza que, seja pela riqueza de informações, seja pela qualidade do texto, seu livro trará tanto proveito quanto prazer. Nós, leitores e leitoras, com quem Aharon gentilmente compartilha suas memórias, agradecemos o privilégio.

Igreja Metodista: 120 anos de educação teológica! - CLIQUE aqui para ver as palestras da 58ª Semana Wesleyana, que teve como tema a Educação Teológica no século XXI.

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