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Identidade missionária: jornal Expositor Cristão destaca artigo de professor da FaTeo

11/03/2013 13h50 - última modificação 11/03/2013 13h58

O jornal metodista Expositor Cristão do mês de março traz um artigo do Prof. Dr. Nicanor Lopes, coordenador do curso de Teologia da FaTeo. Ele aborda o tema de seu doutorado:

 

Identidade missionária metodista
Responsabilidade social, pregação e educação

Nicanor Lopes*

A dimensão missionária da igreja tem sido o objetivo maior na jornada da igreja cristã. Por ter esta grandeza, em muitos momentos a igreja sente-se seduzida por métodos, caminhos e estratégias que não confirmam sua vocação missionária na perspectiva bíblica ou mesmo histórica. No metodismo brasileiro esta situação não é diferente. É objetivo deste artigo refletir a missão a partir dos elementos essenciais e indissociáveis da identidade metodista.


Um trio inseparável

Muitas ações e atitudes são realizadas em nome da missão e algumas delas concentram seu foco na dimensão da responsabilidade social, outras na pregação [evangelização] e ainda outras na educação. O nosso pressuposto é que essas três áreas da eclesiologia metodista são inseparáveis.

O Plano para Vida e Missão afirma que A missão de Deus no mundo é estabelecer o seu Reino. Participar na construção do Reino em nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizadora da Igreja (PVMI, 2007, p.80). Aqui se reafirma a permanente e indispensável necessidade de compreender a missão como Missão de Deus [Missio Dei].

O metodismo brasileiro, a exemplo do metodismo inglês e do norte-americano, estabeleceu a sua base missionária no tripé da ação social, da evangelização e da educação. A ordem da ação missionária não é a questão determinante; a indissociabilidade da tríade, esta sim, é indissociável.

É fato que os aspectos da tríade não esgotam a reflexão teológica sobre a missiologia no metodismo brasileiro, outras leituras já foram apresentadas e certamente outras ainda virão. Todavia, este artigo procura indicar as questões essenciais da missão, na dimensão da tríade Responsabilidade Social, Pregação e Educação, questões essas, tidas por essenciais na herança wesleyana.


Tensões

As questões missionárias no metodismo brasileiro nem sempre foram estabelecidas a partir da tradição wesleyana ou mesmo do conceito teológico da Missio Dei. A transplantação cultural e a inserção histórica geraram equívocos missiológicos, a ponto de fragilizar a tríade missionária, pois em alguns “momentos decisivos do metodismo” nem sempre a tríade foi considerada uma questão indissociável.

Por exemplo, no período da autonomia [anos 30] se, por um lado, Hugh H. Tucker, Guaracy Silveira e outros representam o pensamento de que ação missionária significa o comprometimento com as transformações sociais, por outro, encontramos Augusto Schwab, Epaminondas Moura e outros que representam o pensamento de que ação missionária é ver a Igreja como agência de conversão pessoal, avivamento e santidade.

Essa tensão foi, no metodismo brasileiro, corrigida por ocasião da organização do Plano para Vida e Missão. O que também, não significa uma correção do percurso missionário da elaboração do plano até os dias atuais. Na verdade, o mesmo pode ser observado em outras igrejas de tradição wesleyana.
Apontar caminhos para a ação missionária da Igreja não é tarefa de fácil execução, ainda mais quando se procura priorizar fidelidade aos elementos essenciais da missão numa perspectiva wesleyana. Quando se afirma que o tema da missão sempre esteve presente na pauta da Igreja Cristã, não se faz como questão retórica. Trata-se de uma questão vital no espaço religioso.

Consequentemente, as ações missionárias no projeto da Igreja Metodista revelam que o tema tem na sua essência as tensões próprias de um ambiente de mudança, não somente na concepção pessoal, mas também comunitária. Wesley, no movimento metodista, convivia com essa tensão. Sua convicção de que outra paróquia era possível e que fosse além das fronteiras do modelo eclesiológico inglês de seu tempo, permitiu que sua proposta missionária fosse para o mundo. O mundo é minha paróquia.

Dentro dessa perspectiva a análise das tensões relacionadas à missão, utilizando como objeto de investigação os elementos essenciais da tradição wesleyana, constata que as tensões foram de forma criativa portas para novas oportunidades no campo da missão.

David Bosch, no livro Missão Transformadora, afirma que “nossa vida cristã neste mundo implica, por conseguinte, uma tensão inevitável, oscilando entre o júbilo e a agonia”. Assim sendo, procura-se, com esta reflexão, oferecer uma análise missiológica que dê conta das tensões próprias desse campo e, ao mesmo tempo, aponte caminhos que colaborem com a fidelidade ao conceito da Missio Dei.


Vida e Missão

Por falta de fundamentação teológica consistente produz-se ações missionárias geradoras de equívocos na caminhada da Igreja. Relacionar Responsabilidade Social, Pregação e Educação colabora para que a igreja em tempo de mudanças paradigmáticas no campo da missão estabeleça uma permanente atitude de vigilância quanto à indis-sociabilidade da tríade.

Um marco regulatório importante para os metodistas no que se refere à prática missionária é o documento Plano para Vida e Missão da Igreja. A legitimidade deste referencial teológico está na aprovação conciliar de 1982 e consequentemente, referendado nos Concílios Gerais dos últimos quase 30 anos. Trata-se da base norteadora da vida e missão do metodismo brasileiro.

É imperioso salientar que o contexto que deu origem à Igreja Metodista no território brasileiro se deu a partir da interpretação da relação da tríade missionária aqui proposta. Isso permitiu a compreensão da Responsabilidade Social como elemento de inclusão social, conjugado a Pregação como elemento formador da identidade religiosa de cunho protestante que, por sua vez, tem na Educação, a condição de transformação social.

As influências da tríade nos momentos considerados decisivos para o metodismo brasileiro ficaram evidentes em várias situações. Uma constatação se dá nas ações, que constituem desde a abertura de pontos de pregação e capelas à construção de templos. E, concomitantemente, percebe-se que a Responsabilidade Social é sinalizada com ações concretas em favor, especialmente, de crianças empobrecidas e pessoas adultas não alfabetizadas que eram atendidas nas Escolas Paroquiais.

Não de menor valor fica evidente o comprometimento com a Educação. A abertura de novos pontos de pregação era acompanhada do projeto educacional. Martha Hite Watts é um ícone da presença missionária leiga com objetivos claros de fortalecer a missão da Igreja. Além disso, é a Educação que permite a igreja nascente um diálogo com outras organizações da sociedade da época.

Certamente a Pregação, de caráter conversionista, é o elemento que dá sustentabilidade ao projeto missionário metodista e estabelece a identidade religiosa da Igreja. Isso fica evidenciado quando se observa a implantação do metodismo, em especial na região sudeste do Brasil.


Missão com marca wesleyana

Portanto, é possível fazer uma teologia da missão com a marca da identidade wesleyana em terras brasileiras. O desafio para os tempos atuais são:


(1) Cumprir a missão no contexto metodista brasileiro em face aos eixos norteadores da tríade: Responsabilidade Social, Pregação e Educação;

(2) Assumir responsabilidade com ações missionárias de cunho cooperativo e não somente isoladas;

(3) Compreender que a missão é mais que empreendimento meramente expansionista;

(4) Ressignificar a articulação eclesiástica autoritária para uma articulação participativa e comprometer-se com a inculturação como espaço vivencial da missão.

 

Missio Dei
O que significa?


Esta é uma expressão em latim que significa “Missão de Deus”. Significa que é próprio Deus quem faz a missão. A Missio Dei é a manifestação de Deus como pastor e mensageiro de Seu povo. Desta forma, o serviço missionário não deriva do trabalho e estratégias da Igreja, mas que a Igreja é apenas um instrumento nas mãos de Deus. Cabe a Igreja deixar-se usar por Deus para que a obra de redenção do ser humano se complete.

Fonte: Dicionário Brasileiro de Teologia – ASTE, 2008.



Ênfases Missionárias
Plano Nacional Missionário 2012/2016


1.    Estimular o zelo evangelizador na vida de cada metodista, de cada igreja local;

2.    Revitalizar o carisma dos ministérios clérigo e leigo nos vários aspectos da missão;

3.    Promover o discipulado na perspectiva da salvação, santificação e serviço;

4.    Fortalecer a Identidade, Conexidade e Unidade da Igreja;

5.    Implementar ações que envolvam a Igreja no cuidado e preservação do Meio Ambiente;

6.    Promover maior comprometimento e resposta da Igreja ao clamor do desafio urbano;

Tema Nacional 2012-2012 - Discípulas e Discípulos nos caminhos da Missão: cumprem o mandato missionário de Jesus.

* Nicanor Lopes é presbítero da Igreja Metodista, doutor em Ciências da Religião e coordenador do Curso de Teologia da Faculdade de Teologia da IM (Presencial), onde ministra o tema “Missão e Evangelização”

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