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FaTeo abraça o desafio da inclusão de pessoas com deficiência

30/03/2007 13h57 - última modificação 30/03/2007 13h58

Por Lídia Maria de Lima, acadêmica do 3º período do Curso de Teologia

A palavra inclusão tornou-se algo muito freqüente em nossa sociedade. Na mídia eletrônica, impressa e virtual, o tema é sempre abordado. Na igreja e na Universidade, também não poderia ser diferente.

Na Fateo, este processo está sendo desenvolvido há alguns anos. Sandra Helena Manduca, bacharel em Teologia e aluna do mestrado em Ciências da religião, foi uma das primeiras alunas deste processo de inclusão.

Cadeirante, recomendada ao Curso de Teologia pela Igreja Metodista em Barra Mansa (RJ), Sandra relata que no início de suas atividades na FaTeo, contava com o apoio dos colegas de turma para transportá-la nos espaços mais íngreme, os banheiros também não eram adaptados e utilizar algumas salas e a  biblioteca também era praticamente impossível. "A ajuda dos amigos e dos professores  foi fundamental neste processo de adaptação e inclusão. Aos poucos estes obstáculos foram sendo superados e os espaços adequados" – diz Sandra, que além da adaptação das salas de aula, da biblioteca e da moradia, recebeu de seus professores/as uma cadeira motorizada, que possibilitou maior mobilidade e agilidade nos espaços da faculdade.

Neste ano, a FaTeo tem com dois alunos deficientes visuais: Kary Janaína Sales, aluna do 2º ano, e Enoque Rodrigo, 1ºano. Kary superou os desafios de sair do Mato Grosso, vir para São Paulo  sem a família para realizar o sonho  de cursar teologia. "Como fui a primeira deficiente visual, a adaptação foi um pouco difícil, mas pude contar com a disponibilidade dos professores/as, que sempre procuraram e traziam materiais que eu pudesse participar das aulas." - diz Kary, que hoje é seminarista em Vila campestre, onde também é voluntária no projeto socioeducativo Espaço Criança, que atende crianças carentes da comunidade.

Enoque Rodrigo  acredita que a  Kary "abriu caminhos" que facilitaram sua vinda para a FaTeo” – depois da experiência com ela, os professores/as já se acostumaram e aprenderam a adaptar as aulas e os materiais."

A pastora, professora e assessora pedagógica para Inclusão na Universidade Metodista Elizabete Renders avalia como positivas as atitudes da FaTeo, entretanto acredita que, agora,  o grande desafio será a inclusão destes alunos ministério pastoral: "Será necessário quebrar muitos preconceitos neste percurso da inclusão de pastores e pastoras com deficiência física ou sensorial. Mas precisamos, como igreja, aprender e eliminar, em primeiro lugar, as barreiras atitudinais. Afinal, segundo o teólogo alemão Jürgen Moltmann, as pessoas com deficiência sofrem muito mais pelos impedimentos sociais do que por sua própria vulnerabilidade."

Na universidade,  com a intenção de garantir o acesso e a permanência das pessoas com deficiência no ensino superior, muitas ações concretas já estão sendo desenvolvidas. Três pontos estão sendo priorizados neste processo de inclusão:

 

- acessibilidade física: rampas, elevadores, eliminação de pequenos degraus, sinalização tátil, desenho universal, etc;

 

- acessibilidade comunicacional: inclusão de intérpretes de LIBRAS em sala de aula para tradução simultânea das aulas, instalação de softwares ledores de tela em máquinas dos laboratórios de informática, construção da Biblioteca Digital para pessoas cegas, instalação de telefones para surdos, etc.;

 

- acessibilidade atitudinal Fórum de Inclusão, Grupo Interdisciplinar de Apoio Pedagógico para a Inclusão, Consulta Docente, Diretrizes Político Pedagógicas para a Inclusão.

Na 3ª Região Eclesiástica da Igreja Metodista (Grande São Paulo, Baixada Santista e vale do Paraíba), algumas atitudes concretas já estão sendo tomadas:

-  A Igreja Metodista em Rudge Ramos, onde Sandra Helena estagiou por quatro anos, já iniciou o processo de eliminação de degraus e escadas, a construção de rampas de acesso e de sanitários adaptados e também há  espaços para cadeiras de rodas no interior do templo;

- Na Igreja Metodista em Santo André há uma iniciativa de capacitação do ministério com os surdos, em que se aprende e ensina a linguagem das libras.

Na 1ª Região Eclesiástica (Estado do Rio de Janeiro), a Igreja Metodista de Vila Isabel disponibiliza em seu site alguns livros digitalizados, que torna possível ao/à deficiente visual, por meio de programas de computador, conhecer conteúdos. Fica o desafio de ampliar a prática, tornando possível o acesso a hinários, rituais, pastorais e outros documentos da Igreja.

Um grande passo seria a criação de Ministérios de Inclusão nas igrejas e nas áreas regional e geral. Segundo a prof. Elizabete Renders, na quarta e na quinta regiões eclesiásticas já existem iniciativas neste sentido. “Estas ações não demandam muitos esforços financeiros – podemos trabalhar com mutirões e com doações, os softwares, por exemplo, são doados por alguns bancos. Mas acima de tudo, elas demandam esforços pessoais no sentido de quebrarmos círculos de preconceito e medo e, finalmente, nos dispormos a incluir pessoas com deficiência nos espaços eclesiais."

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