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Falece Déa Kerr, escritora e compositora dedicada à educação cristã

03/07/2009 17h28 - última modificação 21/07/2009 18h27

Faleceu Déa Kerr Affini na madrugada desta sexta-feira, dia 3 de julho. Um culto em gratidão por sua vida será celebrado na Igreja Metodista em Sto.Amaro, SP, às 14h30 horas. (Rua Conde de Itu, 99, Tel: 11/ 5524.6200) O sepultamento está marcado para as 17h, no cemitério em S.Amaro. Déa Kerr, autora de livros infantis, compositora, regente de coral, dedicou toda sua vida à educação cristã na Igreja Metodista. Pedimos que Deus, com seu eterno amor, conforte a todas as pessoas que sofrem nessa despedida. E agradecemos a Deus pela existência dessa serva, que deixa uma lembrança de amor, fé e doçura.


Abaixo, uma entrevista publicada no jornal Expositor Cristão, informativo oficial da Igreja Metodista, no ano de 2007:


Histórias da Tia Déa


Ela nos atende com um sorriso simpático e algo tímido: “uma entrevista para o Expositor Cristão? Mas será que eu tenho alguma coisa pra contar?”Déa Kerr Affini, que durante tantos anos tem sido a nossa Tia Déa – criadora de histórias e compositora de canções sempre lembradas quando chega o momento de preparar nossas Escolas Bíblicas de Férias – não gosta muito de falar de si mesma. Mas, a grande verdade é que ela tem muito o que falar. E a Igreja Metodista ainda tem muito o que aprender com esta serva que tem dedicado sua vida e talentos para transmitir o amor de Deus com a música e a literatura.

Com quantos anos você começou a se dedicar à música?


Comecei a tocar piano com 10 anos e aos 12 já tocava na Igreja. Eu nasci na Igreja Congregacional mas, em 1939, minha família mudou-se para o acampamento da Usina Elevatória da Pedreira (bairro no extremo sul da cidade de São Paulo) e era muito difícil encontrar condução para freqüentar a Igreja. Foi nessa época que começamos a freqüentar a Igreja Metodista. Ao mesmo tempo, meus pais também cooperavam num ponto missionário da Igreja Batista. Como era época de guerra, não se podia sair à noite. Então, um dia caminhando próximo ao acampamento, meu pai escutou um hino e descobriu que havia uma congregação se formando ali perto, e resolveu ajudar. Várias vezes toquei harmônio portátil à beira da represa, nas cerimônias de batismo! Em 1950, com 20 anos de idade, fui estudar música na Escola de Música Sacra do Bennett, no Rio de Janeiro. Fui a primeira formanda da escola (e o hino Vida e Luz, o número 398 de nosso Hinário Evangélico, que ela compôs como trabalho de conclusão de curso, foi tocado em sua formatura. Conheça esse hino clicando aqui) Depois, fui contratada para dar aulas de piano e reger o coral das alunas do Instituto Metodista, na Chácara Flora.


Que lembranças você guarda da Chácara Flora?

Eu era uma menina, tinha apenas 23 anos de idade. As demais professoras achavam que eu devia manter uma certa distância das alunas. Mas eu tinha a mesma idade delas e achava que, para ser respeitada, não precisava fazer “pose” de professora. A gente fazia reunião no quarto à noite, quando já era hora de dormir. Quando dona Dina Rizzi ia chegando, ela pisava duro e fazia barulho, ficava fácil de ouvir, e voltávamos rapidinho pra cama. Já dona Sarah pisava leve e “pegava” a gente. No primeiro ano em que dei aulas no Instituto Metodista, acabaram me escolhendo para ser paraninfa da turma, foi uma coisa de doido! Outra boa lembrança que tenho desta época é o de ver as alunas despertando para a música. Lembro-me que a Odette Fillietaz cantava no coral com uma expressão tão séria que dava até medo. Ela cantava no soprano. Mas quando a ouvi individualmente, percebi que ela tinha uma excepcional voz de contralto, com uma extensão maravilhosa! “Será que ela vai ficar brava comigo se eu pedir que ela cante outra voz?”, perguntei-me. Ela não apenas concordou, como virou outra pessoa no contralto! Floresceu! Era a pessoa certa no lugar certo. Fiquei na Chácara Flora fiquei de 1952 até 1955. Casei-me em 1954 e, em 1955, nos mudamos para Lins, onde meu marido (o professor Paulo Onézimo Affini, que faleceu em 1998) foi dar aulas de Física no Colégio Americano. Mas não deixei de reger coro nas Igrejas. Regi coro por 52 anos.


Mas como é fazer um trabalho de regência, que exige tanto da voz, sofrendo de asma? (D. Dea sofre de asma desde a adolescência. Ela também já contraiu tuberculose, no ano de 1982, implantou um marcapasso, em 1997 e sofreu uma embolia pulmonar, em 2005. Mas nunca deixou de trabalhar para a Igreja).

Quando senti o chamado para este trabalho, também senti que, se me dedicasse, Deus me daria o ar necessário. E assim foi. Eu tenho vocação para servir na Igreja. O ano em que implantei o marcapasso foi também o ano em que meu marido faleceu. O trabalho foi um grande conforto. Deus vai dando força...


E o trabalho com crianças, como começou?

Ah, eu sempre trabalhei com crianças na Igreja, apesar de ser muito tímida. A partir dos anos 60, nossa família veio residir em São Bernardo do Campo, SP.Foi quando comecei a formar o coralito na Igreja Central de São Bernardo. Nessa época eu ainda não havia cursado magistério, um curso que sempre quis fazer. Fui cursar magistério aos 50 anos de idade. Eu tinha acabado de perder a minha mãe e minha filha me deu um grande incentivo para eu fazer o curso. Eu era a aluna mais velha da turma.


Qual a diferença de reger coro de crianças e de adultos?

As crianças são muito ativas. Mas os adultos às vezes são mais indisciplinados que as crianças! Às vezes, o adulto resiste a aprender uma música nova e conversa muito no ensaio. O bom coralista deve escutar as outras vozes para ouvir melhor a sua. É necessário pensar no que se canta pois, quando cantamos, estamos transmitindo uma mensagem.


E as histórias da Tia Déa, da Voz Missionária... Quando surgiu a escritora?

Comecei a escrever aqui em São Bernardo, por incentivo do pastor Lenildo Magdalena. Eu escrevia no boletim da Igreja.O pastor Lenildo era muito dinâmico; fazíamos EBFs com 350 crianças e comecei a contar histórias para elas. Quando você conta histórias, você se esquece da timidez. É uma ação divina! E até os adultos chegam a ficar na ponta da cadeira para ouvir.Virei a Tia Déa. Comecei a escrever histórias e composições para cancioneiros infantis e fiz alguns trabalhos em parceria com a Phillys Reily, como os livros Feliz Idéia e Todos a Bordo. Quando escrevo, penso nas perguntas que as crianças fazem, elas são muito vivas. Quando a Maria Joaquina (Maria Joaquina Stédile, então presidente da Confederação Metodista de Mulheres) indicou-me para a Voz Missionária aceitei como mais um desafio. Tomei posse em 1997 e fiquei na redação até 2004. (os limites físicos a impediram de continuar à direção da revista. Mas Tia Déa continua escrevendo regularmente a sua Página da Criança para a Voz Missionária).


Em 2004, a Terceira Região a homenageou com a Ordem do Mérito Metodista em reconhecimento pelo seu trabalho. Como você avalia estes anos de trabalho e o que você gostaria de que melhorasse na Igreja?

A gente não merece homenagem... Na hora da entrega da ordem eu dizia ao pastor “estou pagando mico”... Ele dava risada...Todo o trabalho nestes anos todos foi muito gostoso. Muitas vezes difícil pelas circunstâncias de saúde, mas o convívio com as crianças é muito lindo. Só tenho a lamentar que poucas igrejas tenham coral hoje em dia. Muitas igrejas têm desprezado esta parte da nossa história que está na música. Estão surgindo músicas muito descartáveis.Há quem justifique isso citando o versículo da Bíblia. “Cantai ao Senhor um cântico novo”. Mas, cada canto que você canta com o seu espírito está sendo novo para Deus. Os nossos hinos nos ligam a outras igrejas do mundo inteiro, são parte de nossa cultura.

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