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FaTeo celebra aniversário: veja fotos da comemoração e um vídeo histórico inédito

30/04/2010 18h08 - última modificação 30/04/2010 18h35

O dia 21 de abril foi uma data especial para a FaTeo: celebrou-se o Dia da Faculdade de Teologia e o Dia do Seminarista com uma festa de confraternização e ação de solidariedade às vítimas das enchentes e deslizamentos do Rio de Janeiro.

Em 2010 a FaTeo comemora 121 anos de educação teológica metodista no Brasil e os 70 anos da aquisição de um terreno no então desabitado "Bairro dos Meninos", em São Bernardo do Campo, para a construção do que seria o primeiro edifício destinado à educação superior no município: o edifício Alfa (foto acima), tombado pelo Patrimônio Histórico.



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A preocupação com a preparação dos futuros ministros ordenados da Igreja Metodista deu-se logo no início do trabalho metodista no Brasil, assim que começaram surgir as primeiras vocações pastorais.

Quando a escola metodista em Juiz de Fora, foi organizada, em 1889, pelo missionário J. M. Lander, o que se tinha em mente era concretizar os planos já concebidos para o desejado Seminário, quando da primeira visita do bispo John C. Granbery ao país, em 1886. Lander teria sido selecionado pelo próprio bispo e enviado ao Brasil com a incumbência de fundar uma escola de ensino superior e uma "escola de profetas".

Naquela ocasião, o bispo Granbery assim se expressara: "Vemos a grande necessidade de uma Escola bem graduada em que, especialmente os moços que se sentem chamados por Deus para pregar, possam obter suficiente educação literária". A escola fundada foi posteriormente denominada de O Granbery, em homenagem a seu grande inspirador.


O começo de tudo

Em 1889 já se encontravam em Juiz de Fora, como internos, na casa de Lander, alguns jovens recebendo as primeiras lições. Em setembro de 1890, criou-se o Seminário d'O Granbery, e o primeiro reitor John William Tarboux, foi nomeado em 1892. Entre os primeiros alunos foram contados três dos quatro pregadores metodistas brasileiros que receberam nomeação episcopal na primeira Conferência Anual da Igreja no Brasil. Em 1896 é relatado que o Seminário estava em funcionamento contando com nove alunos.

Em 1904 o curso de teologia é "remodelado e aumentado" e a instituição foi passando por transformações, dentre as quais a de voltar-se também para o ensino oficial reconhecido pelo governo. Em 1928 o curso foi elevado à categoria de Faculdade de Teologia d'O Granbery. Logo Derly Chaves, que havia retomado de seus estudos de pós-graduação nos Estados Unidos, assumiria a reitoria da Faculdade inaugurando a época de ouro daquela que foi criada para ser a "casa de profetas" dos metodistas.


Teologia também no Sul

Com a fundação do Colégio Porto Alegre, em 1919, o metodismo do sul do país passou a aspirar também a sua própria escola teológica, que finalmente foi organizada em 1923 como Escola Bíblica para formação de candidatos ao ministério pastoral metodista. Em 1928 a escola foi elevada à categoria de Faculdade de Teologia do Sul, como parte do Colégio Porto Alegre, e em 1930 foi equiparada à Faculdade d'O Granbery.

Em 1934, Sante Uberto Barbieri assumiu a reitoria da Faculdade de Teologia do Sul, momento em que havia regressado dos Estados Unidos após quatro anos de estudos de pós-graduação em Teologia. Barbieri se dedicou à nova função com a decisão de formar um corpo bem treinado e suficiente de obreiros metodistas para os três estados mais sulinos do Brasil.

Em outubro de 1937 foi decidido que a instituição teológica magraria de Porto Alegre para Passo Fundo, onde a Igreja já fazia funcionar o Instituto Ginasial Passo Fundo. Essa mudança nunca aconteceu, pois o 3º Concílio Geral da Igreja, em 1938, decidiu unificar as duas Faculdades de Teologia existentes e criar a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista.


A Faculdade de Teologia da Igreja Metodista

No 3º Concílio Geral da Igreja Metodista, realizado em fevereiro de 1938, o Bispo César Dacorso Filho recomendou em relatório a criação de uma nova instituição teológica, mediante a fusão das duas Faculdades então existentes que consequentemente se extinguiriam. O trecho do relatório em que a proposta foi apresentada é por demasiado esclarecedor sobre as motivações que o primeiro bispo brasileiro teve ao fazê-la:

Minha opinião é que haja uma só Faculdade de Teologia, independente de qualquer colégio, sob a direção de um conselho superior, nomeado pelo Concílio Geral, com estatutos próprios, mantida pelas 3 regiões eclesiásticas, por um plano que lhes garanta os direitos e interesses, e no lugar que mais convier à Igreja em geral. Creio que de tal modo a preparação ministerial será mais variada, mais profunda, enquanto mais econômica, mais fortalecedora da coesão da Igreja, desfazendo regionalismos inconvenientes por desagregantes, mas uniformizadora de nossas atividades e mais entrelaçadora dos próprios ministros.

Urge se evitem especializações, aqui e dos que daqui forem aos Estados Unidos estudar nas universidades mantidas pela Igreja Mãe, que subsirvam de alegação para isto e aquilo, porque podem dar peritos em excesso para tais e quais posições, pesos mortos para as pobres finanças da Igreja, enquanto as paróquias ficam à míngua de pastores.

Suponho que haveria benefício para a Igreja, se conseguíssemos estabelecer contato com seminários da Europa, notadamente da França e da Itália. Temos até aqui absorvido do pensamento teológico e eclesiológico anglo-saxônico somente, ao passo que deveríamos ter absorvido, também, do latino, porventura mais condizente com o nosso gênio.

A sugestão episcopal apresentada na primeira sessão do Concílio, no dia 7 de fevereiro, foi transformada em proposta assinada por 24 conciliares na tarde do dia seguinte, sendo nomeada uma Comissão Especial para estudá-la, que apresentou ao plenário seu parecer na manhã do dia 9. Na tarde do mesmo dia o parecer foi discutido, emendado e aprovado por uma ampla maioria dos conciliares. O fato mais surpreendente de todo o processo é que o Concílio elegeu como primeiro reitor da nova Faculdade Sante Uberto Barbieri, com o dobro dos votos recebidos por Derly Azevedo Chaves (“reitor” continuou sendo o título tradicionalmente atribuído aos Diretores desta Faculdade de Teologia).

A decisão tomada pelo Concílio Geral colocava a instituição teológica da Igreja na alçada da direção da Igreja, retirando-a do controle de qualquer instituição educacional.

Durante 1939, a nova Faculdade funcionou em Juiz de Fora, nas mesmas instalações da anterior. Logo de início, mesmo antes de funcionar, a nova escola teológica teve que enfrentar duras provas. Uma delas prendia-se ao novo reitor. Algumas semanas depois renunciara ao cargo por motivos de ordem pessoal e também de caráter administrativo. A fórmula adotada para a direção da nova casa não se harmonizava com os pontos de vista do reitor eleito Os professores seriam escolhidos pelo Conselho Diretor da faculdade sem qualquer interferência da reitoria. O novo reitor não concordou com essa decisão e preferiu deixar o cargo e assim o fez. Poucos meses depois Barbieri se despedia do metodismo brasileiro (foi servir à Igreja Metodista como bispo da Conferência que unia Uruguai, Argentina, Bolívia e Peru) para voltar somente como visitante, apesar do título de Bispo Emérito que anos mais tarde lhe foi concedido pela Igreja do Brasil.

A Junta Geral de Educação Cristã, responsável agora pela indicação e eleição do novo reitor, apresentou e elegeu o Rev. Paul E. Buyers que assumiu com certa urgência, pois teve a responsabilidade implementar a decisão de instalar a faculdade em São Paulo, o que aconteceu no final do ano. No período de 1940 a junho de 1942, instalou-se no bairro de Vila Mariana, numa residência alugada, à Rua Cubatão nº 948.

Foram buscados os recursos para a compra de uma área suficientemente grande. Foi localizado um excelente terreno nos Meninos (que posteriormente viria a ser denominado Bairro de Rudge Ramos), cidade de São Bernardo do Campo. Entendeu-se que este município, parte da metrópole paulista, também correspondia à centralidade geográfica, em termos nacionais, pretendida para a fundação da nova Faculdade. Tratava-se de uma área de 67.924 m2, situada entre as duas estradas que ligavam a capital ao litoral. De um lado, Caminho do Mar; do outro, a Via Anchieta, que estava em construção. A propriedade foi adquirida do Laboratório Paulista de Biologia S/A, em 28 de setembro de 1940.

Os terrenos estavam vazios de construções, mas cheios de mato e com algumas pequenas fontes de água. Tudo desafiava na década de 40. Nas palavras do ex-reitor e aluno Isnard Rocha, “foi, sem dúvida, um período de grandes lutas e duras provocações. Que o digam aqueles que viveram naqueles primeiros anos de vida em nossa Casa de Profetas”. Em 1941 iniciaram-se as construções do edifício principal (que serviria como dormitório, biblioteca, refeitório, salas de aula) e residências. Em fins de junho de 1942, ocasião na qual a faculdade se transferiu para seu local definitivo, estavam concluídas quatro residências para docentes bem como o bloco central e uma das alas do edifício principal (que, anos mais tarde, seria ordenado com a letra Alfa, para efeito seqüencial no campus). Segundo consta no processo de tombamento, como patrimônio histórico de São Bernardo do Campo (Lei 2927, de 9 de setembro de 1987) o atual Alfa foi o primeiro a ser construído, no município, com a finalidade de atender a um curso superior.

Cumprida a primeira parte da tarefa, Buyers foi substituído por quem havia se tornado uma legenda à frente d'O Granbery, o missionário Walter Moore. Durante os oito anos em que dirigiu a Faculdade de Teologia (1942-1950), Moore deu continuidade aos planos começados por Buyers, e a instituição se consolidou e se tornou, durante o meio século que se seguiu, uma reconhecida instituição teológica de educação superior no Brasil e na América Latina, a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista e da Universidade Metodista de São Paulo.


FONTE: Revista MOSAICO Apoio Pastoral - Especial 120 Anos (ano 17 - nº 45)Artigo elaborado com base nos textos de distribuição interna e restrita: Centenário da Faculdade de Teologia, de Isnard Rocha, 1989; A educação teológica institucional na Igreja Metodista no Brasil, de Paulo Ayres Mattos, maio de 1999; Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, de Hélerson Bastos Rodrigues, abril de 1997.

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