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Estilo de vida moderno pode gerar novas estruturas de dominação entre Norte e Sul, diz pesquisador

19/05/2010 16h59 - última modificação 19/05/2010 17h01

Para além de uma disputa entre o Norte opressor e o Sul oprimido, o mundo testemunha hoje a formação de muitos centros e de muitas periferias, disse o professor Rudolf von Sinner na abertura, ontem, do XIV Seminário Internacional do Programa de Diálogo Norte-Sul, evento acolhido pela Faculdades EST de 18 e 20 de maio


ALC Notícias/Micael Vier B

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Se muitas pessoas sentem que o Brasil é objeto de opressão do exterior, nomeadamente dos Estados Unidos, Rudolf propôs estender essa pergunta aos bolivianos. “Muito provavelmente, para eles, é o Brasil que tem postura imperialista”, frisou.

Mencionando o escritor judeu austríaco Stephan Zweig, que definiu o Brasil, em 1941, como “o país do futuro”, o pesquisador da EST recordou que, apesar de todos os avanços econômicos, sociais, políticos e religiosos, o país ainda enfrenta racismo e discriminação pela cor da pele, classe social ou religião.

“É interessante perceber que tudo aquilo que foi durante muito tempo taxado como alienação e desprezado como religião popular tomou conta do cotidiano”, pontuou Rudolf ao indicar que, embora a Teologia da Libertação tenha feito uma opção pelos pobres, os pobres optaram pelo pentecostalismo.

“Os supostos alienados alienaram aqueles que os enxergaram como alienados”, afirmou.

Ao sinalizar para o cotidiano enquanto lugar de intercâmbio, o reitor da Faculdades EST, Oneide Bobsin, destacou a importância da reflexão acadêmica projetar visibilidade sobre aquilo que a ciência ocidental relegou à não existência.

“Este evento está desafiado a produzir conhecimento não apenas para interpretar, mas também para transformar a realidade dos setores excluídos da sociedade”, afirmou Bobsin, que destacou a reflexão teológica latino-americana desenvolvida na Faculdades EST ao longo dos últimos 64 anos.

Organizador do seminário internacional, o professor do Instituto de Missiologia Missio, Raúl Fornet-Betancourt, disse que as relações ambivalentes e contraditórias estabelecidas ao longo da história entre a filosofia e a vida cotidiana estão sendo cada vez mais discutidas.

“Nossa intenção é esclarecer se a vida cotidiana corresponde ao lugar de uma nova colonização ou, pelo contrário, ao lugar de intercâmbio entre o Norte e o Sul”, assinalou. Para o professor, o fenômeno da vida cotidiana deve ser estudado a partir da preocupação por sua possível colonização no marco do sistema econômico dominante e da forma de vida que propaga em âmbito global.

Contando com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura Municipal de São Leopoldo, o encontro da Faculdades EST reúne mais de 90 professores e estudiosos da Espanha, Alemanha, Uganda, Senegal, Cuba, Panamá, Chile, Nigéria, Argentina, Liechtenstein e Coréia do Sul.

Fonte: Agência Latino Americana e Caribenha de Comunicação

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