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Entrevista com Daniel Souza, ex-aluno da FaTeo e facilitador nacional da Rede Ecumênica da Juventude

26/07/2012 11h50 - última modificação 26/07/2012 11h48

Juventude, ecumenismo e incidência política: Daniel Souza fala da REJU e sua proposta para os jovens

Antonio Carlos Ribeiro
Rio de Janeiro, quarta-feira, 25 de julho de 2012


A Rede Ecumênica da Juventude (REJU) é uma articulação de jovens de distintas espiritualidades em torno dos direitos dos jovens, partindo do debate das diversas experiências de fé, no sentido mais amplo, e a partir dessa base incidir politicamente.

Essa é a perspectiva de Daniel Souza, facilitador nacional da rede. Ele integra a comissão de comunicação e participa da Mesa Diretora. Após culto para a juventude, realizado na Paróquia Martin Luther, previsto na programação da REJU na Cúpula dos Povos, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), ele concedeu entrevista à ALC.

“A REJU é composta de pessoas que abraçam a causa da juventude, não são igrejas e entidades. É um grupo eclético, com pessoas de diversas idades, lugares e formações distintas”, disse. Participam do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e buscam construir projetos e pautas que incidam de alguma maneira na reflexão sobre as políticas públicas de juventude no país. Há católicos, evangélicos, pentecostais autônomos, budistas, hare krishnas e fieis do candomblé que decidiram formar o grupo em 2007, que conta hoje com cerca de 300 participantes.

Os objetivos da REJU estão estruturados em quatro eixos: a juventude e a justiça socioambiental, a superação da intolerância religiosa e sexual, a articulação arte, cultura e juventude – como muralismo, balé, teatro do oprimido – , e o fortalecimento da rede, pela qual se relacionam com outros grupos. Para isso usam recursos como redes sociais da internet, correio eletrônico e o sítio da REJU (http://redeecumenicadajuventude.org.br).

A partir dessa estrutura, os jovens lutam pela efetivação do Estado laico, propugnam a liberdade religiosa, defendem a democratização da justiça ambiental, esforçam-se por empoderar a juventude ecumênica em relação às políticas públicas e produzem material sobre esses temas e sua incidência na realidade, a partir dos próprios jovens, explicou Souza.

Como todo grupo humano, têm também ambiguidades, como jovens conservadores, gente que vive nos limites, e gente de denominações evangélicas tradicionais, como a Assembleia de Deus. Indagado sobre o que reúne tanta diversidade entre os jovens, respondeu de pronto: “o eixo articulador é a luta pela justiça”. Para ele, isso problematiza a teoria.

No grupo não há hierarquia, o que facilita o debate. Isso propicia também um retorno para a comunidade de fé. Há jovens que levam atividades do grupo para sua igreja, mesmo sem usar a palavra "ecumênico". Isso significa contato com grupos religiosos e acesso a grupos de jovens que começam a despertar para os problemas da juventude. Mas o grande ponto de encontro é a reunião mensal no sítio da REJU.

Sobre os temas privilegiados na realidade brasileira, Daniel menciona situações dramáticas como o extermínio de jovens, que incluem membros da Assembleia de Deus e do Candomblé, residentes em Brasilândia - um distrito situado na zona norte de São Paulo, com 21 km² de área. Lá ocorrem situações que poucas vezes aparecem na mídia e são, menos ainda, problematizadas.

O principal coroamento dessa caminhada é o livro O Espírito sopra onde quer...- estudos bíblicos para uma convivência ecumênica", que foi lançado em 2011 e é um trabalho elaborado por jovens de espiritualidade metodista, luterana, anglicana, batista ou cristã. Eles elaboraram uma excelente contribuição para a Campanha Contra a Intolerância Religiosa, servindo ao debate desse tema e à desconstrução de leituras conservadoras.

Ao ser debatido no Fórum Ecumênico Brasil, surgiu a ideia de ampliar a proposta. Foram acrescentados textos problematizadores, com abordagem de igrejas e religiões, Estudos bíblicos e diálogos inter-geracionais, que tiveram a participação do teólogo Leonardo Boff, da teóloga Ivone Gebara e do filósofo Jorge Atílio Lulianelli, projeto que recebeu apoio do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI).

Sobre atuações mais diretas, Souza disse que têm surgido espaço em conselhos municipais e no Conselho Nacional da Juventude (Conjuve). Isso amplia a perspectiva na abordagem e faz os jovens perceberem que “ecumênico é um valor”. Ele reportou-se à antropóloga Regina Novaes, que afirmou que “77% dos jovens articulam crenças religiosas”.

A médio prazo, os objetivos da REJU são sistematizar a importância da juventude nas políticas públicas, fortalecer a caminhada ecumênica e lidar com a intolerância, frente à qual a vivência dos membros já é um passo.

Fonte: http://www.alcnoticias.net

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