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Em encontro, igrejas luteranas de 16 países discutem economia

20/09/2013 12h15 - última modificação 20/09/2013 13h00

ITAPECERICA DA SERRA - A pergunta central da 2a Consulta da Igreja na Baviera com Igrejas parceiras - Como elas podem contribuir para a superação da violência na sociedade? - não ficou restrita a aspectos teológicos, políticos e antropológicos, mas também centrou olhares na economia. No quarto dia do encontro, 9 de setembro, líderes de igrejas luteranas de 16 países receberam representantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo.

ALC
quinta-feira, 19 de setembro de 2013


“Quando Igrejas ou cristãos falam sobre economia estão cientes da complexidade dos problemas econômicos. Porém, também sabem que a fé cristã é profundamente relevante para as metas e os parâmetros da vida econômica. A criação do ser humano à imagem de Deus, a proteção dos estrangeiros, das viúvas e dos órfãos na lei bíblica, o apelo por justiça pelos profetas e o encontro de Cristo por meio dos menores dos seus irmãos e das suas irmãs são somente alguns exemplos desta característica fundamental da tradição bíblica", explicou o bispo Heinrich Bedford-Strohm, da Igreja na Baviera.

Sob essa perspectiva, os religiosos apresentaram aos visitantes o Consenso de Stellenbosch e as suas 20 teses sobre a globalização, resultado de Consulta de líderes de igrejas alemãs e sul-africanas, que se encontraram de 11 a 13 de outubro de 2010, em Stellenbosch, na África do Sul.

A Consulta reuniu organismos ecumênicos globais, como o Conselho Mundial de Igrejas, a Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e a Federação Luterana Mundial, além de teólogos e economistas, em busca de um novo consenso entre o Norte e o Sul sobre os fundamentos éticos da globalização e as suas consequências.
As teses, sintetizadas abaixo, abordam:
- (1) As mortes por doenças e razões humanas evitáveis.
- (2) A rápida mudança climática, manifestada cada vez mais por secas, tempestades e enchentes, resultado do modo dominante de "fazer economia".
- (3) A grande diferença de consumo de recursos naturais entre os países ricos do Norte e os muitos países pobres do Sul.
- (4) O efeito da globalização, especialmente o econômico, sobre diferentes países ou regiões.
- (5) A regulação nacional e internacional para assegurar meios efetivos de redistribuição para empoderar especialmente os mais pobres.
- (6) A introdução de parâmetros e regras para os mercados que assegurem um comércio mais justo e que levem ao benefício mútuo nas relações de comércio.
- (7)  As consequências morais e espirituais não previstas produzidas pela realidade, como o contínuo enfraquecimento de nações empobrecidas e o impedimento de um desenvolvimento nacional.
- (8) O critério básico para julgar a qualidade ética da globalização econômica, que não é tanto a liberalização dos mercados, mas, sim, se o mercado possui potencial para beneficiar aquelas pessoas marginalizadas e excluídas das economias principais.
- (9) O conceito de participação justa para todas as pessoas em uma escala global.
- (10) Os modelos alternativos de uma economia solidária global que pressupõem uma antropologia de partilha.
- (11) A indagação se a possibilidade de obter lucro, como um incentivo de gerar riqueza, realmente aumenta a participação de todas as pessoas, especialmente das mais fracas. Se assim for, então é uma opção eticamente aceitável.
- (12) Os mecanismos do mercado e os incentivos ao lucro, que precisam estar a serviço de uma participação justa de todas as pessoas.
- (13) O desafio fundamental para passos políticos e econômicos concretos, como a criação de um parâmetro para o mercado global de forma que todos os países e todos os segmentos da sociedade lucrem com as vantagens econômicas da globalização.
- (14) As negociações do comércio internacional precisam ser redirecionadas, sem ambiguidades, para o fortalecimento global de economias fracas.
- (15) Os mercados financeiros devem ser fundamentados em um conjunto de regras que restabelecem o seu papel de servir a economia real.
- (16) As abordagens econômicas precisam ser adotadas para promover uma ordem econômica que não exija uso crescente de recursos naturais.
- (17) As melhorias em educação, aprimoramento do bem-estar ambiental e medidas que buscam erradicar a pobreza e a desigualdade estrutural devem ser consideradas quando o progresso econômico é medido.
- (18) As Igrejas devem afirmar a crítica radical de dogmas neoliberais não questionados e caminhar em direção a um discurso aberto sobre quais políticas melhor refletem as orientações éticas fundamentais.
- (19) As Igrejas precisam tirar proveito da sua importância social global e da sua influência entre as tomadas de decisões globais para ajudar a desenvolver um novo consenso que priorize a justiça global acima dos interesses nacionais.
- (20) A erradicação da pobreza pode ser vista como um meio mínimo de promover a justiça econômica e as igrejas são chamadas a participar criticamente das políticas nacionais e testemunhar o que o Evangelho promete: "plenitude de vida" (João 10:10) para todos os povos.

As Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha atuam há mais de 95 anos no país a serviço da colaboração entre as macroeconomias da Alemanha e do Brasil, e contam com 1.700 empresas associadas, brasileiras e alemãs. O vice-presidente executivo da Câmara Brasil Alemanha São Paulo, Thomas Timm, falou os  "Desafios em um país de industrialização".



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