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Educação metodista perde Elias Boaventura

12/01/2012 10h55 - última modificação 12/01/2012 10h56


Foi sepultado no domingo, 8 de janeiro, no Cemitério Parque da Saudade, em Piracicaba, SP, o corpo do professor Elias Boaventura, 74 anos. Ele faleceu no sábado, 7, no Hospital Santa Isabel, onde estava internado desde o dia 19 de dezembro por causa de acidente vascular cerebral.

Com informações da ALC Notícias e Assessoria de Comunicação da Unimep

“Ele lutou até o fim. É uma grande perda. Ele era o meu companheiro, o meu amor. Como isso é difícil”, comentou Sylvana Zein, esposa de Boaventura.

Mineiro natural de Coimbra, Elias Boaventura foi professor da Pós-Graduação em Educação na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Ele era graduado em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Marcelina, de Minas Gerais, mestre em Filosofia da Educação pela Unimep e doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Foi reitor da Unimep de 1978 a 1985, durante o difícil período da ditadura militar, época marcada por grandes acontecimentos que projetaram a instituição em nível nacional como uma universidade compromissada com as questões sociais, educacionais e políticas.

No período da gestão de Boaventura, a Unimep sediou congressos da UNE (União Nacional dos Estudantes), estimulou a defesa do reatamento das relações Brasil e Cuba e defendeu a causa palestina. Também abrigou o seminário internacional de educação popular, em 1983, e os seminários nacionais, de 1984 a 1987.

Boaventura recebeu o título de “Dr. Honoris Causa” da Unimep em 1995 e o título de “Cidadão Piracicabano”. Sempre se posicionou, observa a repórter Suzana Amyuni. Defendeu seus princípios na crise da Unimep em 2006, quando 149 docentes foram demitidos pela internet e sem justa causa. Boaventura priorizava as necessidades do ser humanno, o respeito e o cultivo às diferenças.

Segundo a Assessoria de Comunicação da Unimep, mais de 400 pessoas compareceram no domingo, dia 8, ao Salão Nobre do campus Centro da Unimep, para acompanhar o velório e participar do culto em memória do professor Elias Boaventura.

Despedida – Amigos, familiares, alunos e ex-alunos, funcionários e ex-funcionários, professores e ex-professores da Unimep, além de autoridades civis e eclesiásticas de Piracicaba e região, compareceram no Salão Nobre, para participar da despedida ao ex-reitor.

Durante o culto, ele foi homenageado e teve relembrados alguns dos principais fatos de sua trajetória na educação e na Igreja Metodista. “O professor Elias Boaventura foi quem deu o DNA da Unimep. Ele abraçou a vida, lutou e viveu intensamente. São homens como ele que transformam e tornam o mundo diferente”, mencionou o diretor-geral do IEP (Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista) e reitor da Unimep Clovis Pinto de Castro. Ele também destacou passagens da trajetória de Boaventura no metodismo e na educação metodista e o fato de que, aos 74 anos, tinha planos para iniciar o pós-doutorado.

Participaram também da cerimônia, os ex-reitores Gustavo Jacques Dias Alvim, atual vice-reitor da universidade, e Almir de Souza Maia; os bispos da Igreja Metodista Stanley da Silva Moraes, Paulo Ayres Mattos e Adriel de Souza Maia; a pastora Ana Glória Prates Gris da Silva, a reverenda Ione da Silva, o reverendo Nilson da Silva Júnior e o coordenador de extensão e assuntos comunitários da Unimep, Josué Adam Lazier.

 

O site da EPTV, retransmissora da TV Globo de Piracicaba, destacou o legado de Elias Boaventura, com depoimentos de parentes, amigos, educadores e lideranças eclesiásticas sobre a vida e a obra deste professor que deixa marcas na história da educação metodista e brasileira. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O SITE.


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Em agosto de 2011, o blog do Rev. Paulo Dias Nogueira trouxe um texto inspirador de autoria do professor Boaventura. Vale a pena ler:

MOCIDADE VAZIA
Ouço com muita freqüência a afirmação de que a mocidade de nossos dias é grupo oco, desprovido de conteúdo e que vive uma existência sem sentido, apenas girando em torno de uma mediocridade vazia.

Tais observações apontam pelo menos três razões que seus propositores  consideram incontestáveis: o fracasso escolar,  o desinteresse pelas lutas políticas e o esfacelamento da família.
Pessoalmente vivo com centenas de jovens ao meu redor, por vezes conflito de modo mais duro com eles, mas confesso que não percebo este vazio de que tanto falam.

Sou involuntariamente um freqüentador de hospitais e em nenhum momento percebi este vazio. Lindas jovens exercem a profissão de enfermagem com desvelo, em suas atitudes demonstram que no exercício de seu penoso trabalho, que não só entendem,  mas zelam pelo sentido da vida.

Também na escola, em todos os graus de ensino em que milito, percebo o denodado esforço jovem, alguns vindo de classes subalternizadas, excluídos, isolados para ouvir velhas mensagens conteudistas de professores, que por serem estáveis, socialmente e bem colocados, não conseguem entender seus alunos advindos de classes populares como filhos de lavadeiras, mecânicos, pedreiros e tantos outros segmentos que significam os verdadeiros esteios do processo produtivo, e carregam pesada carga de trabalho.

Vejo esta mesma mocidade cuidando com êxito de milhões de criancinhas em jardins de infância e creches, em muitos casos auxiliando fortemente as sobrecarregadas famílias na formação deles.

Dos partidos políticos que participei e participo o travamento das ações partidárias partem muito mais de velhos e viciados militantes que insistem mais em preservar seus interesses e suas corroídas ideologias que com bom senso a juventude, não quer mais aceitar.

Belo exemplo de ação da juventude pode ser colhido na iniciativa de combate a corrupção no País, que vem sendo desfechado por jovens promotores e juízes, que não medem esforços no sentido de aperfeiçoamento dos aparelhos de combate a corrupção política no Estado.

Tenho concluído que estas acusações que se fazem à juventude de ser vazia, indiferente, de não querer nada em assumir compromisso, deve-se a uma reação da velha sociedade, que não tem fôlego de acompanhar os avanços e transformações do progresso.


Elias Boaventura
Agosto/2011



 



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