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Ecumênicos participam da Jornada Mundial da Juventude

25/07/2013 13h15 - última modificação 25/07/2013 13h27



RIO DE JANEIRO - A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), aberta ontem no Rio de Janeiro com a presença do papa Francisco, conta com uma ativa participação de representantes da Rede Ecumênica da Juventude (REJU), apesar do evento oferecer discretos momentos de participação ecumênica e inter-religiosa.

Marcelo Schneider
quarta-feira, 24 de julho de 2013


Em 1980, durante sua histórica visita ao Brasil, o papa João Paulo II reuniu-se com líderes de igrejas de outras confissões em Florianópolis. Em 2007, seu sucessor, Bento XVI, veio ao Brasil para a abertura da V Conferência Episcopal Latino-Americana e Caribenha e recebeu, brevemente, em São Paulo, representantes das três maiores religiões monoteístas.

Neste ano, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, enviou convite a líderes de igrejas brasileiras para uma cerimônia de boas-vindas ao papa Francisco no dia 25 de julho, na praia de Copacabana.

A Jornada reunirá mais de um milhão de participantes ao longo desta semana. A visita do papa é parte importante do evento, mas sua dimensão e diversidade não se limitam aos espaços onde Francisco se faz presente. Isso também é válido para a agenda ecumênica da JMJ.

Vindos de todos os cantos do mundo, os participantes também terão a oportunidade de experimentar um pouco do trabalho da REJU e serem desafiados a refletir sobre temas que tocam mais do que pessoas de outras igrejas ou religiões, mas a humanidade como um todo.

Dois dias antes do início da JMJ, no domingo, 21, aconteceu o “encontro inter-religioso entre católicos, judeus e muçulmanos”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O encontro reuniu 50 jovens dessas religiões e outros convidados para refletir sobre o tema “Juventude: força de engajamento, força de fé”.

Hoje, aconteceu um encontro ecumênico de jovens promovido pela regional carioca do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC-Rio) na Catedral Anglicana do Rio de Janeiro, com a presença de jovens de distintas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo.

Com o objetivo de mobilizar os jovens presentes na JMJ para a conscientização e luta em defesa da vida da juventude, a REJU uniu esforços com outras organizações e criou um espaço de debate e reflexão da realidade juvenil e acerca das políticas públicas para a juventude no Brasil.

Sob o tema “A Juventude Quer Viver”, a Tenda das Juventudes está montada na Paróquia Santa Bernadete, no Rio, entre 22 e 26 de julho, e conta com mesas temáticas, celebrações, momentos de oração, exposições e apresentações culturais. Trata-se de um espaço de acolhida, formação, celebração, partilha, diálogo e convivência das mais diversas juventudes presentes na JMJ.

Para o coordenador nacional da REJU, Daniel Souza, o tema escolhido “revela a luta pela vida dos jovens, em especial no combate à violência e ao extermínio que assola a juventude brasileira”. O desejo dos organizadores é que a pauta encoraje e interesse também a jovens de todas as partes do mundo.

A iniciativa acontece em sintonia com a organização da JMJ, sendo uma das inúmeras atividades inscritas junto ao comitê organizador, o que lhe dá caráter oficial na dinâmica do evento e inclusão no programa distribuído aos participantes.

Entre os assuntos a serem abordados nas mesas temáticas da tenda estão: justiça e transição, memória e compromisso, desafios socioambientais, crise econômica, direitos sociais e juventudes, tráfico de pessoas, extermínio de jovens, cultura, comunicação e direitos humanos, evangelização da juventude na América Latina e solidariedade.

Para Alexandre Pupo Quintino, membro da Igreja Metodista, de São Paulo, “num evento que reúne jovens do mundo inteiro que confessam sua fé é importante que nós, que também somos jovens e temos uma fé diferente, possamos compartilhar experiências e mostrar que o ecumenismo é possível”, afirmou.

Leda Alves, católica, do Bairro Maré, no Rio de Janeiro, acredita que “a JMJ impulsiona as pessoas a respeitarem as culturas dos outros e que encontros ecumênicos ajudam a aprofundar os nossos pensamentos acerca do diálogo, respeito e tolerância religiosa”.

“Espaços como este tornam a JMJ um evento de todos”, apontou o jovem judeu Daniel Douek. “A tenda foi um convite para a construção coletiva”, disse. Sua opinião é ampliada pelo jovem muçulmano Shuaib El Boustani, também de São Paulo. “A JMJ prega a paz. Isso interessa a todas as religiões. O diálogo inter-religioso e o ecumenismo ajudam a acabar com os estereótipos”.

A tenda está sendo organizada pela Pastoral da Juventude, Cáritas Brasileira, Juventude Franciscana, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Cajueiro - Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude, REJU, Irmandade dos Mártires da Caminhada, Setor Pastoral da PUC/RJ, com a parceria do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal e da Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude.

A JMJ acontece logo depois da divulgação de dados que apontam para um elevado número de assassinato dos jovens negros no Brasil e vinte anos depois da chacina da Candelária, quando oito adolescentes foram assassinados pela polícia.

“Como viver nossas espiritualidades a partir das realidades de violência? Essa é uma pergunta fundamental para a REJU”, refletiu Daniel Souza. “Por isso fazemos parte de mobilizações como a Tenda na JMJ. Aqui reafirmamos o protagonismo das juventudes e nossa convicção de que a luta por justiça permanece no coração de nossa fé”, concluiu.

A participação da REJU na JMJ tem o apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e do Fórum Ecumênico ACT Brasil.

Fonte: ALC Notícias 

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