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Discursos na formatura lembram lágrimas e sorrisos da caminhada

18/12/2015 18h25 - última modificação 02/05/2016 20h09

 

Abrindo a parte de discursos no evento de formatura da turma 2012-2015 da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista/ Umesp, a aluna Natacha Alcântara falou em nome da turma do curso matutino. Lembrando da dureza e obstáculos, como tempo de aprendizado e dependência, Natacha ressaltou o início: “nossa chegada foi marcada de grande empolgação, mas em tudo vimos a mão de Deus agir. Agora estamos aqui com os olhos mergulhados em lágrimas”, enfatizando que em tudo Deus agiu, a aluna falou do resultado deste tempo. “Olhar para trás é pensar em como éramos e o que somos hoje, é trazer à memória a nossa total dependência de Deus e que se não fosse o seu  amor e cuidado não teríamos chegado até aqui. Em um dia marcado para o que seria o início de uma longa jornada a voz soou com a mesma ordenança que Abrão ouvira: ‘sai-te da tua terra, da tua parentela e da terra de teu pai, para a terra que eu te mostrarei e farte-ei uma grande nação e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção’. O chamado é isso, é darmos o primeiro passo em obediência ao Senhor e estamos aqui.”

 

 

Numa expressão de quem contou o tempo, Natacha afirmou “Verdadeiramente valeu a pena tudo o que vivemos até aqui. Passamos por momentos difíceis, mas em tudo, experimentamos a alegria maravilhosa de Deus. Estudamos muito, mas rimos mais ainda.”

 

 

Das coisas que marcaram a turma, ela lembrou de um colega que “ao fazer uma pergunta, o ilustre colega de classe ao perder a vontade de ouvir a resposta, se levanta e vai para espairecer a cabeça? Ou mesmo ter apenas um caderno para os quatro anos de curso, sendo este participante dos momentos do juízo final (as provas)? Uma música para cada fala em sala de aula. Amizades que fizemos que valerá para a vida toda.” E agradecendo a todos, da faculdade ao colégio episcopal, especialmente aos familiares, encerrou dizendo: “Compartilhamos com vocês essa vitória.”



Daniel Vieira da Silva, pela turma do noturno, iniciou sua fala, citando Rubem Alves. “Não escrevo teologia. Como poderia escrever sobre Deus. O que faço é tentar pintar, com palavras, as minhas fantasias. Imagens modeladas pelo desejo, diante do que é a vida”. Com essas palavras, o aluno ‘tentou’ descrever o que foram esses quatro anos para a turma. “No início uma busca de conceitos e valores teológicos que se alinhassem com a nossa fé. Logo percebemos que para ir mais fundo era preciso deixar algumas bagagens, até concluirmos que as nossas dúvidas, na maioria das vezes, não era sobre teologia, mas um anseio insaciável de entender o que é a vida.”

 

 

Daniel lembrou do primeiro dia, quando nas apresentações, o momento em que todo mundo responde o porquê de se fazer teologia. “Os professores tem um certo Déjà vu ao ouvir ‘Deus tem um chamado especial na minha vida’. Essa resposta parece sinceramente verdadeira, embora, depois de três semanas, um quarto da sala já tenha abandonado o curso e os que ficam parecem desenvolver um vocabulário próprio para se comunicar. No nosso caso as palavras mais usadas foram: discrepância, antagônico, cosmovisão e exegese.”

 

Em meio aos muito saberes, Daniel destacou: “Aprendemos que fazer teologia não é necessariamente cursar ou falar de religião. Fazer teologia é estar relacionado com pessoas, com caminhar juntos.” Lembrou de mestres que se empenharam no ensino com a própria experiência de vida, “como o professor Wesley Fajardo, que certo dia, momentos antes de entrar na sala de aula, recebeu a notícia de que uma pessoa querida na sua comunidade havia perdido a vida violentamente. Na ocasião, o professor falava sobre a teologia da cruz e de como ela pode dar sentido ao sofrimento. Esse é o tamanho da nossa responsabilidade. Levar o conhecimento Bíblico às pessoas, tendo a vida como pano de fundo.”

 

Mostrando que fez ‘o dever de casa’, Daniel lembrou que em situações quando só sobram o vazio e a impotência, “não podemos perder a esperança de que Deus conhece pessoalmente o sofrimento humano. Agradecemos profundamente aos mestres, por tentar nos preparar para situações assim, em especial ao nosso patrono, Prof. Rui de Souza Josgrilberg, que encerra parte da sua caminhada na Fateo, mas com sua teologia do caminho, enfrentará novos desafios em sua vida. Tivemos o privilégio de aprender com um dos maiores teólogos da América Latina, e também com o mais simples e simpático.”

 

Sendo bem realista, Daniel lembrou que “se não foi possível absorver e memorizar todos os conteúdos teológicos do curso, ao menos  algumas coisas não esqueceremos jamais, pois elas são como marcas que ficaram em nós, parte daqueles que nos ensinaram, como por exemplo o ‘fale mais sobre isso’, ou ‘deixa eu contar um causo’, ou ‘isso é uma pergunta pessoal’, tantas vezes falado pela Profa. Suely e os professores Paulo Garcia e Edson Francisco. Como esquecer das interpretações quase que shakespeareanas do Prof. José Carlos. Que façamos um voto de que o ‘gente boa’, seja outorgado como cumprimento oficial da FaTeo. À Profa. Blanches fica uma nota especial de desculpas pelo hino cantado numa oficina de aconselhamento pastoral: não vai acontecer de novo.”

 

De uma conversa de corredor, quando se comentava que não conseguiam ver pastores e pastoras, Daniel ressaltou que o problema estava no olhar de quem via. “Não conseguíamos perceber aquilo que o Senhor estava realizando e acreditamos que do ponto de vista de Deus, não há nada impossível. Inclusive esse colega,  como muitos outros da sala, já foi designado para uma das missões mais honrosas que há. E assim como o apóstolo Pedro, atendeu o chamado de Jesus: apascente meu rebanho!”

 

Ao fazer os agradecimentos finais Daniel ressaltou o quanto valeu a pena esses quatro anos de curso: “durante este período confrontamos nossos medos, entramos e saímos de crises, convivemos com o diferente e ainda construímos amizades. É, acho que faríamos tudo novamente.”

 

Segunda, da direita para a esquerda, Roselane Marques discursou pela turma do CTP

 

A aluna Roselane Marques falou em nome da turma do Curso Teológico Pastoral, e iniciou com gratidão. “Gratidão a Deus, nosso pai, que deu sentido ao nosso objetivo e a nossa vida, gratidão a Jesus, nosso Senhor, pela caminhada constante ao nosso lado e gratidão ao Espírito que nos ajudou nos momentos de dúvidas e dificuldades. À trindade eterna, nosso louvor e gratidão. Também queremos agradecer a todos os professores e professoras, funcionários e funcionárias, pelo auxílio e conforto em tempo de necessidade. Nossa gratidão à Igreja Metodista e a nossa igreja local que possibilitaram nossos estudos. Por fim, nossos agradecimentos aos queridos familiares.”

 

Lembrando a passagem do livro do profeta Ageu, no capítulo 1, Roselane falou sobre considerar o passado. “Quando aqui chegamos pela primeira vez estávamos num misto de entusiasmo e ansiedade. Hoje temos um sentimento comum, a alegria pela conclusão de mais uma etapa. Nesses quatro anos não repartimos apenas nossos quartos, dividimos nossas vidas. Muitas conversas sobre a vida e a vocação aconteceram no salão de convivência, nos quartos, no muro das lamentações.”

 

Sobre o aprendizado desses tempo, ela ressaltou: “muitos de nós chegamos há quatro anos, cheios de verdades pré-estabelecidas, com o objetivo de cumprir um requisito teórico e necessário para o exercício de um chamado divino. Ah, quantas experiências forma vivenciadas, quantos conselhos foram aprendidos, quantos sonhos foram confrontados e ressignificados e muitos preconceitos foram eliminados. Frustração por ver que sabíamos tão pouco e que nem pra tudo tínhamos resposta. Nesses quatro anos, sonhos, alegrias e sofrimentos, não necessariamente nessa ordem... muitas foram as marcas que recebemos em nossas vidas.”

 

Quanto aos momentos de fraqueza, Roselane destacou o olhar para o alvo e contemplar o objetivo na certeza de que alcançá-lo era para cada um e cada uma da turma, o maior sonho e realização. “Hoje somos pessoas diferentes. Nossos pés adquiriram outra marcha e outro compasso, nossas mãos levam conosco os novos elementos da jornada para enfrentar o ministério para o qual Deus nos chamou, para o qual dissemos sim e procuramos nos capacitar para melhor servir ao Reino. Nosso Deus não nos deixou sós. Seu Espírito nos consolou, incentivou,  mesmo quando os ventos pareciam contrários. Em Cristo que foi solidário e amigo em tudo, superamos cada etapa e dificuldade. Não julgamos que estamos prontos. Estamos reconstruindo a cada dia.” Encerrando sua fala ela ainda citou o texto de  Filipenses 3.14 ‘prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.’ “E é para o alvo que prosseguimos.”

 

 

Texto: Rose Rosa
Fotos: Paulo Belkiman / Vitoria Belkiman e Lidia Stateri

 

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