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"Estado moderno de Israel não é Israel bíblico" diz palestrante do Diálogo Comunitário da FaTeo

02/05/2013 13h20 - última modificação 07/05/2013 12h52

Justiça e Paz na Terra Santa foi o tema do Diálogo Comunitário promovido pelo Programa de Extensão da FaTeo no dia 30 de abril de 2013. Realizado em dois períodos (manhã e noite) o encontro proporcionou momentos de reflexão bíblica acerca do conflito Israel-Palestina e a partilha das experiências vividas por um jovem que esteve recentemente em território palestino ocupado.

Alexandre Pupo Quintino, estudante de Direito e Sociologia e membro da Igreja Metodista em Vila Mariana, São Paulo, participou do PAEPI (Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e Israel) do Conselho Mundial de Igrejas. Durante três meses ele residiu numa pequena vila da Cisjordânia, Yanoun, sob ocupação de tropas israelenses, e vivenciou o difícil cotidiano de uma comunidade carente de liberdade e paz.

A palestra de Alexandre teve como introdução um breve estudo sobre o conflito Israel-Palestina à luz da Bíblia, preparado pelo professor Tércio Siqueira, especialista em Antigo Testamento. Ele destacou que, no período monárquico, entre os séculos X a VII a.C., a propaganda política dos reis suplantou a figura do Deus libertador: nos textos desse período, os testemunhos da ação salvadora de Deus na história do povo, deram lugar aos testemunhos dos atos heróicos dos reis guerreiros.

Na ideologia monárquica, a guerra é instrumento para conquistar terra e poder. Hoje, muitos desses textos, lidos fora de seu contexto, são utilizados para justificar a conquista de terras palestinas pelo governo de Israel – mesmo contrariando orientações da Organização das Nações Unidas, ONU.  A anexação de territórios palestinos – incluindo as terras palestinas que foram invadidas pelo imenso muro construído em 2002 – não é reconhecida pela ONU.

Clique aqui para ver a posição da ONU sobre os assentamentos israelenses em território palestino


CLIQUE AQUI PARA VER A APRESENTAÇÃO DO PROF. TÉRCIO

Alexandre Quintino iniciou sua palestra lembrando as origens do programa do Conselho Mundial de Igrejas do qual foi voluntário. Cristãos/as palestinos/ãs, descendentes diretos dos primeiros seguidores de Jesus, pediram às igrejas irmãs de todo o mundo que atentassem para a situação de violência em que viviam, na década de 1990.  Ele explicou que, para se entender o conflito na região é preciso, antes de mais nada, diferenciar etnicidade de religião. Muitos árabes adotam a religião muçulmana, mas há árabes que são cristãos e há até árabes que professam a religião judaica.


As igrejas cristãs que vivem na Palestina, disse Alexandre, lamentam que a maioria das pessoas que visitam os lugares santos de Israel não enxerga os irmãos e irmãs que lá vivem, e quais são as suas necessidades. Terras palestinas estão sendo invadidas por colonos israelenses, amparados na força do Exército, do governo de Israel e de uma leitura equivocada dos textos bíblicos. “A vila de Yanoun é ocupada militarmente desde 1967. O governo patrocina a construção de casas de colonos e noventa por cento da vila acabou sendo confiscada para a construção de assentamentos israelenses”, diz Alexandre. Ele conta que, em 2002, 30 jovens dos assentamentos desceram armados e mandaram embora todas as pessoas da vila, mas israelenses a favor da paz mobilizaram-se e garantiram o retorno de alguns moradores.

Hoje, a vila tem apenas 65 habitantes  e acompanhantes internacionais revezam-se 24 horas por dia, 365 dias por ano para impedir que os moradores sejam alvos de mais atitudes de violência. Desde invasões a atos de agressão e intimidação, como lavar os cães domésticos dentro do poço que abastece a vila ou prender crianças para “averiguação”. Diante da iminência de qualquer ato violento, os/as acompanhantes ecumênicos munem-se de suas máquinas fotográficas para registrar e divulgar ao mundo o que ocorre na localidade e, assim, ajudam a diminuir os atos de violação dos direitos humanos.


Não é uma a atividade isenta de risco. Mas Alexandre diz que o projeto nunca teve participante ferido e, nas situações de tensões que em que viveu, sentiu que tinha sido colocado por Deus naquele lugar e que seria protegido. “É importante que a Igreja saiba que o Estado Moderno de Israel não é o Israel bíblico”, alertou Alexandre  lembrando, ainda, que a esperança cristã é a de novos céus e nova terra, sem morte, pranto ou dor, para todas os filhos e filhas de Deus.

 

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Saiba mais:

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- Nem mocinhos, nem bandidos: Diálogo Comunitário aborda conflito Israel-Palestina

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