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Diálogo Comunitário da Escola de Teologia discutiu desafios de refugiados e migrantes

Paolo Parise falou sobre a Lei da Migração e dificuldades de quem chega ao Brasil

10/05/2017 15h11

A nova Lei da Migração, que aguarda sanção do presidente Michel Temer, deve mudar a maneira como os migrantes são tratados no Brasil. Além de regulamentar a entrada de pessoas que vêm do exterior, ela define seus direitos e deveres no País. A Escola de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo realizou o evento “Diálogo Comunitário – Migrantes e Refugiados: desafios e sinais de esperança” para abordar essa realidade.

 

O professor Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios, integrante da equipe de coordenação da Missão Paz e professor de Teologia Sistemática no Instituto Teológico São Paulo (Itesp), foi o convidado para a conversa, realizada em dois períodos. Recebido por alunos de vários cursos da Metodista, ressaltou a importância do envolvimento de diversas áreas do saber: “essa é uma oportunidade de falar sobre um fenômeno social que atinge o mundo e que deve ser avaliado por várias áreas como a Teologia, o Jornalismo, o Direito, a Educação, entre outras.”

 

Na Missão Paz, Parise convive com refugiados e migrantes de diversos países e acompanha o drama dessas famílias, desde as dificuldades de adaptação à cultura e língua, até o preconceito e a burocracia na busca por empregos e educação. “As crianças que tentam se matricular na escola, muitas vezes, não têm seus documentos aceitos. Além da dificuldade de encaixarem elas em séries com a diferença dos sistemas de ensino”, diz. Para ele, o Brasil precisa investir na educação e na cultura a longo prazo para oferecer oportunidades futuras aos imigrantes.

 

Entre as pessoas com quem trabalha, muitos fogem da fome e da guerra e buscam uma vida nova no Brasil. Mas a crise econômica vem dificultando a adaptação. Antigamente, os recém-chegados demoravam cerca de três meses para se alocarem em uma casa e conseguir um emprego. Hoje, esse tempo pode chegar a nove meses, dependendo do País de origem, idioma e tamanho da família, de acordo com professor.

 

Parise considera a Lei da Migração um grande avanço no tratamento dessas pessoas e recomenda que os estudantes não acreditem nas informações espalhadas sobre o assunto. “Estão sendo faladas muitas mentiras na internet sobre a Lei. Quando falam que o Brasil está sendo invadido por estrangeiros, isso é uma grande mentira. Somos um dos países que menos recebe migrantes”, explica.

 

O fluxo de entrada e saída do Brasil mudou muito ao longo dos anos. Entre 1980 e 2008, muitos hispano-americanos vieram para cá e muitos brasileiros iam para outros países. Entre 2009 e 2014, com um bom momento econômico, o Brasil recebeu muitos haitianos e brasileiros que retornaram ao País. Agora, com a crise, temos um grande número de pessoas emigrando para outros países.

 

“O migrante não é uma ameaça, é uma pessoa com direitos e deveres e representa uma riqueza cultural e linguística para nosso País. Temos que ter uma nova visão: somos todos moradores de uma mesma casa, então se há problemas em um país, teremos em outros países também”, declara. Parise acredita que as igrejas têm papel fundamental no acolhimento dos migrantes e que, quando não incluímos essas pessoas em nossos cultos e celebrações, estamos perdendo potencial humano. “Não podemos nos omitir perante a essa situação”, conclui.

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