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Dia 28 de abril: Dia da Educação. Uma homenagem "wesleyana" aos/às educadores/as do país

28/04/2010 21h00 - última modificação 28/04/2010 21h04

Dia 28 de Abril é celebrado o Dia da Educação. Como herança do fundador do movimento metodista, John Wesley, temos a clara consciência do importante papel desempenhado pela educação na transformação da sociedade.

Em reconhecimento e gratidão ao trabalho dos educadores e educadoras de nosso país, em especial da Rede Metodista de Educação, compartilhamos um artigo do jornal "Espaço Cidadania" (nº 34), publicação da Universidade Metodista de São Paulo. No vocabulário "wesleyano", educação, salvação e amor são palavras interligadas.


Educação como ato de amor solidário (1)


A preocupação com a educação sempre esteve presente na tradição metodista. John Wesley, fundador do movimento metodista na Inglaterra do século XVIII, reforçava constantemente a importância de uma boa formação educacional, inclusive para os pregadores leigos. O próprio Wesley estudou em instituições de referência. Em 1720, matriculou-se no Christ Church, Oxford, onde obteve seu título de mestre (Master of Arts, M.A.) em 1727. No final de seus estudos no Christ Church, iniciou seu trabalho no Lincoln College, também em Oxford. Durante os dez anos que Wesley esteve em Oxford, conforme registrado em seus diários, ele leu mais de 900 livros, cujos conteúdos abrangiam diferentes temas além da teologia, tais como, ciências, música, medicina, filosofia e ética(2). Isso oferece uma visão da sua sólida formação educacional. Parte desses livros foi incluída no ‘Arminian Magazine’, editado por Wesley a partir de 1778.

Entretanto, para Wesley, a educação, mesmo que sólida, profunda e consistente, precisava responder às demandas que a sociedade de seu tempo apresentava. Em várias de suas cartas, Wesley argumentou a favor de diferentes níveis de educação, especialmente preocupado em alcançar as classes mais populares, e costumava questionar os interlocutores sobre a validade do saber acadêmico que não consegue dar conta da própria existência humana e dos problemas que a sociedade apresenta. Por exemplo, numa carta a um clérigo de Tullamore, em 4 de maio de 1748, ele coloca a seguinte questão:

“Imagine um profissional da área da saúde, formado pela Universidade de Dublin, com todas as vantagens de uma excelente formação e com autorização para exercer sua profissão, que depois de alguns anos de atividade profissional, tendo atendido mais de quinhentos pacientes, não consiga curar um único paciente. Além disso, muitos ainda morrem debaixo de seus cuidados ou ficam do mesmo jeito que estavam antes do tratamento. Por outro lado, imagine também uma pessoa com pouca formação na área da saúde, mas em virtude de seu grande cuidado e compaixão por aqueles que estão doentes ou morrendo ao seu redor, consegue curar muitos deles e sem ganhar nada em troca”(3).

Nessa mesma carta, ele desenvolve um pouco mais seu raciocínio para defender a prática dos pregadores leigos, que mesmo sem uma educação acadêmica formal, atuam como curadores de almas, salvando-as da morte, ação que, segundo ele, muitos com boa formação acadêmica não conseguem fazer. Não era a intenção de Wesley opor esses dois níveis de conhecimento – saber acadêmico e saber popular; de fato, para ele o mais importante era unir conhecimento (saber) e piedade vital, conforme expresso no hino da Escola de Kingswood (fundada pelo próprio Wesley): Unite the pair so long disjoin’d – Knowledge and vital Piety(4).

Para Wesley, segundo Reitzenrater, educação e religião têm objetivos comuns, pois “conhecimento e piedade vital, sabedoria e santidade, aprendizado e amor são realidades intimamente vinculadas à sua visão do propósito de Deus para a humanidade”(5). Educação, segundo Wesley, é um ato de amor. Portanto, na visão wesleyana, educação e evangelização são tarefas que possuem um vínculo muito estreito. Educação “pode ser vista como uma das dimensões da graça, pela qual a perfeição original da criação (uma criatura de sabedoria e santidade), perdida após a queda, pode ser restaurada”(6). Wesley desenvolve uma compreensão soteriológica da educação, ou seja, uma educação de boa qualidade pode oferecer às pessoas melhores condições para uma decisão de fé mais consciente.

Por Clovis Pinto de Castro, pastor metodista, educador e reitor da Universidade Metodista de Piracicaba.

1)Texto extraído e adaptado da reflexão apresentada na 4ª Jornada Wesleyana do Instituto Educacional Piracicabano, em maio de 2005.

2)Parte das informações a seguir estão no artigo de HEITZENRATER, Richard P. Wesley and Education in: HELS, Sharon J. Methodism and Education – From Roots to Fulfi llment, General Board of Higher Education and Ministry – The United Methodist Church, Nashville, Tennessee, p. 1-13.

3)Tradução livre da carta de Wesley a um clérigo em Tullamore, em 04 de maio de 1748, in: Wesley Center Online - Wesley Center for Applied Theology. http://wesley.nnu.edu/john_wesley/letters/1748.htm, acesso em 20 de março de 2005.

4)HEITZENRATER, Richard P., op. cit., p. 1.

5)Idem, p. 11. Tradução livre do autor.

6)Idem, p. 11. Tradução livre do autor.

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