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Deus, perdoa-me porque pequei: uma reflexão sobre a responsabilidade da Igreja para com as crianças

07/10/2013 14h45 - última modificação 07/10/2013 14h45

 

Deus, perdoa-me porque pequei

Por Maria Newnum*

Há poucos meses meu marido assumiu o pastoreio de uma pequena comunidade. Tem sido uma experiência rica e nova para nós que há anos trabalhamos juntos em tantas outras atividades. Ele conduz os cultos de um modo bem diferente do que comumente se vê nas igrejas do Brasil. Por exemplo, ele não manda embora as crianças, ao contrário, prepara um sermão especial para elas primeiro e só depois conduz o sermão para os adultos. Na verdade, percebo que os adultos ficam com os olhos brilhantes, esperando o sermão dos pequenos.

Quando chega a hora do sermão dos adultos a criançada se joga no chão sobre um tecido estendido, ao lado do púlpito e fica por ali, lendo historinhas bíblicas, desenhando, pintando… É reconfortante vê-las ali protegidas por Deus e por nós os adultos.

Outro momento do culto que acho marcante é quando o pastor incentiva a confissão silenciosa dos pecados. Vejo aquelas mãozinhas unidas cochichando para Deus algo que, certamente, eles nem sabem o que é. Mas eu sei.

Sei que tenho pecado por praticar uma cristandade inócua. Por exemplo: 338 pessoas foram assinadas no Brasil em 2012 por serem gays, lésbicas, travestis ou transexuais. Segundo Relatório Anual do Grupo Gays da Bahia (GGB), houve um aumento de mortes em 27% com relação ao ano de 2011 (266 mortes) e um crescimento em 177% nos últimos 7 anos; isso sem contar os casos que não foram denunciados como crime de homofobia. Ainda segundo o relatório do GGB, em 2012 ocorreu uma morte a cada 26 minutos no Brasil decorrentes da homofobia e uma dessas mortes foi de um rapaz que estava abraçado ao irmão e pensaram que ele era gay. Ah! Quanta parte tenho nesses crimes todos por minha passividade. Quanta brutalidade, meu Deus! E eu quieta.

Enquanto observo aquelas mãozinhas inocentes, aqueles olhinhos fechados diante de Deus vou me encolhendo por dentro de vergonha. Que futuro estou semeando para essas crianças? O que tenho feito para que elas não sejam os assassinos ou as vítimas do amanhã?

Me vem a mente o capítulo 23 de Mateus e o quanto me encaixo na descrição dada por Jesus aos Escribas e Fariseus; exímios conhecedores da Lei. Ao mesmo tempo, quanto me falta daquela indignação de Jesus para dizer “aí de vós hipócritas, aí de vós guias cegos…” aos líderes religiosos do meu tempo que, tal qual qual os Escribas e Fariseus, colocam pesados jugos sobre os ombros do povo, exploram sua ignorância e plantam no coração das crianças o preconceito, o ódio, o racismo e a homofobia.

Mas minha falta de indignação e o meu silêncio me faz cúmplice. Deus, perdoa-me porque pequei.

Que por essas e outras crianças eu assuma meus pecados de frente e tenha a coragem de dizer todas as manhãs diante do espelho: Deus, perdoa-me porque pequei… E ajuda-me a converter meu coração e minhas ações cristãs sem hipocrisias e medos.

“Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão. Estarei continuamente ausente do Paraíso.” – Madre Teresa de Calcutá

Texto e fotos extraídos do site:

http://newnum.org/mblog/2013/06/01/deus-perdoa-me-porque-pequei/

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