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Conselho Mundial de Igrejas presta tributo a Emilio Castro

10/04/2013 14h55 - última modificação 10/04/2013 14h59

09/04/2013

Considerado um dos maiores líderes ecumênicos da segunda metade do século XX, o Rev. Dr. Emilio Castro foi lembrado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) por seu “incansável esforço em unir a fé e a espiritualidade cristãs ao compromisso com as lutas por justiça”.  

Castro, pastor e teólogo metodista uruguaio, foi secretário geral do CMI entre 1985 e 1992. Ele faleceu em Montevideo, Uruguai, em 6 de abril, aos 85 anos.

Vindo da Igreja Evangélica Metodista do Uruguai, Castro começou a trabalhar no CMI como diretor da Comissão de Missão Mundial e Evangelização, em 1973.

“Como diretor da CMME, Castro abriu caminhos para uma participação ativa das igrejas dos países do Leste europeu na vida do Conselho”, afirmou a Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, atual secretário geral do CMI.

“Sua liderança pessoal foi crucial para a produção de ‘Missão e Evangelização – Uma Afirmação Ecumênica’, considerada a declaração mais importante e clara produzida pelo CMI sobre missão, adotada em 1982 após longas discussões ao redor do mundo”, lembrou Tveit.

“Gostaria de mencionar as grandes contribuições de Castro ao trabalho do CMI em torno do tema da missão da igreja, justiça e paz, como um chamado autêntico à igreja. Durante a reunião do Comitê Central do CMI em que fui eleito para o cargo que ocupo hoje, assim como em outros encontros posteriores, ele me encorajou muito e se mostrou otimista em relação ao futuro do movimento ecumênico”, disse.

“A primeira vez em que o encontrei foi em 1992. Ele me inspirou, como jovem ecumenista, para que eu me comprometesse com o chamado à unidade e à justiça. Ele apelou à minha fé e ao meu coração através de suas palavras e seu olhar”, lembrou Tveit.

Durante as turbulências sociais no Uruguai, nos anos 70, Castro desempenhou um papel significativo através da criação de espaços de diálogo entre grupos políticos e a criação da Frente Ampla, uma grande coalizão de forças democráticas. Por seus esforços na defesa dos direitos humanos na América Latina nos anos 80, Castro recebeu a Ordem de Bernardo O’Higgins, a mais alta honraria do governo chileno.

Seu legado é lembrado -  o pr. Dr. Walter Altmann, moderador do Comitê Central do CMI, expressou tristeza com a morte de Castro. “É com pesar no coração que recebemos a notícia da morte de Emilio Castro”, disse Altmann.

“Castro foi um dos mais extraordinários líderes ecumênicos da América Latina. Pregador eloquente, ele interligava convincentemente o chamado à missão e o compromisso social”, acrescentou.

“A oposição a ditaduras militares na América Latina nos anos 70 e 80 foi, definitivamente, uma consequência da fé em Cristo comprometida com o amor ao próximo, especialmente aos vulneráveis e oprimidos. Nossos corações estão cheios de gratidão pela vida e o testemunho que Castro deixou como inspiração”, concluiu Altmann.

O bispo anglicano Julio Murray, presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), enviou carta de condolências à família de Castro. O texto diz que “a liderança e a visão profética do Rev. Castro encorajaram o movimento ecumênico a criar o CLAI com o objetivo de ser uma voz comum ativa das igrejas evangélicas na denúncia das causas estruturais da pobreza e das violações dos direitos humanos neste continente”.

O Rev. Juan Abelardo Schvindt, ex-secretário geral da Igreja Evangélica do Rio da Prata (IERP) lembrou de uma reunião do Comitê Central do CMI realizada em Buenos Aires, em 1985.

“A ideia do Rev. Castro trazer esta reunião para um país que acabara de deixar para trás a ditadura militar teve impactos muito importantes não só para as igrejas na Argentina, mas para todo trabalho de defesa dos direitos humanos neste continente”, afirmou Schvindt.

“Emilio deixa um legado tão grande, não só por conta de sua retórica excelente, mas também por seu compromisso pessoal e pastoral por uma igreja renovada, aberta, inclusiva e que estivesse a serviço dos excluídos”, concluiu.

Em sua mensagem de condolências, a Dra Ofelia Ortega, presidente do CMI para América Latina, afirmou: “Nas palavras do poeta cubano José Martí, ‘morrer é fechar os olhos de alguém para que se enxergue melhor’. Com sua morte, Emilio nos preenche com a força de sua memória, com o poder do seu amor e os ensinamentos oriundos de sua sabedoria eterna dedicada inteiramente à busca por justiça e paz. Agradecemos por sua história de vida extraordinária e hoje estamos cheios de esperança e capazes de experimentar o milagre diário da ressurreição. Desta forma, continuamos a desfrutar de sua companhia ímpar”.

Castro deixa a filha Ruth, o filho Emilio e suas repesctivas famílias.

Fonte: Marcelo Schneider/CMI

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