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Conselho Mundial de Igrejas expressa gratidão pelo legado de Milton Schwantes

12/03/2012 13h30 - última modificação 12/03/2012 13h34


Após dois meses de enfermidade, o renomado teólogo ecumênico e pastor luterano Dr. Milton Schwantes faleceu no dia 1º de Março, em São Paulo, Brasil, com 65 anos de idade. O Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas Rev. Dr. Olav Fykse Tveit qualificou sua contribuição ao longo dos anos como um “patrimônio do movimento ecumênico”.

Referindo-se ao legado de Schwantes para o movimento ecumênico, Tveit disse “a leitura contextual da Bíblia e o compromisso com o pobre é um importante elemento da teologia da libertação trazido por Schwantes, o qual se soma ao desenvolvimento do movimento ecumênico moderno”.

Como professor de Antigo Testamento na Faculdade EST em São Leopoldo, no final dos anos 70 e década de 80, o testemunho ecumênico de Schwantes uniu-se ao seu trabalho na Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB). Ele influenciou toda uma geração de estudiosos no Brasil e no restante da América Latina. Em 1988,  ingressou na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

O moderador do Comitê Central do CMI, Rev. Dr. Walter Altmann, emocionou-se com a morte de Schwantes. “Ele era respeito e admirado por inúmeras pessoas no Brasil, na América Latina e Caribe, assim como ao redor do mundo, por sua sensibilidade para com o sofrimento e as necessidades do povo, manifestada em uma profundamente criativa e academicamente sólida interpretação da Bíblia”, disse Altmann.

Schwantes escreveu sua tese de doutorado na Universidade de Heidelberg, Alemanha, sobre “O direito dos pobres no Antigo Testamento”. Ele coordenou o projeto “Bibliografia Bíblica Latino-Americana” e foi editor da Revista de Interpretação Bíblica Latino-americana, RIBLA. Schwantes publicou diversos livros, incluindo “História de Israel”,  “Monarquias do Antigo Israel”, "Dignidade humana e Paz - Novo Milênio sem Exclusões" e o "Dicionário Hebraico-Português e Aramaico-Português" (sendo co-autor nos dois últimos). Ele também foi premiado com vários doutorados honoris-causa.

Para Eliana Rolemberg, diretora executiva da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), organização integrante da Aliança ACT no Brasil, Schwantes era um “grande ecumênico que sempre enfatizou a importância da coexistência pacífica entre diferentes expressões cristãs e o valor da contribuição de cada igreja para o alcance da unidade”.

A contribuição de Schwantes para os estudos bíblicos

“A leitura popular da Bíblia na América Latina deve muito a Milton Schwantes”, disse Edmilson Schinello, coordenador do Centro de Estudos Bíblicos, CEBI, com o qual Schwantes trabalhou muito próximo. “Além de seu entusiasmo contagiante e seus grandes insights na análise de textos bíblicos relacionando-os à vida das pessoas, o legado de Schwantes também abrange um forte exemplo de compromisso com o ecumenismo, o estudo de gênero e a leitura feminista da Bíblia", afirmou Schinello.

Há uma infinidade de pessoas que foi animada, inspirada e transformada por seu trabalho. Um brilhante teólogo, Schwantes teve uma vocação para a pesquisa bíblica com análise perspicaz, sempre marcada pela criatividade, irreverência e um forte comprometimento com o pobre.

De acordo com o Reverendo Christopher Ferguson, pastor da Igreja Unida do Canadá e coordenador internacional do Programa Ecumênico de Acompanhamento às Vítimas da Violência na Colômbia, a abordagem transformadora da leitura da Bíblia na construção de uma teologia da vida teve um impacto duradouro. “Não há realmente palavras suficientes para descrever seu legado acadêmico e educacional. Ele teve o dom e habilidade para relacionar a leitura e o empoderamento do pobre e marginalizado como sujeito da interpretação bíblica. Ferguson disse ainda que Schwantes desenvolveu o “mais rigoroso aparato crítico científico e acadêmico para a interpretação bíblica e teológica”.

Rev. Juan Abelardo Shvindt, ex-secretário geral da Igreja Evangélica do Rio da Prata (IERP), destaca o legado de Schwantes lembrando um significativo episódio relacionado às reflexões sobre o aniversário de 500 anos da chegada dos colonizadores à América Latina, em 1992. O trabalho de Schwantes foi a inspiração bíblica de todo o processo de reflexão continental, particularmente das igrejas membro do Conselho Latino Americano de Igrejas.

“Lembro-me da consulta regional que conduzimos no Parque 17 de Febrero, no Uruguai, com representantes de todas as igrejas da região. Nós fomos encorajados a redescobrir o senso de ser igreja em um continente subjugado no qual as identidades religiosas, culturais e sociais foram constantemente negadas”, disse Schvindt. “A questão desafiadora de Schwantes para o grupo foi: Como uma nova abordagem da leitura da Bíblia pode nos ajudar a repensar nosso próprio significado em um contexto de aparente falta de sentido?”, lembrou-se Schvindt.

A despeito dos sérios problemas de saúde durante os anos finais de sua vida, Schwantes ofereceu um consistente testemunho de força e alegria. Desde agosto de 2002, depois de uma operação para remover um tumor, ele experimentou severas limitações físicas. Casado com Rosileny Alves dos Santos Schwantes, ele tinha três filhas.

Texto co-produzido pela Agência Latinoamericana e Caribenha de Comunicação. Tradução: Suzel Tunes/FaTeo.
Foto: Milton e sua esposa Rosi (arquivo pessoal)

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