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Sociólogo Paul Freston analisa a relação entre Igrejas e Política na Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial

19/08/2010 20h33 - última modificação 19/08/2010 20h55

"Comunicação, igrejas e política no Brasil. Ecos do período eleitoral 2010"


A abertura do V Eclesiocom, Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial, na Universidade Metodista de São Paulo, começou com uma palavra do coordenador da Pastoral Universitária, Luiz Eduardo Prates, seguindo a prática dessa instituição confessional. Ao auditório composto principalmente por estudantes e profissionais das áreas de comunicação, ciências da religião e teologia, o pastor metodista explicou que a espiritualidade, no âmbito da Universidade Metodista, é compreendida não como algo separado da vida, mas como parte dela. Por isso, a atuação cidadã e a consciência política não se dissociam do compromisso de fé.

Prates levou aos/às participantes do Eclesiocom um documento histórico do qual participou: a Carta de Princípios do Movimento Fé e Política, criado em 1989 por líderes religiosos de diversas denominações religiosas. Neste documento, o Movimento Fé e Política define-se “como ecumênico, não-confessional e não-partidário” e afirma a política como “uma dimensão fundamental para a vivência da Fé e a Fé como horizonte da utopia política”.

Para pensar a relação entre Igrejas e Política em um ano eleitoral, a Eclesiocom 2010 recebeu como principal palestrante o sociólogo Paul Charles Freston. Tendo nascido na Inglaterra e vindo ao Brasil em 1976, hoje Paul Freston se divide entre o Canadá, onde desenvolve diversas atividades de docência e pesquisa, em várias instituições, e o Brasil, como docente da Universidade Federal de São Carlos. Freston é autor de vários livros, dos quais o mais conhecido é “Evangélicos na Política Brasileira”, fruto de pesquisas que começaram por volta de 1988, quando a “bancada evangélica” era uma das grandes novidades da política brasileira.

Freston observou que os escândalos de corrupção que marcaram a bancada evangélica estão muito relacionados à prática de oficialização de um candidato por parte de uma igreja. Há uma forte tendência deste candidato ´oficial´ corromper-se, uma vez eleito. Isto ocorre porque, em muitos casos, a Igreja que lança um candidato próprio busca extrair benefícios do Estado para seus interesses particulares e fortalecimento institucional. Nesse processo, os meios de comunicação têm um importante papel. Muitos destes candidatos “oficializados”, disse Preston, são conhecidos por sua presença midiática. Onde o acesso evangélico à rádio e televisão é mais fácil e a comunidade evangélica é numerosa, é forte essa relação entre política e religião.

Segundo o sociólogo, a presença de evangélicos na política tende a crescer, acompanhando seu próprio crescimento numérico o que, certamente, gerará maior responsabilidade política. Paul Freston estima que os evangélicos representem atualmente 20% da população brasileira, podendo chegar a até 35% no futuro. “Quando se é 20 ou 30% da população, a sociedade cobra posicionamento político”.

Como será essa representação evangélica na política? Estarão os evangélicos à direita ou esquerda? Representarão o capitalismo neoliberal ou apoiarão movimentos populares? Diante da complexidade do fenômeno religioso contemporâneo, todo cuidado é pouco nas débeis tentativas de rotulação. Paul Freston citou uma pesquisa realizada pela organização americana Pew Research Center’s Forum on Religion & Public Life a respeito do pentecostalismo em 10 países, no ano de 2006. Os resultados da pesquisa “Spirit and Power” trazem algumas informações que contrariam o perfil tradicionalmente associado ao fiel pentecostal. “Na Guatemala apenas 37% dos pentecostais acham que o governo deve proibir o aborto”, exemplificou Freston. Por isso, o pesquisador deve estar preparado para eventuais surpresas que possam surgir na dinâmica relação entre igreja, política e comunicação.


Mais informações:

Sobre a pesquisa da Pew Fórum: http://pewforum.org/

Sobre os trabalhos apresentados no Eclesiocom durante o período da tarde: http://www2.metodista.br//unesco/index.htm

Veja abaixo a relação de comunicações científicas:

Grupo 1 – Teorias, métodos e os processos comunicacionais religiosos

Coordenação: Profa. Magali do Nascimento Cunha

13h30 – Organização do grupo

13h45 - Iury Parente ARAGÃO Arquétipos e Imaginários Criadores da Realidade do Santo Não-Canônico Motorista Gregório

14h10 - Damiana Rosa OLIVEIRA e Fernando SOUZA A polêmica na seção de cartas da Superinteressante: reportagem tendenciosa sobre Chico Xavier?

14h35 - Maria Antonia Vieira SOARES e Rosa Malena PIGNATARI Comunicação e os desafios da prática cidadã frente a um pentecostalismo de herança sacral

15h - Intervalo

15h15 - Francisco Thiago de ALMEIDA A música protestante brasileira em tempos de repressão política

15h40 - Maria Amélia PIROLO Projeto de Avaliação da Igreja Particular de Londrina: comunicação e pesquisa como estratégias de diagnóstico e evangelização

16h05 - Rodrigo FOLLIS Publicidade e Religião: dois possíveis enfoques teóricos

16h30 - Fernanda Francisca de LIMA A publicidade entre vícios e virtudes

16h55 – Articulação Rede Eclesiocom

17h15 – Despedida


Grupo 2 - Mídia, política e os processos comunicacionais religiosos

Coordenação: Profa. Ana Claudia Braun Endo

13h30 – Organização do grupo

13h45 - Elaine Regina de Oliveira REZENDE O apóstolo e o prefeito: o fechamento e a reabertura da sede da Igreja Mundial do Poder de Deus

14h10 - Marcio Araujo OLIVERIO e Gidalti Guedes da SILVA Uso do Twitter por candidatos evangélicos a deputado no estado de São Paulo

14h35 - Valter Borges dos SANTOS Mídia: Aparelho ideológico da Igreja e Estado - O uso da mídia em busca e permanência do poder

15h – Intervalo

15h15 - Alexander FAJARDO Mudança de paradigmas no comportamento sócio-político entre os evangélicos no Brasil

15h40 - Maria de Lourdes CRESPAN Jornalismo católico e o espaço do ouvinte: a aproximação possível de jornalismo e fé

16h05 - Maxwell Pinheiro FAJARDO Uma rádio no campo religioso: um estudo do uso da mídia radiofônica pelas comunidades pentecostais do bairro paulistano de Perus

16h30 – Ana Claudia Braun ENDO e Whaner ENDO Portal Cristianismo Criativo: contribuições da sociedade em rede ao estudo de mídia e religião

16h55 – Deslocamento para Sala 101 - Articulação Rede Eclesiocom

17h15 – Despedida

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