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Comunicar: derrubar muros e construir pontes. Veja como foi a 7ª Conferência de Comunicação Eclesial, na FaTeo

24/08/2012 13h35 - última modificação 24/08/2012 13h36

No dia 23 de agosto, a Universidade Metodista teve o privilégio de acolher o VII ECLESIOCOM, Conferência Brasileira de Conferência Eclesial. O evento é promovido pela Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, da Universidade Metodista, com o apoio da Faculdade de Teologia. O tema deste ano “Comunicar: derrubar muros e construir pontes. Comunicação e Ecumenismo” resgatou a história de duas organizações que têm papel fundamental na trajetória da comunicação eclesial no Brasil e no mundo: a WACC, World Association for Christian Communication (Associação Mundial para a Comunicação Cristã), que foi representada pelo seu atual presidente, Dennis Smith; e a UCBC, União Cristã Brasileira de Comunicação Social, representada pela Prof. Joana Puntel, irmã paulina e participante da história dessa organização.

Também participaram da mesa, no período da manhã, o professor José Marques de Melo, diretor-titular da Cátedra Unesco; Prof. Laan Mendes de Barros (coordenador do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Metodista); Prof. Paulo Roberto Garcia, reitor da FaTeo e Profa. Magali do Nascimento Cunha, jornalista, professora da FaTeo e coordenadora do Evento.

O ECLESIOCOM começou com um momento de meditação e reflexão conduzido pelo pastor Juarez Ferreira de Jesus, representante da Pastoral Universitária e Escolar da Universidade Metodista.

O Reverendo Juarez lançou a pergunta: “Qual é o grande desafio dessa conferência”  e um versículo para inspirar a resposta: Isaías 61.1:  “proclamar a boa nova aos pobres, anistia aos cativos, libertação aos prisioneiros”...

O professor Paulo Garcia, reitor da FaTeo, contou um “causo”: nas casas mineiras, disse ele, é na cozinha onde a vida verdadeiramente acontece, onde os amigos se reúnem e a conversa flui solta. Lugar de comunhão. “A FaTeo, que sempre foi parceira do ECLESIOCOM, gosta de receber seus amigos no espírito de comunhão, compartilhando o conhecimento que nos alimenta. Sejam bem-vindos em nossa ‘cozinha’!”

O professor Laan saudou os/as participantes em nome do Programa de Pós Graduação em Comunicação. Ele falou da celebração de 40 anos da Faculdade de Comunicação da Metodista e da alegria de participar de mais esse momento significativo para a Universidade.

O professor José Marques de Melo destacou que estamos a quase meio século do início do movimento ecumênico mundial, iniciado pelas igrejas protestantes no período do pós-guerra para criar espaços de diálogo. No campo católico, estamos também a meio século do Concílio Vaticano II, que abriu o espaço de diálogo com outras denominações cristãs. Foi o professor Marques que sugeriu o tema do Eclesiocom deste ano. “Precisamos superar o tecnicismo, o hedonismo e o utilitarismo, para resgatarmos o humanismo na comunicação e na vivência cotidiana”, declarou ele.

 

Derrubar muros e construir pontes

A Profa. Magali do Nascimento Cunha fez a primeira palestra do evento, uma introdução ao tema “Comunicar: derrubar muros e construir pontes. Comunicação e Ecumenismo”.

“Comunicar, do latim comunicare, é tornar COMum. Conhecimentos, ideias e sentimentos deixam de ser propriedade exclusiva e passam a ser COMpartilhados por um grupo. Como seres sociais, temos a condição da comunicação como parte de nossa existência”, lembrou a professora Magali. A teologia da comunicação confirma essa necessidade humana: “não é bom que o homem viva só, diz o texto de Gênesis. Destacando que a palavra que foi traduzida como “homem” (adam) significa, na verdade, “ser humano”. Não é bom que o ser humano viva só. O que as Ciências Sociais ensinam (o ser humano como ser social) já está expresso neste livro milenar.

O ser humano corrompe o projeto divino da comunhão e constrói barreiras à comunicação, lamentou a professora. Competição, ciúme, inveja, tensões... muros. Dentro de nós há Abel e há Caim. O que tem falado mais forte? As religiões, que são instituições humanas, também têm construído muros... O ecumenismo foi uma tentativa de romper as barreiras, como um princípio cristão de trazer a Igreja de volta ao projeto de Deus.

Ao longo da história, tivemos muitos construtores/as de pontes. O ECLESIOCOM de 2012 destacou dois grandes exemplos. A WACC, Associação Mundial de Comunicação Cristã, atualmente presidida por Dennis Smith e a UCBC, União Cristã Brasileira de Comunicação Social, representada pela Prof. Joana Puntel (na foto abaixo, à direita, ao lado de Dennis Smith e professora Magali).

Ignorância: fruto do pecado

Dennis Smith iniciou sua palestra abordando os propósitos que sustentam a WACC, a Associação Mundial para a Comunicação Cristã. Disse que “o fruto do pecado original é a ignorância”. “A ignorância é uma corrupção da imagem de Deus à qual se criou a humanidade. Restaurar a imagem de Deus é o projeto de salvação. Assim, quando a tecnologia está ao serviço dessa restauração, ela é instrumento divino”.  Por isso, ressaltou o comunicador, comunicação é exercício espiritual, que cria comunidade, constrói liberdade e exige responsabilidade. A comunicação cristã desafia a injustiça e proclama, profeticamente, a justiça de Deus, tendo Jesus por modelo. Exercício corajoso de integridade...

No mundo midiático de hoje, poucas corporações, atendendo a interesses econômicos, decidem quais vozes serão ouvidas, avaliou Smith. Quem tem coragem de proclamar a verdade ao poder? Desafiar a injustiça é desafiar os principados e potestades, mas isso tem um alto preço. O/a comunicador/a cristão/a  não sucumbe ao poder, não busca glórias pessoais, mas questiona e confronta o poder opressor.

 

O que não está resolvido continua atual!

Joana Puntel, docente da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e docente no Serviço à Pastoral da Comunicação (Sepac) trouxe à memória a União Cristã Brasileira de Comunicação Social. Ela lembrou dos primórdios da fundação da UCBC, em São Paulo, em 196, pouco depois do AI-5 (Ato Institucional nº 5, de 1968, que reprimiu fortemente a imprensa, no contexto da ditadura militar brasileira). Momentos dramáticos da vida nacional...

A UCBC nasceu no seio da Igreja Católica, mas abriu-se às demais igrejas cristãs, bem como a outros profissionais da comunicação: além de jornalistas, também radialistas, cineastas, professores, pesquisadores... Seus objetivos principais: opor-se ao autoritarismo e defender a liberdade de expressão, buscando dialogar com a sociedade.

UCBC tornou-se espaço de refúgio de intelectuais e alternativa de informação diante da censura dos meios de comunicação, diz Joana Puntel, lembrando-se, sobretudo do “boletim UCBC Informa”. E os congressos realizados pela entidade foram importantes espaços de reflexão sobre cultura popular.

Em 1969 também nasceu o Projeto de Leitura Crítica (LCC), a “grande utopia da UCBC”. O objetivo era desenvolver a consciência crítica da população como receptora dos meios de comunicação de massa e denunciar a manipulação exercida pelos meios de comunicação. Professor Reinhard Brose, missionário alemão metodista, introdutor da disciplina de comunicação no curso de Teologia, desenvolveu esse projeto na Universidade Metodista.

Hoje a UCBC está fechada, lamenta a Joana. Mas, conquistamos a liberdade de expressão? Vivemos a plenitude da comunhão/comunicação? Até que um problema seja resolvido, ele é atual, não está superado...

Tarde rica em discussões

O período da tarde foi reservado à apresentação de trabalhos dos/as participantes. A 7ª edição do Eclesiocom contou com 55 participantes e um número recorde de trabalhos apresentados:  23, que foram divididos em quatro GTs, para proporcionar a oportunidade do diálogo após a apresentação de cada palestrante.

Todos os trabalhos, na íntegra, ficarão disponíveis no site da Conferência (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR). Veja a lista a seguir:

GT1 - Teorias, métodos e os processos comunicacionais religiosos

Coordenação: Profa. Suzel Tunes

13h45 – Abertura

13h45 - Ingrid Gomes (UMESP). Tensões nas representações do Islã na História 14h10 – Marcelo Furlin (UMESP). Liturgia e poesia: o Verbo em movimento

14h35 – Giovana dos Anjos Ferreira (UEPA). Cultura gospel: estudo de caso do Louvor Norte em Belém – PA 15h –  Intervalo

15h20- Margarete Salles Iwanikow (UMESP). Novas Comunidades: um estudo da comunicação da Comunidade Magnificat sob a ótica do conceito de comunidades

15h45 – Paulo Ferreira (UMESP). Narrativas míticas e midiáticas na figura do Papa João Paulo II 16h10 - Fernando Ripoli (UMESP). A comunicação dos mitos de morte nas religiões: uma perspectiva no judaísmo , cristianismo, islamismo segundo uma análise  de Mircea Eliade.

16h35 – Eduardo Meinberg de A. Maranhão Filho (USP). Notas sobre o Marketing de Guerra Santa.

16h55 – Encerramento do GT e entrega de certificados.

 

GT2 – Comunicação e Ecumenismo

Coordenação: Prof. Iury Parente

13h30 – Abertura

13h45 – Maria Antonia Vieira Soares e Rosa Malena (UNESP). Educomunicação e diálogo inter-religioso: uma relação possível?

14h15 – Luís Henrique Marques (UNIP). Revista Cidade Nova e a promoção de um “ecumenismo de vida” segundo o pensamento e experiência do Movimento dos Focolares

14h45 – Marcus Vinicius Araujo Batista de Matos (ISER).  Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro: a construção de memória e de verdade através de narrativas religiosas

15h15 – Intervalo

15h35 – Hideide Brito Torres (UFV). Comunicação, ecumenismo e cidadania: a comunicação latino-americana a partir da ALC

16h05 –  Valter Borges dos Santos (UMESP).  Comunicar o sagrado, aproximar as pessoas:

Análise do Programa “O Sagrado” numa perspectiva ecumênica

16h35 - Eduardo Teixeira (IASD). Pontes de esperança: A Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Liberdade Religiosa como mecanismo de Relações Públicas.

17h05  – Encerramento do GT e entrega de certificados

 

GT3 – Religião nos Processos Comunicacionais Midiáticos

Coordenação: Prof. Paulo Salles

13h30 – Abertura

13h45 – Maria de Lourdes Crespan (UMESP). Maximiliano Kolbe e a Rádio Imaculada Conceição: uma análise de gêneros e formatos no jornal Milícia Sat

14h15 – Priscila Vieira Souza (UFRJ). Mídia e religião no Brasil: implicações e possibilidades da investigação histórica

14h45 – Emanuelle Gonçalves Brandão Rodrigues e José Guibson Delgado Dantas (UFAL). Para além da religião: uma análise sobre a produção de conteúdo do programa Fala Que Eu Te Escuto

15h15 – Intervalo

15h35 - Luis de Castro Campos Jr (UNESP). As Relações entre Comunicação e Religião: Rádio e TV como Meios para Expressão do Neopentecostalismo

16h05 – José Guibson Dantas (UFAL). Debulhando o sagrado: dificuldades e potencialidades no estudo de recepção de programas televisivos religiosos.

16h35 – Patrícia Garcia Costa (UMESP). A influência do discurso religioso midiatizado no cotidiano das mulheres evangélicas.

17h05 – Encerramento do GT e entrega de certificados.

 

GT4 – Comunicação, religião e dinâmicas socioculturais

Coordenação: Prof. Alex Fajardo

13h30 – Abertura

13h45 – Rosana de Fátima Pires (UMESP). “Qual o Cristo transmitido pelos pregadores midiáticos?” Uma análise do discurso cristológico presente na mídia religiosa contemporânea

14h15 – João Leandre Jorge (UMESP). Igreja e Comunicação na era do espetáculo: Identidades Teológicas Em Tempos De Novas Interações Midiáticas

14h45 – Maria Amélia Miranda Pirolo e Maria Fernanda de Pirolo (UEL). Comunicação Religiosa e Capital Social: interface de estímulo à cidadania

15h15 – Intervalo

15h35 – Maria Amélia Miranda Pirolo e Débora Sayuri Anami (UEL). Comunicação religiosa e a inclusão do deficiente auditivo

16h05 – Rejane Tavares Guimarães da Gama (UMESP). Análise crítica do discurso imobilizador para uma práxis da solidariedade cristã com moradores de rua

16h35 - Paulo Vitor Giraldi Pires e Maria Cristina Gobbi (UNESP). A comunicação para a cidadania nas memórias dos 50 anos do Concílio Vaticano II

17h05 – Encerramento do GT e entrega de certificados

 

Reportagem: Suzel Tunes (texto), Luciana de Santana (fotos)

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