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Atuação evangélica na política é mais corporativa e menos cristã, entende professora de Ciências da Religião

Aula magna do curso de Teologia, na noite de 7 de agosto, abordou “Evangélicos na Política Brasileira”

09/08/2017 20h55 - última modificação 14/08/2017 16h31

Prof. Sandra Duarte questiona como a religião pode fazer a diferença na política

Proibidos de exercer cargos eletivos pela Constituição de 1.824, o que começou a ser distendido com a chegada da República e cujo início formal na política se dá com a Constituinte de 1.934, os evangélicos somam hoje parcela numérica representativa no Congresso. São 85 deputados e dois senadores até este agosto de 2017, segundo contagem do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Mas a atuação desses religiosos recebe reparos.

 

“A pergunta é: em que medida a religião pode fazer a diferença na política? É um grande desafio, pois as bancadas evangélicas atuam voltadas para uma sociedade erguida sobre hierarquias e não sobre princípios religiosos cristãos”, discorreu professora Sandra Duarte, da pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, durante aula magna do segundo semestre do curso de Teologia a distância.

 

Professora Sandra acha necessário refletir sobre a identidade evangélica moldada nos votos orientados do “irmão vota em irmão” ou “crente vota em crente”, que acabam tomando o lugar de uma atuação política efetiva em defesa de pautas questionadoras, de luta contra desigualdades e favorável aos direitos humanos, por exemplo. Ela citou que essa forma de os evangélicos fazerem política data da redemocratização do País e da Constituinte de 1986/88, quando sobretudo a Assembleia de Deus começou a ganhar visibilidade.

 

A identidade focada no corporativo pode ser vista pela própria denominação dos eleitos: bispo x, pastor y, missionário z, conforme apontou a palestrante, para justificar a origem da chamada Frente Parlamentar Evangélica. Segundo o DIAP, a força da bancada evangélica está concentrada em três igrejas – Assembleia de Deus (26 eleitos nesta legislatura), Igreja Universal (11) e Igreja Batista (12). O presbiterianismo tem seis representantes e configura a segunda força entre as igrejas históricas. Os demais parlamentares são distribuídos em 22 denominações diferentes. Os números representam deputados e senadores com vinculação identificada ou declarada a uma igreja evangélica, sem considerar parlamentares apoiados por igrejas. 

 

Pauta não progressista


Um divisor da presença evangélica na política brasileira está em Guaracy Silveira, pastor metodista eleito primeiro deputado federal protestante para a Constituinte de 1.934. Sua pauta defendia temas modernos para a época: direitos fundamentais, voto da mulher, divórcio, direito à educação e proibição do ensino religioso em escolas públicas. A forte pressão dos católicos, que mantinham até então a hegemonia religiosa no Brasil, impediu sua reeleição.

 

Guaracy voltou ao parlamento em 1945 apontando o que considerava erros dos protestantes já naquele período, entre os quais o distanciamento que mantinham dos sindicatos dos trabalhadores e dos partidos políticos populares. Chamava, assim, para o compromisso cristão de defesa das classes populares. A pauta não progressista se consolidou com o estreitamento das relações entre igrejas protestantes e a ditadura de Getúlio Vargas, apesar dos movimentos de resistências das Juventudes Católica e Protestante, lembrou professora Sandra Duarte.

 

Foi na década de 1950 que os evangélicos ganharam efetiva visibilidade, a partir do empoderamento conquistado por meio de canais de TV e emissoras de rádio. Até então, por conta dos colonizadores portugueses, a Igreja Católica ditou regras e costumes até o século 19, quando sua relação com o Império começou a tensionar. O catolicismo continuou como religião oficial, mas a Constituição de 1824 já permitia outros cultos em espaços particulares e domésticos.

 

Entre 1819 e 1824, a chegada de imigrantes alemães, suíços, ingleses, libaneses, turcos e japoneses traz ao Brasil a experiência protestante e permite a abertura à diversidade religiosa, conforme historiou professora Sandra. A aproximação entre maçonaria, liberais e protestantes rompe a hegemonia católica e se apresenta como alternativa de aliados do Estado no Império. Foi com o Brasil republicano a partir de 1889 que surge o Estado laico, com a separação entre Igreja e Estado.

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