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As oficinas da Semana Wesleyana: experiências compartilhadas

26/05/2011 18h15 - última modificação 02/06/2011 12h56

Oficina 1

 

OFICINA BÍBLIA E POVO

Na tarde do dia 26 de maio, como parte da programação da 60ª Semana Wesleyana, tivemos a oficina “A Bíblia e o Povo”, conduzida pelo Rev. Dr. Paulo Teixeira, da Sociedade Bíblica do Brasil. O Dr. Paulo iniciou a oficina com uma informação muito relevante: o reconhecimento das Sociedades Bíblicas do mundo pela UNESCO. “A Bíblia rompeu a fronteira do meio religioso e já é vista como um bem cultural”, declarou ele. Outra informação importante foi a comemoração da marca de 100 milhões de exemplares impressos pela SBB, que seria alcançada naquela mesma tarde.

O Rev. Paulo Teixeira partiu da pergunta: “O que move nosso coração? O que motiva a SBB?” A resposta, disse ele, é justamente a dinâmica entre Bíblia e Povo. Ele contou que, no ano 2000, a SBB montou um currículo informal para ministrar um Seminário de Ciências Bíblicas para o povo brasileiro de norte a sul. “Chegamos à marca de aproximadamente 50 mil alunos, entre professores de escola bíblica, diáconos, pregadores leigos e até pessoas que passaram por formação teológica formal, mas que tinham lacunas na formação bíblica”. O palestrante ressaltou que isso foi uma resposta à necessidade das igrejas pelo estudo bíblico. Hoje, o Seminário de Ciências Bíblicas já está em sua 78ª edição.

“Nesse seminário começamos a refletir com as pessoas o que é traduzir. Há uma tendência de achar que a tradução literal é fiel. Então fazemos a pergunta: ´O que é traduzir? Como você traduziria ‘Good Morning’? ‘Bom dia’, respondem todos. Dizemos então que a tradução literal seria ‘Boa manhã’ e como isso soaria estranho em português.” Com esse exemplo, o palestrante mostrou como é importante o trabalho de aproximar a linguagem bíblica do cotidiano do povo. “Cristianismo é a religião da palavra. Não precisa aprender a língua de Deus. Ele vem até você! Na encarnação ele fala a sua língua. Ele é a palavra que anda entre nós!”

Em seguida, Dr. Paulo apresentou um panorama histórico das traduções, ressaltando tradutores como Lutero, Wicliffe e Tyndale e a preocupação de que o povo pudesse ter acesso às versões em suas línguas. 

Ainda na perspectiva histórica, ele falou sobre a Bíblia de Genebra, a primeira com algum rigor acadêmico. “Não é a Bíblia de Genebra publicada hoje, mas sim uma tradução da Bíblia feita para o inglês fora da Inglaterra (a tradução da Bíblia não era permitida nesse país).” Dr. Paulo enfatizou que essa foi a primeira versão a adotar a divisão em versículos e o tipo romano, a despeito do gótico. Além disso, era mais compacta que as versões prévias, pesando cerca de 6,5 kg. “É uma Bíblia com introduções e notas calvinistas, reformada. É a primeira a não atribuir Hebreus a Paulo”, destacou.

Já em termos de Brasil, ele ressaltou o trabalho do pastor metodista Antonio de Campos Gonçalves na finalização da edição de Almeida. Segundo Teixeira, uma tradução brasileira anterior, que trazia como consultores do estilo vernáculo os escritores Heráclito Graça, José Veríssimo e Rui Barbosa trazia uma linguagem pouco acessível. “Há um marco na história das traduções quando se determina que o grego usado no Novo Testamento não devia ser traduzido sobre a premissa do clássico, mas sim do ‘coiné’. Deus fala a língua do povo!”, disse o pastor. A partir de então surgem traduções ditas fiéis ao leitor, como a Goodspeed, Good News Bible, Dios Habla Hoy dentre outras.

Encerrando essa apresentação histórica, o palestrante trouxe uma frase recebida por um leitor da Bíblia na Linguagem de Hoje que dizia: “Deus não é brasileiro, mas comigo fala de um jeito que entendo”. Assim, ele reforçou a importância da tradução que alcance a compreensão do povo.

Na segunda parte da oficina, Dr. Paulo apresentou as diversas publicações da SBB. Entre elas está a Bíblia na Linguagem de Hoje, lançada em 2000 após revisão da versão de 1988 com contribuição principalmente dos leitores, “para que o povo não sentisse que o texto fosse estranho ao seu uso”, explicou ele. 

Hoje há Bíblias para diversas faixas etárias: crianças, pré-adolescentes, jovens. Com notas e estudos pertinentes a esses grupos. Além de Bíblias com estudos que focam temas específicos como, por exemplo, liderança e família. “A Bíblia de estudo mais vendida é a Almeida. Tenta-se seguir o pressuposto de neutralidade teológica. As notas explicam uma data, uma hipótese, mas não há questões dogmáticas.

Recentemente, foi lançada a Bíblia do pregador, reconhecendo-se a deficiência na formação teológica de pregadores leigos. “Essa Bíblia traz 2000 esboços”, explica o palestrante.

O palestrante ainda ressaltou que está em fase final de editoração a “Bíblia de Estudo de Wesley” que conta com a colaboração de diversos professores da Faculdade de Teologia da UMESP. 

Perguntado pelo Prof. Edson se há projetos de uma nova tradução direta dos originais, Paulo Teixeira respondeu que no momento não. Explicou que o trabalho da SBB é determinado pela necessidade das igrejas que a compõe e que não há pedidos de uma nova tradução. “Pede-se, sim, a revisão da Almeida Revista e Atualizada e que a partir de 2018 tenhamos uma nova revisão da Bíblia na Linguagem de Hoje”, complementa o palestrante. Outros projetos incluem uma versão com a linguagem ainda mais fácil, solicitada pela Associação Internacional de Lingüística, que seria utilizada por índios que fazem a tradução para suas línguas nativas. “Há outros eruditos fazendo suas traduções e ter várias traduções é uma benção”, finalizou o palestrante.

 

A BÍBLIA E A CRIANÇA

Nesta semana wesleyana, o trabalho com crianças também teve seu espaço. “Sempre foi nosso desejo a oportunidade de falar diretamente aos pastores sobre o assunto e tivemos essa oportunidade agora”, declarou Rogéria Valente, Secretária Regional de Trabalho com Crianças na 1a Região Eclesiástica. Rogéria é teóloga, pedagoga e tem coordenado esse departamento há 13 anos.

A partir da leitura do texto “As três parábolas”, ela refletiu como ler a Bíblia com a criança. “Se tenho medo de Deus, vou passar para a criança todo esse medo; se a atividade de trabalhar com ela me amedronta, vou passar esse medo; mas se é uma alegria, ela vai sentir; vou transmitindo isso junto à criança na caminhada”, explicou ela. “Ler a Bíblia com a criança é caminhar com ela, como dois amigos que repartem suas histórias. É muito mais fácil para nós entendermos como trabalhar com a criança do que trabalhar com a terceira idade, porque todos já fomos crianças. Temos que lembrar quando éramos crianças.”

Acerca do entendimento das crianças, Rogéria afirmou que é preciso dar atenção ao desenvolvimento individual. As crianças, às vezes, nos surpreendem. A educadora relatou que sua irmã tinha grande resistência em dar a ceia para a filha de dois anos. Em determinado culto em que estavam todos juntos pediu permissão à irmã para que a criança participasse da comunhão. Ela concordou. “Expliquei a minha sobrinha que Jesus havia morrido, mas já tinha ressuscitado. Iríamos comer o pão que representava o corpo dele e o suco que representava o sangue. Isso era para lembrar de Jesus. Depois de beber o suco, a criança se dirigiu ao pai e disse: ‘Quero mais ca-cola!’. Naquela época tudo pra ela era ca-cola: suco, refrigerante, água... Pensei: ´ihhh, menos um`. No carro, quando voltávamos para casa, ela espontaneamente virou para sua mãe e disse: ´Mamãe, Jesus morreu.... Mas já ressuscitou`! Aí pensei: ´mais um`!” 

Rogéria enfatizou que as crianças precisam se sentir incluídas na família da fé. “Imagina as marcas que a criança vai levar para sua vida quando se sentiu parte daquela comunidade!”. Contando seus relatos, ela mostrou que as “crianças têm fé e fazem teologia!” Lembrou quando seus sobrinhos discutiam na cadeirinha do banco de trás do carro sobre a criação de Deus e o pai teve que estacionar para resolver aquele “problema teológico”.

Quem é a criança aos olhos de Deus? “Alguém que Ele ama e com quem se relaciona. Há relatos bíblicos do relacionamento de Deus desde o ventre. Criança é uma pessoa com quem Deus se relaciona. É alguém a quem se estende a mão e se cuida. São portadoras da esperança. Alguém que participa do Reino de Deus”.

Responsabilidade da família e da igreja – “A educação cristã é de responsabilidade familiar e não deixou de ser. O problema é que há muitas famílias doentes. Pais e mães não têm como ministrar a essas crianças. A igreja tem coberto essa lacuna de inculcar essas verdades. Amar a Deus de todo coração e força deveria ser algo concreto nessas famílias para a educação cristã acontecer naturalmente.”

A criança no Antigo Testamento - A palestrante usou o texto de Zacarias 8.4-5 para afirmar que o direito da criança à convivência, à proteção e a ter infância é um sonho profético. “Gerações convivendo com segurança nas praças e as crianças acolhidas nessa sociedade é o nosso sonho”.

A criança no Novo Testamento – “À criança é dado lugar prioritário! Jesus chama e coloca as crianças no centro. Elas ganham status de cidadã do céu. ´Deixai vir a mim os pequeninos´”.

A criança no ministério de John Wesley – Rogéria deu atenção especial à preocupação de Wesley com as crianças, fruto do exemplo deixado por sua mãe, Suzana Wesley. “Wesley vai ser a mãe deles de calças compridas. A preocupação de Wesley com as crianças tem tudo a ver com o que ele viveu na infância.” Segundo a educadora, nossa relação com uma criança está diretamente relacionada às nossas experiências na infância. “Vamos nos relacionar da mesma maneira que se relacionaram conosco. Foi assim que fizeram comigo e deu certo.” Apesar da ausência da psicologia na época, Wesley se encontrava à frente do seu tempo. “É uma preocupação belíssima com as crianças. Ele percebe a criança e coloca-se no lugar dela,” afirmou a palestrante.

Rogéria ainda descreveu a preocupação social de Wesley com as crianças. “Ele tinha empatia com as crianças das minas, sem acesso ao estudo, com pais presos. Ele conseguia sentir a dor delas, mas não parou por aí, fez alguma coisa.” A preocupação de Wesley era não só as condições de vida daquelas crianças, mas também com o que elas viriam a ser. Ele se preocupava em fornecer condições para que aquelas crianças não tivessem que trabalhar novamente nas minas quando adultas.

A palestrante também enfatizou que, ao contrário de muitos líderes da atualidade, Wesley percebia nas crianças a presença e ação do Espírito Santo. “Wesley dava-lhes especial atenção ministerial. Envolvia as crianças em todas as áreas do ministério. Às vezes, hoje, o culto vai do começo ao fim sem as crianças serem percebidas. Passam despercebidas da entrada até o final. Só não passam tão despercebidas quando fazem uma ´baguncinha`”. Rogéria continuou expondo a situação de exclusão das crianças nos cultos, “na escolha dos cânticos, no louvor e até na pregação”: “Tudo acontece com se elas não estivessem ali.”

“Igreja é família e criança faz parte da família. A criança na família sanguínea é de todo mundo, avós, tios e tias, pais, todos colocam a criança no centro das atenções em casa. Mas na igreja não parece bem assim... a criança passa despercebida, ninguém ajuda a cuidar. Na hora do batismo a gente assume o compromisso de cuidar dela, mas a grosso modo, os pais que cuidem! Os meus estão criados.. Pai que vá lá buscar...”.

Antes que houvesse estudos sobre as crianças, Wesley dava importância bíblica a elas. “Os pastores metodistas, pela tradição, deveriam ser os melhores no trabalho com crianças”, desafiou a palestrante.

A criança na Igreja Metodista. Os Cânones consideram as crianças e dão estrutura ao trabalho com elas nos diferentes níveis da organização eclesiástica. “A Igreja Metodista tem a estrutura funcionando”, afirmou a educadora.

O ministério local de trabalho com crianças é um dos ministérios obrigatórios na estrutura local. Nos documentos, a criança é prioridade na missão da igreja. Está incluída nos sacramentos da ceia e do batismo. Temos a pastoral norteando o atendimento à criança. “De papel estamos bem”, disse Rogéria. Apesar da excelente documentação, a prática deixa muito a desejar, pois os professores estão despreparados. “As regiões oferecem cursos de capacitação, a área nacional oferece capacitação, mas as igrejas, sem generalizar, não participam”, desabafou.

Segundo Rogéria, uma estatística recente realizada com pessoas que trabalham com crianças revelou que cerca de 70% iniciam neste ministério tendo menos de dois anos como membro da igreja. “O novo membro chega cheio de boa vontade e é logo colocado pra trabalhar com crianças. Mas essas pessoas não têm conteúdo para transmitir, não sabem o que dizer e como dizer”, alertou ela. Além disso, a educação infantil não é um ministério onde as pessoas permanecem, em média não se fica mais de dois anos. “Alguém para coordenar é a maior dificuldade. Por isso, aproveita-se o primeiro que aparece”.

A falta de experiência e preparo dos/as educadores/as reflete na espiritualidade dessas crianças e dos adultos que elas serão. “O trabalho feito com as crianças é o trabalho da fonte das águas. Se comprometermos esse trabalho, comprometeremos toda a vida do rio. Se ensinarmos errado quem é Deus para essa criança, comprometeremos toda vida espiritual dela. A relação que a criança tem com os professores vai definir a espiritualidade dela”.

 A criança no dia a dia das igrejas locais -  A terminologia “cultinho” é inadequada porque inferioriza esse momento cúltico. Rogéria sugere a visão de “culto com as crianças”, porque “os adultos que ali estão também estão cultuando a Deus com as crianças. Tem que ser um culto também”. Entretanto, a palestrante considera muito complicado retirar as crianças do convívio com os adultos durante o culto, usando o termo “exclusão”. Usa seu próprio exemplo como ilustração, lembrando como os momentos de culto eram marcantes para ela naquela comunidade onde se sentia incluída. “Para mim era um ato natural ir à igreja. Não queria outra coisa senão ter meu nome no livro. A igreja era minha família. Não entendo filho de crente que não fica na igreja. Na minha experiência, não deveria haver outra opção. Tenho lutado esse treze anos por isso,” declara. 

Sobre os ditos “cultinhos” ainda declara que “é uma reticência o trabalho feito nesses momentos. A igreja pensa que é um momento de distrair a criança para ela não incomodar. Nem o pastor sabe o que está acontecendo lá.” Outro problema diz respeito ao conteúdo que é ensinado para as crianças. “Falta um planejamento do conteúdo que será ensinado. Quando há revezamento de professores um não sabe o que o outro ensinou e as histórias são sempre repetidas.  Então se perguntam por que as crianças ficam tão desatentas, mas a resposta é muito simples: elas já decoraram a história de José!”. Outro problema observado é a dinâmica. “A criança precisa ser cativada com o conteúdo”, afirma.

 Ler a Bíblia com a Criança  - O objetivo é levar a criança a conhecer Deus e seu amor presente em Cristo. Aceitar este amor em sua vida, deixando Jesus ser seu Salvador e Senhor. “Não tenha medo. Use os recursos que domina. Seja claro ao falar, breve e objetivo. Use um linguajar que ela possa entender. Fale normalmente sem utilizar voz infantil.”

 A manifestação do público foi a mais emocionante dentre todas as oficinas. Foi unanimidade a menção de honra à organização por se lembrar das crianças. A Pra Gladys, da 3aRE, contou sua experiência de mãe de um casal de filhos, sendo o mais velho com necessidades especiais. “Meus filhos sempre estiveram no culto comigo. Muitas vezes tive que pregar com um no colo, ou balançando o carrinho, mas hoje continuam no caminho do Senhor!”. O seminarista Rafael, da 1aRE, contou seu testemunho de como o trabalho realizado com as crianças impactou sua vida. “Lembro-me de todas as músicas que cantava enquanto aluno da Rogéria lá na 1a região. Com elas aprendi a Bíblia, o metodismo e a amar a Deus e o meu próximo. Hoje na igreja, se peço para as crianças cantarem uma música, elas só conhecem as letras vazias dos cânticos divulgados pela mídia. Preocupo-me com a educação cristã dessas crianças. Eu nunca saí do caminho do Senhor e agradeço a Deus e a você, Rogéria, pelo seu ministério”, declarou ele bastante emocionado.

Texto e fotos: Rafael Oliveira

OFICINA 24.05.11

Reportagem de Rafael Oliveira

A BÍBLIA NO COTIDIANO DA IGREJA

Oficina promovida pelo Centro Acadêmico John Wesley.

A tarde da terça-feira, dia 24/05, dia da experiência de John Wesley, foi o dia escolhido para que os  participantes da Semana Wesleyana compartilhassem suas experiências comunitárias de leitura bíblica, nas oficinas realizadas no período da tarde.  Quatro alunos inscreveram-se para apresentar o assunto a partir da vivência em suas igrejas locais. Um pastor adventista, aluno do curso EAD, também contribuiu com sua experiência.

 1o TEMA: Bíblia como fundamento para a inclusão socialperspectiva de inclusão na prática de Jesus em Lucas 17,12-14.  

ROBSON LUIS – 2º ANO MATUTINO – 6a RE

Abordagem:

Na sociedade judaica do tempo de Jesus, os leprosos, assim como outros enfermos, eram colocados à margem da sociedade, excluídos e deixados para morrer.  Eram impossibilitados de trabalhar, de se relacionarem com os “sãos” e de participar da vida religiosa. A passagem de Lucas 17,12-14 mostra que a preocupação de Jesus era permitir que essas pessoas participassem da vida social. Diferentemente de outras passagens onde ele diz “seja curado” ou “seja conforme sua fé”, aqui ele diz: “Mostrai-vos aos sacerdotes”.  A cura para essas pessoas significou a restauração da dignidade. Agora elas podem voltar a trabalhar e se relacionar com outras pessoas.  Jesus está propiciando restauração da vida social, do gozo dos direitos.

A exclusão é uma realidade anterior ao período histórico de Jesus, mas ainda é discutida sem se chegar a um consenso sobre como praticar a inclusão social. A proposta do palestrante é recorrer ao texto bíblico para responder a essas perguntas.

“Jesus não realiza práticas generalizantes e difusas, nem quer impressionar o povo com seus poderes extraordinários. Suas ações beneficiam diretamente as pessoas. A intervenção de Jesus visa à reabilitação social.” A igreja hoje tem que influenciar a prática voltada à reabilitação social, não só dentro da igreja, mas influenciando a sociedade em geral. Ou seja, praticar ações “pautadas no exemplo de Jesus. Saúde, lazer e moral: a igreja precisa se preocupar com isso.”

“Vivemos hoje conflitos com a política, mas a prática da igreja tem que se posicionar em relação a ela, a fim de exercermos missão evangelística e de apoio” possibilitando melhorias necessárias a essas pessoas.  “Jesus não se preocupa diretamente com a cura, mas diz:  ´vai e mostra-se ao sacerdote´.  Ao irem  até Jesus as pessoas eram curadas porque a cura era necessária para essas pessoas fossem incluídas naquela sociedade.”

“A partir do texto bíblico precisa-se encontrar inspiração e estratégias para se fundamentar a prática da igreja no cotidiano em relação aos marginalizados.”

“Uma  pessoa  que passa pelo processo de ser incluída já passou por um processo de exclusão. Por isso a palavra aceitação traz novas perspectivas”. Nossa atitude com um diferente deve ser uma atitude de aceitação permitindo a ela/ele o acesso a todas as áreas da vida. “Acessibilidade e aceitação são fundamentais para uma prática inclusiva”. É premente “aceitar aquele que é diferente e permitir a ele o acesso a vida em toda sua integralidade.”

“O pecado tornou-se prática fundante para a exclusão social”. “Precisamos trabalhar aceitando o pecado e a partir da inclusão permitir-lhe acesso a palavra de Deus”. A partir dessa integração podemos possibilitar a mudança e melhoria de vida em toda sua complexidade.

 

COMENTÁRIOS DOS PARTICIPANTES

CLAUDECIR, PASTOR, 5ª RE No texto utilizado, para ser incluído era necessária a cura e hoje não há necessariamente a questão da cura no sentido prático da palavra. Algumas tentativas de inclusão acabam sendo excluídas devido à ansiedade que há em se incluir. Por exemplo, o governo emite uma normativa tirando da APAE a condição de dar a educação aos de “necessidade especiais”, passando essa atribuição à escola pública dita normal. O problema é que a escola não está preparada para receber essas crianças. Vejo que quem realmente incluía era APAE.

SIMPLÍCIO, 3ª RE Ressaltou a importância de enfatizar a prática nos processos inclusivos. Criticou a baixa operância da igreja diante do excesso de teoria. “Precisamos colocar em prática a teoria”.

JOAO MARCOS, PASTOR, 4ª RE “Estão os pastores e pastoras preparados para acolher e ressocializar? Sempre prego que temos que estar preparados para receber pessoas vindo elas como estão, mas esse ano estou passando uma experiência interessante.  Entrou uma pessoa para a igreja que coordena um centro de reabilitação e perguntei como a questão religiosa e espiritual era trabalhada ali. A resposta foi que não havia um trabalho fixo nessa área. Começamos então a trazer para a Igreja os mais avançados no processo de recuperação. Para minha surpresa, a comunidade não estava preparada pra receber essas pessoas.”

O pastor João Marcos enfatizou a importância do novo ciclo de amizade para quem está em tratamento dizendo que as pessoas que estão em tratamento não querem voltar para o ambiente onde estavam, mas desejam um convívio novo. “Estamos vendo na igreja essa oportunidade de ter esse relacionamento com vocês”, é o clamor deles. Entretanto, “muitas vezes os pais dos meus jovens fizeram cara feia. Não gostariam que os filhos deles se relacionassem com aqueles que estavam sendo recuperados. Agora é preciso me preparar para ensinar a igreja a acolher e socializar esses jovens”, concluiu.

 

 ROSÂNGELA, SEMINARISTA, 1ª ANO, 3ª RE – “Muito importante a colação do Claudecir.  Como professora da rede estadual vejo bem essa situação. Os alunos foram jogados. Essas crianças com deficiência foram jogadas dentro da sala de aulas. Há 3, 4, 5 crianças com necessidades completamente diferentes. Os professores não estão preparados para recebê-los. Nossa igreja também não está preparada.”

“Nós, como metodistas, temos a visão wesleyana de recuperação dos oprimidos. Essas crianças precisam de socorro. Há pais que não sabem como cuidar delas.”

“Como igreja deveríamos formar pessoas e lideranças olhando para essas vidas. Os próprios membros, por falta de amor e conhecimento,  têm medo que uma pessoa tenha um ataque epilético dentro das igrejas.”

Nesse ponto, o palestrante ainda ressaltou a questão dos homossexuais e dos dependentes químicos. “Não estamos preparados para lidar com essa situação. Precisamos parar e pensar que precisamos nos preparar. A igreja precisa estar preparada a se tornar o espaço onde essas pessoas farão novos amigos e amigas,  proporcionando uma firmeza nessa relação.”

LUCIO, PASTOR, 4RE “Quando a pessoa volta para o ambiente anterior o trabalho está perdido. Venho de uma realidade onde criamos um trabalho e acompanhamos bem essa realidade.”  O pastor Lúcio ressaltou a importância do trabalho de capacitação que deve ser feito junto à família daqueles que estão no processo de desintoxicação. Declarou  que, infelizmente, hoje há muita “terapia religiosa com base na lavagem cerebral”.

Oficina 2

BISPO JOÃO ALVES, 5ª RE “Queria sugerir na sua pesquisa que fosse possível incluir o índice intolerância. Porque, lamentavelmente, hoje vivemos todo tipo de intolerância mascarada, sublimada em nome do evangelho que não cura e não salva ninguém.”

PROF. HELMUT: Comentou sobre a ênfase errônea da necessidade prévia de capacitação/curso para depois a ação. Declara que o aprendizado durante o conflito, com avaliação posterior, é muito mais eficaz. Reforçou que “o que mais nos atrapalha é o medo da dificuldade de enfrentar nossa vulnerabilidade”.

2o TEMA: A Bíblia: do papiro ao byte.  CARLOS ALBERTO– 2º ANO NOTURNO – ASSEMBLEIA DE DEUS

“Tenho certeza que vocês já ouviram a frase:  ‘Vamos abrir as nossas bíblias’. Como vamos trabalhar isso no futuro próximo ou já no nosso contexto? Talvez a frase centenária esteja com seus dias contados. A  Bíblia Sagrada vem se apresentando cada vez mais na forma eletrônica. Essa questão precisa ser trabalhada”.

A partir dessa introdução, o palestrante trabalhou a questão da evolução dos aparelhos eletrônicos e dos meios de comunicação, principalmente a internet, como um fato irreversível, e da necessidade de adequação da igreja.

Conflito semelhante foi vivido quando da primeira versão impressa da Bíblia – A Bíblia de Gutemberg , de 42 linhas. Os livros sagrados sairiam dos rolos e pergaminhos considerados santos pelos judeus, para se consolidar como o “livro de capa preta, volumoso, de borda dourada e uma fita de marcação”, que então se consagrou no imaginário popular. 

A discussão hoje é a passagem do papel para o digital. “Netbook ou notebook podem se conectar aos sites que disponibilizam a Bíblia on line. Pastor, fique esperto!”, brincou o palestrante, dizendo que durante o sermão tudo o que se fala pode ser verificado instantaneamente no Google.

“A pergunta é: ‘O que é profano?’ Talvez essa palavra seja forte, mas o que é profano? A Bíblia de Gutemberg em relação ao papiro e pergaminhos (...) ou a e-bible?

“As atualizações são inevitáveis: o recolhimento de dízimos com o cartão de crédito ou de débito já é uma realidade. Essas questões estão no dia a dia e cabe a cada um trabalhar isso e interagir. ‘É um processo irreversível’.”

COMENTÁRIOS DOS PALESTRANTES

BISPO JOÃO “Estive em uma igreja onde o pastor usava um ipad no púlpito. Não estava usando a Bíblia. Em algumas igrejas é comum aproveitar-se da informática para projeção das leituras assim como dos hinos. O mais importante é a palavra que vai ser lida ou a forma como a palavra vai ser apresentada?

CLAUDIO FREIRE , PASTOR, 2ª RE. “Igreja do lar foi indicada (durante uma pesquisa) pelo Google. É uma igreja virtual, você pode ter pastor, pode comprar o ‘kit santa ceia’. Se você está decepcionado com a igreja nós somos a solução. É a discussão “forma x essência”. Como trabalhar a forma para ser relevante no mundo hoje, mas ao mesmo tempo não perder a essência? Essa é a grande questão. Mudar a forma e manter a essência.”

SAMUEL, 1RE, 2º ano. “Estava pregando e vi uns jovens pegando o celular. Vou colocar os versículos no telão, pensei.  Mas achei não certo porque desestimularia as pessoas a lerem a Bíblia. Um amigo me fez um comentário que chamou bastante atenção. ‘Precisamos nos desenvolver. Hoje as igrejas usam bateria, instrumentos eletrônicos, etc’.”

MARIA NEWNUM, 6ª RE, professora de teologia. “Tivemos um grupo em nosso seminário que era skatista. Precisei me adaptar àquele contexto usando uma roupa mais aproximada a realidade deles, por exemplo, e uma linguagem também diferenciada. Acho que é tão bacana pensar naquela idéia que a gente mesmo sacraliza a Bíblia, mas como essa Bíblia vai chegar até as pessoas? O papa agora faz missas virtuais e ele abriu um hotsite para bate-papo com jovens. E os jovens estão perguntando de tudo, inclusive questões de homofobia. À medida que há necessidade de levar a palavra precisamos desvestir um pouco do preconceito.”

O palestrante encerrou a apresentação com a declaração: “O diferente nem sempre é diabólico”. 

3O TEMA. Experiências pastorais no presídio de Santana. Pr. Paulo, 3oano EAD, adventista.

“Temos realizado um trabalho junto às detentas do presídio feminino de Santana. Muitas pessoas têm preconceito de entrar lá e lidar com pessoas que fizeram coisas erradas. Quando entrei pela primeira vez naquele lugar, me emocionei muito. Não chorei na frente delas. É triste depois de falar de Jesus ver sete portões se fechando atrás de você. Vi Jesus naquele lugar, e Ele me disse: estive preso e fostes me ver. Foi muito importante. Estamos trabalhando lá há seis anos. Alguns se batizaram e estão fora daquele lugar e dentro da igreja. Como instrução,  os aconselhamos a não contar o história da vida deles porque há rejeição dentro da igreja.  ‘Quando quiserem dar o testemunho da sua vida estejam plenamente convertidas porque vocês vão receber apoio mas também muita rejeicão de muitos membros da igreja.’ A comunidade cristã tem essa rejeição de boa parte do povo “de fora” , imagina quem está preso”, disse o pastor.

“Há uma moça que era dona de casa, como a maioria das mulheres da Igreja. A comunidade que ela vivia era um local não muito agradável. A favela não é um local agradável. Dona de casa, responsável, estava morando naquele local por falta de oportunidade de morar em local melhor. Houve uma desavença entre a vizinha e sua filha pequenina. A menina tinha 6 anos e a moça que teve a desavença era de má índole e começou a agredir a filha dela. Mãe é uma leoa para defender seus filhos e partiu pra cima da outra com o que tinha na mão. Ela, como dona de casa, tinha uma faca na mão. Ela esfaqueou a moça, não matou. Uma dona de casa acabou sendo presa em flagrante. Passou presa 8 ou 9 meses e nesse ínterim falei para ela: ‘Deus tem um plano na sua vida, se não tivesse você não estaria aqui e você está indo para o caminho do batismo’. Essa moça antes não cria em Deus. Ela conheceu Jesus e hoje está na igreja”, testemunhou o pastor Paulo.

“A arte do pequeno grupo é muito importante na vida da igreja. Quando se funda um pequeno grupo, acaba-se fundando uma pequena igreja naquele lugar. Dentro do presídio há 6 pavilhões. Fundamos em cada pavilhão uma igreja. O interessante não é a quantidade, mas a qualidade de quem você tem lá dentro. Oramos por essas pessoas, pedimos que Deus as ajude. Pedimos que elas tenham liberdade física e espiritual. Na nossa igreja entram 3 e saem 4, porque são soltas. Então a Igreja nunca cresce, mas muitas pessoas já conseguiram a liberdade provisória ou foram inocentadas. Nós, como alunos de Jesus. procuramos a qualidade ao expressar o Evangelho às pessoas.”  

 

COMENTÁRIOS DOS PARTICIPANTES

MARIA NEWNUM, PROFESSORA DE TEOLOGIA, 6aRE. “Gostei da sua fala porque percebo que o trabalho de vocês vai além do aspecto religioso. Em Maringá tínhamos um caso em que mulheres presas estavam em outra cidade em condições degradantes. Estavam dormindo do lado de fora na época do frio. Através do Conselho Municipal de Mulheres conseguimos trazê-las para Maringá para um espaço que era do presídio local e passaram a ser assistidas pela OAB. É importante envolver os conselhos municipais. No nosso caso, envolvemos o Conselho da Mulher e a OAB. Muitas vezes há pessoas na igreja que são advogados. É difícil visitar uma cela de prisão. É preciso uma estrutura muito forte. Pensar que podemos desafiar as pessoas para exercer outros talentos, como correr atrás da OAB, dos conselhos. Em Maringá há empresas acolhendo essas mulheres. É um trabalho que conseguimos através dos conselhos.”

O pastor Paulo concordou com a professora Maria e discorreu sobre as dificuldades enfrentadas para desenvolver esse tipo de trabalho. “No presídio entra droga, bebida alcoólica, mas para a igreja entrar é difícil. Existem várias exigências. É difícil conseguir advogado que se disponha a ir ao local. Tem que marcar entrevista com a diretora do presídio se quiser levar um grupo de louvor, por exemplo. Tudo o que pensar de empecilho é o que encontramos.”

 

4o TEMA: A Bíblia como instrumento de libertação dentro da comunidade de fé.

WANDERSON – 1o Ano - 1aRE

O palestrante partiu da pergunta: Qual a representação da Bíblia no cotidiano da igreja?

“Em cada lugar em que passe como membro, a Bíblia tinha uma representação diferente. Qual o significado desse livro que mostra a revelação de Deus? O texto base que proponho é o de Jo 8.32. ‘Conhecereis a verdade e a verde vos libertara’”.

O palestrante identificou a Bíblia como instrumento da revelação divina, como instrumento do conhecimento sobre Deus e sobre seu caráter. “Percebo hoje que Deus sempre tem um caráter diferente em locais diferentes. Deus age de formas diferentes. Gera em nossa mente um confronto porque esses deuses batem de frente um com o outro. As palavras de Jesus é que existe somente um Deus e na perspectiva do evangelho de João é o Deus que quero compartilhar. Segundo o palestrante, a  Bíblia também pode ser apresentada como instrumento de opressão. “A Bíblia por si só não traz exemplo de opressão, mas se torna ruim quando está na mão do homem”.

Quando a Bíblia é utilizada para praticar ideologia ou justificar conveniências, acaba sendo usada como instrumento de opressão. “Inúmeras pessoas a usam para transmitir a mensagem que querem e, assim, oprimir, prender e subjugar as pessoas.”

“No evangelho de João, Jerusalém é o símbolo da opressão religiosa. No meio evangélico isso ainda acontece. Existe caso de lideranças que usam a Bíblia como ferramenta manipuladora, criando faces de Deus para satisfazer seu bel prazer. A Bíblia como instrumento de manipulação funciona. Pessoas usam o lado místico da fé para atingir seus próprios desejos.”

“A minha visão de Bíblia no cotidiano da igreja é a palavra como instrumento de libertação do ser humano. Trazer o ser humano a pensar que Deus não quer que o ser humano sofra. A Bíblia como instrumento de libertação nos leva ao mundo real. Tira-nos um pouco do mundo místico. Para chegar a essa conclusão usei a alegoria do mito da caverna. Quando um homem se libertou e saiu da caverna percebeu que o que via era sombra do mundo real. Quando retorna a caverna para libertar os demais é morto.” Da mesma forma Jesus foi morto por promover a libertação.

“A igreja que percebo das vivências que tive não conhece a palavra de Deus. Essas pessoas não conhecem Deus. Preferem aceitar um jugo imposto sobre elas por pessoas como justificativa de ser a palavra de Deus. Eu não sei hoje qual o papel da Bíblia no cotidiano da igreja.”

“A Bíblia tem que ser o instrumento que alimenta, e transforma o mundo.”

 

COMENTÁRIO DOS PARTICIPANTES

FRANCISCO, PASTOR, 6A RE. Sugere um outro ponto na apresentação: “sobre aqueles que usam a Bíblia como instrumento de libertinagem. Pegam o discurso sobre o amor, muito enfatizado na Bíblia, a postura de Jesus com a mulher adúltera para ‘justificar’ essa questão.”

CLAUDECI, PASTOR METODISTA, 5ª RE. “Há um provérbio que diz que entre a minha verdade e a tua verdade há aquela que é a verdadeira. A verdade verdadeira é a verdade bíblica, é a verdade de Deus. Tenho comigo que o estudo teologia tem esse objetivo. É uma faca de dois gumes porque o estudo de teologia busca aprofundar o conhecimento bíblico para estruturar o pensamento e aproximar esse conhecimento da verdade. Ou se aproxima da verdade ou cai fora e torna-se herege. Ou se fecha a esse conhecimento e corre o risco de interpretar a Bíblia ao bel prazer. No meu tempo, muitas pessoas vinham para a faculdade e não se permitiam aprofundar-se no conhecimento bíblico. Na igreja local, tento interpretar e dar um direcionamento para aquilo que creio, mesmo correndo o risco de escandalizar naquele momento. Hoje há o desafio de não termos medo do aprofundamento do texto teológico. O desafio é não se fechar ao conhecimento bíblico profundo. Hoje há uma superficialidade do conhecimento bíblico.

IVARDA, PASTORA, 5a RE. “As pessoas estão sendo manipuladas e isso é notório”. Muitas pessoas são levadas a fazer coisas que não gostariam de fazer. Vejo na nossa igreja uma ênfase muito grande ao louvor, adoração e quando o pastor vai pregar todos estão cansados e não prestam mais atenção à palavra da libertação. O que fazer para despertar mais o desejo de ler e estudar, além do desejo de louvar, adorar etc.?”

RAFAEL, 1oANO, 1aRE. “A cultura do brasileiro é estar acostumado a engolir tudo que nos oferece. É dessa forma que somos ‘educados’ desde a escola primária, recebendo o conhecimento de forma superficial, sem reflexão, sem a construção do pensamento. Essa é a mesma realidade experimentada na igreja. Falta o conhecimento profundo da palavra. É preciso repensar a educação cristã. As reuniões de estudo bíblico, de certa forma, não existem mais; a Escola Dominical está defasada; o estudo em pequenos grupos é conduzido por pessoas despreparadas. Enfim, a superficialidade impera nas igrejas, como reflexo das mazelas da nossa sociedade. O que fazer como igreja? É preciso agir!”

Respondendo aos comentários, o palestrante posiciona-se contra os que “usam a Palavra para forjar um conhecimento. Aceitação do homossexualismo usando a palavra pra justificar é usar a Bíblia para opressão”, disse ele.  O palestrante enfatiza que a palavra deve ser pregada na essência e no caráter de Deus. A ênfase deve ser o amor. “Não é um amor que você tenha que amar as práticas que todos cometem. Há um chavão que diz: “Deus não ama o pecado, mas ama o pecador.”

Sobre a questão da educação religiosa superficial, o palestrante completa: “ A pessoa é educada a engolir o que é ensinado. Se usar a palavra filosofia na igreja, por exemplo, ouvirá alguém dizer:  ´isso é coisa do demônio´ou  ´filosofia não tem nada a ver com a fé’. Não tenho apontamento para solução. A questão da superficialidade do ensino é culpa de quem? De algum lugar tem que partir uma postura de mudança.  Hoje, quem tenta transmitir algo mais profundo é rejeitado.”

“Nosso desafio é pagar o preço da pregação da verdade. O evangelho de Jesus Cristo não era um evangelho que dava ibope, mas o evangelho da cruz.”

 

5o TEMA: INCLUSÃO À MESA. CARLOS EDUARDO – 3OANO – 1ARE

O palestrante traçou um paralelo da questão sócio-cultural do partir do pão para a comunidade judaica com a necessidade da inclusão hoje, principalmente daqueles que passam fome devido às mazelas do sistema capitalista.

“Pão é muito significativo para a Bíblia e para o cotidiano. Pão sempre foi alimento básico da mesa de Israel. Participar da comunhão da mesa era participar da bênção de Javé.”

“A ceia na igreja primitiva tinha uma significação enigmática. O amigo dos publicanos e pecadores levava a presença e a misericórdia de Deus na comunhão da mesa.”

“Hoje há alimentos suficientes para todos e a fome ocorre devido à má distribuição da renda. O grau de concentração da terra no Brasil é um dos maiores do mundo. Dos 32 milhões dos que passam fome no Brasil, metade vive no meio rural, outros 75 milhões se alimentam de forma precária. Somos desafiados a trazer à inclusão na mesa da salvação milhares de homens e mulheres.”

“Desafio é a mesa que inclui. Precisamos oferecer uma mesa de salvação. Direito de comer é direito de participação na salvação que não pertence a nós, mas vem de Deus.”

Oficina 3

 Professor Helmut Renders, do Centro de Estudos Wesleyanos e Rejane Gama, presidente do Centro Acadêmico João Wesley: parceria que permitiu aos estudantes a possibilidade de compartilhar experiências práticas do estudo da Bíblia na comunidade de fé.

 

 

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