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As igrejas na ditadura: Diário do Grande ABC faz cobertura de Diálogo Comunitário na FaTeo

13/09/2013 13h20 - última modificação 13/09/2013 13h35

“Pai do ministro Padilha diz que os protestantes ajudaram golpe militar”. Essa foi a chamada de capa pela qual o jornal Diário do Grande ABC instiga o público leitor a ler a reportagem de uma página inteira sobre o Diálogo Comunitário ocorrido ontem, dia 12 de setembro, no auditório Ômega da Faculdade de Teologia. Na mesa composta pelos metodistas  Anivaldo Padilha e Magali do Nascimento Cunha,  integrantes da Comissão Nacional da Verdade, a revelação de que pastores e bispos de igrejas evangélicas  apoiaram o golpe militar de 1964 foi um dos temas abordados.  A reportagem destaca o fato de que instituições religiosas, fortemente influenciadas pela cultura norteamericana, propagaram o discurso anticomunista em seus púlpitos e serviram aos interesses da ditadura, inclusive como delatores de militantes contrários ao regime. Segundo documentos encontrados no arquivo do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), Anivaldo Padilha foi denunciado pelos irmãos José Sucasas Júnior e Isaías Fernandes Sucasas, respectivamente pastor e bispo da Igreja, já falecidos.

As informações que ganharam destaque no jornal dessa sexta-feira podem não ser novidade para as pessoas que têm acompanhado de perto o trabalho realizado pelo Grupo de Trabalho “O papel das igrejas no período da ditadura militar” ou mesmo a cobertura que os meios de comunicação têm dado à Comissão da Verdade.  O grupo de estudos coordenado por Anivaldo Padilha já se dedica há dois anos à pesquisa de documentos oficiais que comprovam crimes cometidos pelo governo militar. Contudo, dentro das igrejas, o tema ainda é pouco discutido.  Talvez por ainda imperar a cultura do silêncio criada durante a ditadura, questão que a reportagem do Diário também destacou. Por isso, a realização do evento na Faculdade de Teologia da Universidade Metodista e sua divulgação com destaque no primeiro caderno de um jornal da região têm uma importância histórica: enquanto se quebra o silêncio, a memória retorna e antigos fantasmas podem ser superados. “Falamos de um passado mal resolvido que deixou marcas, feridas não cicatrizadas. Sou de um tempo em que se usava a palavra revolução, em vez de ditadura. Era uma mentira para silenciar a memória”. Não por acaso, o tema do Diálogo Comunitário, uma realização do Programa de Extensão da FaTeo, teve como lema as palavras “memória, verdade e justiça”, e, como  inspiração um conhecido  versículo proferido por Jesus – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:32)”.

“A ditadura não acabou. Ainda existe nas instituições. O autoritarismo ainda é uma realidade”, afirmou a professora Magali Cunha, lembrando que o recente caso do desaparecimento de Amarildo de Souza, detido pela polícia durante manifestações no Rio de Janeiro,  remete ao desaparecimento dos presos políticos no período da ditadura, uma das ênfases do trabalho realizado pela Comissão da Verdade.  Para a professora, resgatar a memória é um processo de libertação necessário para que a igreja prossiga no caminho da justiça. “Estamos aqui para lembrar, não com espírito de rancor e vingança (que pertence a Deus) mas com amor, que é o contrário do poder”, enfatizou a professora.

O amor pela comunidade de fé também recebeu destaque no Diálogo Comunitário e na reportagem feita pelo Diário. Durante o Diálogo Comunitário, perguntado por que continuava a frequentar a Igreja Metodista, Anivaldo fez questão de demonstrar a distinção que faz entre comunidade de fé  e  instituição eclesiástica. Como qualquer instituição, lembrou,  igrejas não são imunes aos esquemas de poder reinantes na sociedade.  Ele é membro da igreja no bairro de Vila Mariana e testemunhou: “Temos uma comunidade cristã forte, que procura ser fiel ao Evangelho, que tem consciência crítica e coragem de dizer não a qualquer tirania, inclusive às que ocorrem dentro da Igreja”.

Suzel Tunes/FaTeo



Para ler a reportagem do Diário do Grande ABC acesse
http://www.dgabc.com.br/

A palestra da professora Magali, na íntegra, em seu blog Mídia, Religião e Política

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Foto: Luciana de Santana/FaTeo

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