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Artigo: Desafios do trabalho indigenista

19/04/2012 14h15 - última modificação 19/04/2012 14h15

Revda. Maria Imaculada C. Costa, Referência da pastoral indigenista da Igreja Metodista no Brasil, responsável pela Missão Metodista Tapeporã junto com Rev. Paulo da Silva Costa

A cada passo que damos e a cada ano que se passa, ficamos estarrecidos com novos males que atingem nossas vidas com o objetivo de vermos anulada a graça de Deus na busca pelo ser humano, seja ele: indígena, negro ou branco. Não tem sido esta realidade diferente no que diz respeito ao povo indígena: Kaiowá/Guarani, Terena e, penso, que posso acrescentar todos os outros povos indígenas em nosso país.

O bispo João Alves, hoje, emérito e na época, bispo da 5ª Região Eclesiástica e representante do Colégio Episcopal junto ao GTI (Grupo de Trabalho Indigenista da Igreja Metodista) em sua palavra de apresentação do documento da Igreja Metodista “Diretrizes Pastorais para a Ação Missionária Indigenista” (1999), escreveu: “A cada dia que se passa somos confrontados com situações que exigem de nós uma fé genuína e verdadeira e, para tanto, torna-se necessário estarmos preparados para colocar em prática esta fé que temos em Deus”.

Isso porque, aos males que muitos dizem antigos, que atingem aos povos indígenas como: roubo da terra, das matas, dos rios, da caça, anulação de sua forma de ser, ensinar festejar, somam-se os chamados males atuais: ingerência da bebida alcoólica e drogas. Tudo isto tem, com uma velocidade incalculável, destruído a dignidade dos seres humanos e exterminado essas populações.

Desses males atuais surgem os suicídios e os homicídios que têm se dado com requinte de crueldade. Os fatos mostram que os indígenas assimilaram muito bem nossa fala e prática de que eles não têm valor e nada do que é deles é de valor.

Dia 24/2/12, sexta feira, eu havia terminado o momento de ensaio com a mocidade e caminhava pra casa onde fico na aldeia. Quando, olhando pra trás, vi Bruno, um menino de 15 anos, sentado atrás do centro de capacitação e voltei. Comecei a conversar com ele sobre o perigo de se transitar pela aldeia à noite e também sobre o cigarro que anda destruindo sua saúde.

Durante a conversa ele disse também fazendo movimento com os ombros que se morresse, morreu! Não tem problema nenhum se alguém matá-lo ou se morrer em função do cigarro, confirmando assim essa falta de valorização ao bem maior que reconhecemos como dádiva de Deus. Mas, para minha alegria, no dia seguinte ele iniciou sua caminhada conosco no projeto “Sombra e Água Fresca”.

Os metodistas desde seus primeiros passos com os povos indígenas fizeram a opção de caminhar com as comunidades em suas necessidades básicas diárias, mostrando a esses povos o quanto são amados e que nos sentimos responsáveis por suas lutas, pois fomos chamados como parceiros/as de caminhada.

Por isso, a Igreja optou pela Pastoral de convivência, onde seu/a representante deve estar presente com a comunidade. E a partir dessa proposta, desenvolveu-se Programas de Apoio: Roça Comunitária, Saúde Preventiva, Vaca Mecânica com produção do leite de soja, Artesanato, Apoio a Educação Bilíngue e escolar e Projeto Odontológico Campestre e outros.

Assim temos afirmado este chamado: Exercitando a solidariedade, proclamando o quanto Deus ama esses povos e como Ele deseja que tenham vida e vida abundante.

Foi desta forma que a Igreja Metodista agiu ao responder ao seu chamado para trabalhar junto e com os povos indígenas no centro-oeste.

Enviou para Dourados em 1928 um médico, Dr. Nelson de Araújo, e um técnico agrícola, Francisco Brianezi, formando a “Associação de Catequese” junto com a Igreja Presbiteriana do Brasil e Independente. Nessa caminhada não podemos nos esquecer de nomes como Pastores: Francisco Antonio Correia, Sérgio Marcus Pinto Lopes, Thimóteo Campos dos Santos, Scilla Franco, professora  Lídia dos Santos, Wilma Roberts,  Áureo Brianezzi.

Por fim, quero me dar à liberdade de fazer essa afirmação: penso que nada que acontece na vida do cristão/ã ser por mero acaso, coincidência ou coisa parecida e fico a me questionar o fato da comemoração da páscoa e da semana dos povos indígenas acontecerem no mesmo mês. O que o Senhor está querendo nos dizer?

E a resposta vem à minha mente e quero crer que seja um lembrete constante à Igreja Metodista do seu compromisso e da necessidade de renovação. Que o Senhor da Vida nos abençoe! Amém.

Fonte: jornal Expositor Cristão

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