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Aproximações e distanciamentos teológicos no diálogo de Wesley e Calvino

20/05/2016 17h15

 

Na quarta (18), o Dr. Justo González abordou o tema: Wesley e Calvino, pontuando a crítica que Wesley fez ao reformador de Genebra e como ele se relacionou com a doutrina calvinista, especialmente com os pontos do Sínodo de Dordecht.  Além de realçar que as críticas em relação a Calvino se referem, principalmente ao modo como ele tratou a Miguel Servet, que acabou queimado como herege, depois do concílio de Genebra.

 

 

Todas as conferências foram precedidas de momento devocional. Na quarta, a bênção foi impetrada pelo Bispo Paulo Lockmann

 

González citou trecho do diário de Wesley, de 1741 e o quanto ele entendia que Calvino se equivocara a respeito de Servet. “ [...] informe de Calvino acerca do caso Miguel de Servet que inclui várias cartas de Servet. Nelas, ocasionalmente, Servet declara: ‘Creio que o Pai é Deus, que o Filho é Deus, e que o Espírito Santo é Deus’. Mas o senhor Calvino o pinta como um monstro que nunca foi [...]”.

 

 

Portanto, diz González, as principais críticas de Wesley a Calvino não tem a ver com doutrinas, mas em especial ao caso Servet. Na verdade, a maioria das referências de Wesley ao teólogo francês são positivas. “O conflito de Wesley não é particularmente contra Calvino, mas sim contra o calvinismo, como era conhecido na Inglaterra do século dezoito, que se resume nos cinco pontos do Sínodo de Dordrecht, de 1619”, com isso falando da predestinação, da expiação de Jesus Cristo limitada apenas aos predestinados, a corrupção total do gênero humano, a graça irresistível e a perseverança dos santos.

 

 

Contra esses pontos, em especial a predestinação Wesley dizia que não poderia crer que “haja alguma alma sobre a terra que não teve nem terá uma possibilidade de escapar à maldição eterna.” Quanto à graça irresistível, Wesley pontuava que não podia crer “que haja uma alma sobre a terra que não tem ou nunca teve, nenhuma outra graça senão a que, de fato, somente aumenta sua condenação, e que tal coisa seja o plano de Deus.”

 

 

Analisando estas e outras declarações de Wesley, González diz que, mesmo rechaçando o calvinismo estrito de Dordrecht, Wesley se dispôs a aceitar a predestinação no sentido de que há pessoas a quem Deus predestinou para certas tarefas. Ele também deixou aberta a possibilidade de que haja certas pessoas predestinadas para a salvação, mas absolutamente rejeitou a ideia de que existam algumas predestinadas para a condenação.

 

Profs. Eber Borges da Costa e José Carlos de Souza apresentaram a nova edição do livro Wesley e o povo chamado metodista, lançado pela Editeo

 

Ponto importante de diferença entre os reformadores Calvino e Lutero, a questão da presença real de Cristo na eucaristia, Wesley seguia a teologia de Calvino e fazia questão de celebrar a comunhão ao menos uma vez na semana, aos domingos, e por conta disso, não permitia que as sociedades metodistas se reunissem nesse dia.

 

O casal Joelma e Casé ladeando a Profa. Blanches, apresentam o livro Recheios da vida: receitas de amor e fé

 

Outro destaque é a questão da lei e do evangelho, acentuada por Lutero, como tensão dialética, mas que em Calvino é vista como continuidade. Segundo o professor, como Lutero, Calvino sustentava que o ‘primeiro uso’ da lei é fazer-nos ver nosso pecado, e assim nos levar ao evangelho. O ‘segundo uso’ da lei, que é refrear os malvados e manter a ordem social, também era  partilhado pelos dois reformadores.

 

 

O ponto discordante então, é o ‘terceiro uso’ da lei, como dar a conhecer aos crentes qual é a vontade de Deus. Para Calvino, quando os crentes ouvem a lei, já não o fazem como quem escuta condenação, mas como promessa de Deus e como orientação. Por isso, no entendimento de Calvino, partilhado por Wesley, o crente precisa fazer tudo quanto possa para que a ordem social se ajuste à lei. Isso impulsiona a comunidade a movimentos revolucionários.  Mostrando a postura de Wesley frente a esse ponto, Dr. Justo lembrou sua atitude em relação à escravidão e sua análise da injustiça, da corrupção da economia. Enfim, da ordem social na Inglaterra do século XVIII.

 

 

Este, entre outros pontos tocados como a perfeição cristã, abordada pelo Dr. Justo González, está no livro John Wesley em Diálogo com a Reforma, lançado durante a Semana Wesleyana. A Editeo também lançou a 3ª edição do livro Wesley e o Povo Chamado Metodista, de Richard P. Heitzenrater. Antes do encerramento dos trabalhos, na manhã da quarta, também foi lançado o livro Recheios da Vida: receitas de amor e fé, de Joelma Corrêa Dias de Souza, publicado pela Editeo Rio. Joelma é esposa do Bacharel em Teologia Carlos Eduardo Casé, formado em 2015 pela FaTeo.

 

 

Texto: Rose Rosa
Fotos: Ricardo Bissolato

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