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Agência Brasil destaca depoimento de bispo metodista na Comissão da Verdade

20/09/2013 12h05 - última modificação 20/09/2013 12h04

20/09/2013

A Agência Brasil, veículo da Empresa Brasil de Comunicação, vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, noticiou o depoimento dado pelo Bispo Paulo Ayres, professor da FaTeo, às comissões Nacional e Estadual da Verdade, nessa quarta-feira, dia 18, no auditório da Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro. A matéria destaca o alerta, feito pelo Prof. Paulo Ayres, de que seria injusto "demonizar" a  atuação de igrejas com a definição somente de que elas apoiaram o golpe de 1964 e a ditadura. Muitos integrantes, como ele, defendiam posições contrárias. “Tanto no caso da Igreja Metodista, como da Presbiteriana e da Batista, foram nossos próprios irmãos que agiram em nome da repressão contra nós, muitas vezes forçados até pela repressão do governo militar, mas havia gente que, por assumir posições contrárias ao que estava dominando no país, teve que pagar um preço. As igrejas não são corpos estranhos na sociedade”, esclareceu.

Segundo a reportagem,  o Prof. Paulo Ayres fez um relato sobre a participação das igrejas evangélicas no período e mostrou que o trabalho teve ligações com a Igreja Católica e com pessoas que não tinham religião. Na avaliação do teólogo, as informações que apresentou na audiência agregaram ao trabalho da comissão um resgate relevante porque, atualmente, as igrejas evangélicas passam por um período difícil. “As igrejas evangélicas hoje no Brasil passam por um período de trevas. É preciso que haja a percepção que nem todo evangélico é igual a Marcos Feliciano, que há evangélicos com posições em defesa da justiça, da liberdade, da solidariedade e da verdade”, disse.

Ayres defendeu que os torturadores do período da ditadura no Brasil sejam punidos. Ele contou que no período foi denunciado aos órgãos de repressão por um bispo da própria igreja que frequentava. “Alguns anos depois nos tornamos amigos e ele [o bispo que o denunciou] sabia que eu tinha conhecimento de que havia me denunciado, mas, mesmo assim, acho que ele tem que ser punido”, disse Ayres.

Na avaliação do professor, não haverá uma democracia plena no Brasil se os torturadores não forem levados à Justiça. “Senão vamos continuar tendo situações como 'cadê o Amarildo?' O que nos anos 1970 foi em relação aos presos políticos, hoje é em relação a qualquer cidadão, inclusive o Amarildo”, disse.

Para o coordenador do grupo de trabalho Papel das Igrejas durante a Ditadura da CNV,  Anivaldo Padilha, o depoimento do bispo Paulo Ayres apresentou elementos novos sobre a própria situação de perseguições e delações e mostrou a necessidade de reflexão sobre a complexidade das instituições religiosas, no caso, a composição das igrejas.

“Não se pode olhá-las como se fossem homogêneas. Elas têm dentro de si seus conflitos e suas diversidades e posições políticas e às vezes teológicas divergentes. Posições em conflito que se manifestaram na época da ditadura que extrapolaram as fronteiras da convivência democrática com posições diferentes. Foram setores da igreja que denunciaram seus irmãos e irmãs, setores que apoiaram a ditadura e setores que se opuseram”, disse.

Antes do depoimento de Ayres, a comissão exibiu o depoimento de dom Waldyr Calheiros, bispo emérito de Volta Redonda, região do Vale do Paraíba, que atuou na defesa dos direitos de trabalhadores e de agentes de pastoral presos durante a ditadura. Aos 90 anos e com problemas de saúde, o depoimento foi feito por meio de vídeo que teve a captação de áudio e de imagens da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O bispo disse que quem tomava posição sobre os problemas sociais era mal visto. “Quando não queriam mostrar as suas tendências, procuravam se esconder”, disse. Dom Waldyr contou episódios como o do ex-deputado Márcio Moreira Alves, que pertencia à pastoral universitária. Segundo o religioso, Márcio tinha posições claras e por isso foi perseguido e se complicou com o governo na ditadura e foi morar na França.

“Márcio tinha a sua mãezinha que por um acidente estava quase morrendo em situação dolorosa. Ele pediu para eu o acompanhar e conseguiram licença para o Márcio vir ao Brasil assistir ao enterro da mãe. Era uma concessão só para o enterro. Márcio não aceitou e manteve a sua liberdade de posição”, revelou.

Fonte: reportagem de Cristina Índio do Brasil e edição de Fábio Massalli, da Agência Brasil (EBC).


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