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O sonho de Rute Noemi: música para abraçar todo o mundo

23/10/2013 13h20 - última modificação 23/10/2013 13h23


Rute Noemi. Dois nomes bíblicos. Parece que na vida dessa metodista tudo tem que ser plural. Uma só palavra também é pouco para definir sua vida profissional:  teóloga, comunicadora, assistente social, educadora, artista...  Rute Noemi é tudo isso junto.  Também é uma sonhadora e, ultimamente, tem sonhado com a produção de um CD de músicas cristãs para crianças. Entre a produção de qualidade profissional,  divulgação e distribuição, ela calcula, por alto, que o projeto custará 40 mil reais. Talvez seja um valor até baixo perto das cifras astronômicas do mercado fonográfico. Para ela é muito, uma vez que no orçamento de quem trabalha com assistência social não costuma sobrar centavo no final do mês... Por isso ela resolveu produzir e lançar o CD de forma colaborativa, uma metodologia que tem possibilitado a existência de vários projetos alternativos na área cultural.  O projeto se chama “Quero abraçar todo mundo”, que é, também o nome do blog no qual ela conta detalhes do trabalho: http://queroabracartodomundo.blogspot.com.br/


Leia, abaixo, uma entrevista que ela concedeu ao site da FaTeo:


1)    Primeiro, fale um pouquinho de você. Qual é sua formação? Você tem formação na área educacional, teológica? Qual é sua atuação profissional no momento?

Minha formação é múltipla: Direito, Comunicação Social, Serviço Social,  mestrado em Serviço Social  e Teologia.  Também fiz teoria musical.
Nos últimos 8 anos,  atuei na Igreja Metodista  trabalhando com crianças: 3 anos em Vila Isabel, e mais 5 anos no Jardim Oceânico (Barra da Tijuca). Nesta última, já estava fazendo Teologia e trabalhei pastoralmente com elas. Foram trabalhos importantíssimos para o meu crescimento, pois estive dominicalmente,  sem férias,  ministrando com elas e para elas.  Estou desde 2011 aguardando nomeação episcopal para o pastorado.
Atualmente meu trabalho é como assistente social em um projeto do governo federal, chamado Justiça Comunitária. Coordeno, com mais duas profissionais, o núcleo da Cidade de Deus.

2)    E o seu envolvimento com música, quando surgiu?

Desde muito tempo. Nem sei dizer precisamente.  A igreja foi a primeira escola. Aos 10 anos de idade, meu pai era pastor em Campos, e  cantei  pela primeira vez numa rádio de lá: ganhei o prêmio!  Depois,  por volta dos 16 anos, já fazendo Teoria Musical, criei na Igreja Metodista em Realengo um grupo musical, um ‘coralito’. Aí não teve mais volta: a música está sempre presente!

3)    Sobre o projeto do CD? Como e quando ele nasceu?
Sempre soube que faria.  Recebi, em 1990, um belo cartão vindo do México cujo título da arte era: ‘quiero abrazar todo el mundo’, da artista Kiki Suarez. Ao me deparar com o cartão, meu coração aqueceu,  e disse pra mim: essa arte será a capa do meu CD!  Mas não tinha nem as músicas, só o desejo. Elas foram chegando de várias formas. Muitas delas chegaram  no meio de histórias e conversas  ministradas para as crianças, onde cabia uma canção para enriquecer a história, eu pegava o violão e elas chegavam. Depois aprimorava a letra e a melodia. Muito bom.

‘Como e quando ele nasceu?’

Ao mostrar as músicas, as reações eram sempre boas. As pessoas sempre comentavam e me perguntavam quando gravaria.... Ficava me cobrando, pois é um material  rico e eu precisava compartilhar. Mas não tinha dinheiro para gravar. Então criei um ‘evento’ no Facebook pedindo aos amigos R$3.000,00 (três mil reais) para gravar um CD Demonstração (com apenas 4 músicas), a fim de divulgar o trabalho e poder gravar o CD completo.
No dia seguinte à criação do evento, um amigo me enviou uma mensagem perguntando se ‘eu ficaria ofendida se ele bancasse integralmente’. Não fiquei, bem como entendi que a resposta, tão imediata, era uma confirmação divina do meu desejo e era a hora!
As músicas podem ser ouvidas nesse endereço:  https://soundcloud.com/rute-noemi


4)    Você é a autora de todas as canções? Como (e com quem) elas foram gravadas?
Sim, com exceção da melodia do Hino 165, do HE onde fiz  uma versão inclusiva:  Chamo as crianças, e não só os meninos, a  virem a Jesus....


‘Como (e com quem) elas foram gravadas?’

Contratei um músico profissional para fazer os arranjos e a direção musical.  Aí me cerquei dos amigos e irmãos na fé, que também são profissionais, e  aceitaram participar.  O dinheiro recebido foi repartido entre todos: o produtor, os músicos, a artista gráfica e até as três crianças que cantaram comigo (escolheram uma lanchonete e o lanche favorito delas), todos receberam, ainda que um valor simbólico. Gravamos num estúdio caseiro e depois fiz  70 cópias para divulgação. Posso afirmar que foi  um milagre conseguir fazer isso tudo com o valor levantado. Mais uma manifestação divina de que estou no caminho certo.


5)    Que objetivos  você tem com esse projeto?

Acima de tudo compartilhar as músicas que tenho feito para contribuir com o crescimento das crianças no caminho da espiritualidade. Tenho uma ligação orgânica com a minha igreja e poder contribuir também pela música é muito bom. E mais, creio que posso falar de Deus e dos valores do Reino de uma forma que difere  de algumas pessoas que têm feito música para crianças e optam por caminho comercial e uma linguagem  teológica muitas vezes esvaziada e equivocada.

6)    Por que resolveu financiá-lo de forma colaborativa? Os 40 mil reais são os valores necessários para gravação, distribuição? Quantas cópias serão feitas?
Creio piamente que o caminho para o nosso crescimento passa pelo coletivo. Tomamos algumas decisões pessoais que podem mudar a nossa vida, mas a caminhada é coletiva. O céu é roda, eu creio. Assim, aposto na esperança de gravar o meu (primeiro) CD com a participação das pessoas que como eu, acreditamos  que podemos ter práticas solidárias para melhorar as coisas à nossa volta.

Mas estou fazendo tudo de forma transparente, porque estou lidando com dinheiro das pessoas que estão acreditando em mim. Por isso abri um blog onde conto toda a trajetória do projeto ‘Quero Abraçar todo o Mundo’ e registro lá, toda colaboração que entra e quem contribuiu (algumas pessoas não querem se identificar,  aí registro apenas os valores e a cidade delas), bem como registrarei os gastos todos para que não haja qualquer dúvida de que o dinheiro das pessoas foi usado realmente para o CD: http://queroabracartodomundo.blogspot.com.br/

Isso é o mínimo que posso fazer. Já tem gente demais desviando dinheiro do povo, o nosso dinheiro. Não compactuo com essa prática e quero ser transparente e ética na condução desse rico processo coletivo.
E mais, devo registrar que não tenho dinheiro. E quando digo que não tenho dinheiro, não tenho mesmo! Costumo dizer que sou riquíssima  mas sem dinheiro. São outras riquezas....  Digamos que seja uma escolha, um jeito de vida, que me desafia a construir com as pessoas, formas alternativas de realização. Como poderia então, gravar o CD? Contando com as pessoas, coletivizando o processo. É um grande desafio, é preciso ter fé!

‘40 mil reais são valores necessários para a gravação, distribuição? Quantas cópias serão feitas?’

Quero repartir  as músicas que tenho feito, com qualidade e sensibilidade, que as crianças (e os adultos) merecem.  Poderia contratar um arranjador que sintetizasse todos os arranjos e instrumentos num computador.... Mas não acho bom. Veja, o CD terá 18 músicas e para tal precisarei de arranjos para as 18 obras, locação de estúdio de gravação (120 horas),  distribuídas entre ensaios, gravação, edição, mixagem e masterização; contratação de produtores (artístico e executivo); músicos (banda base, metais, madeiras, sopros e percussão); preparação vocal para coro infantil; transporte e alimentação; designer gráfico; fotógrafo; revisor; replicação de 2000 unidades; assessoria de imprensa especializada e locação de espaço para o lançamento do CD. Tudo isso enriquece o trabalho, mas também encarece o custo.  Torço para que os 40 mil sejam suficientes. Será  mais um milagre para compartilhar!


‘Quantas cópias serão feitas?’ Distribuição...

Farei, a princípio, 2 mil cópias. Cada pessoa que está colaborando com o projeto receberá uma cópia.
Quanto à distribuição, esta será realizada de forma alternativa: deixando nas lojas em sistema de consignação (elas ficam com uma quantidade pequena, máximo de 10 unidades e mensalmente é feita a reposição); distribuindo entre igrejas que têm espaço para tal; distribuindo através das amigas e amigos. Também divulgarei através de oficinas com crianças e cultos em igrejas locais. Estou fazendo contato com uma gravadora paulista que trabalha com artistas independentes, mas nada certo ainda... Será um trabalho árduo e rico!

7)    Você estabeleceu ou pretende estabelecer parcerias com instituições de ensino e/ou teológicas?

Ainda não, mas quero muito. Lancei na rede o material no dia 22 de setembro, com a chegada da primavera. Tenho mandado o material para algumas lideranças da igreja,  mas ainda não obtive resposta. Sinto que as pessoas ficam meio reticentes quando peço a participação delas no projeto. Digamos que não é uma prática comum em nosso meio.

Hoje há um movimento chamado  ‘vaquinha virtual’ , bastante difundido nas redes sociais, que as pessoas têm utilizado para arrecadar verbas para os seus projetos; penso em utilizar, mas realmente quero apostar na minha comunidade de fé.  Creio que conseguirei! O que me enche de esperança é que em menos de um mês, várias pessoas contribuíram, e algumas delas nem professam a minha fé, mas participam porque sabem da minha maneira transparente de fazer as coisas e por acreditar no trabalho.

8)    Em sua opinião, qual a importância da realização de um trabalho de música sacra voltado para crianças? Já não existe no mercado fonográfico evangélico muitos materiais disponíveis?

Atualmente, tem muita gente cantando e gravando música para criança... A questão é que música e que teologia temos trabalhado e cantado com elas. A música para a criança precisa respeitar  a sua ludicidade, a  sua imaginação e acima de tudo a sua forma de compreender e vivenciar Deus. Tenho ouvido algumas coisas ditas infantis, tão pasteurizadas, tão massificadas..... Parece que  o mercado gospel resolveu tratar a criança como um ser que consome mas não pensa, não reflete,  e que basta um som  agitado que a faça pular e consumir. NÃO! Criança precisa ser respeitada e educada para as coisas sensíveis e especiais. Assim se constrói nas crianças, uma espiritualidade  autêntica e sólida.

Em meu trabalho de conclusão do curso de Teologia, falo sobre a necessidade de uma teologia da criança, apontando para elas um caminho onde elas conheçam coisas que promovam paz. A música é um instrumento maravilhoso e fundamental nessa construção.

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