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5º Encontro Afro Cristão aborda saúde integral de população negra e indígena

18/04/2012 12h15 - última modificação 18/04/2012 13h02

Nos dias 13 a 15 de abril ocorreu o "5º Encontro Afro Cristão - Perspectivas sobre a saúde integral: Dom de Deus e direito das gentes negras e indígenas" na Universidade Metodista, com apoio da FaTeo. Leia, a seguir, reportagem feita pelo Reverendo José do Carmo da Silva, um dos participantes do evento e ex-aluno da FaTeo:

Síntese do 5º Encontro Afro Cristão

por Reverendo José do Carmo da Silva - Zé do Egito


Sob o tema Perspectivas sobre a saúde integral: Dom de Deus e direito das gentes negras e indígenas, aconteceu de 13 a 15 de abril, nas dependências da UMESP – Universidade Metodista São Paulo – Campus Rudge Ramos, o 5º Encontro Afro Cristão.

O Vice-reitor e Coordenador de Curso de Bacharel em Teologia da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, Reverendo Nicanor Lopes na abertura do Encontro fez uso da passagem de Atos 3: 1-7 onde destacou o papel libertário e inclusivo da Igreja de Cristo, manifesto na atitude de Pedro e João, os quais em nome de Jesus operaram muito mais do que um milagre na vida do aleijado: por amor e graça, de forma integral, o incluíram na vida da Igreja e sociedade. Após a partilha da Palavra, o professor Helmut Renders elevou a Deus uma oração, dando assim abertura ao encontro.

O Encontro contou com a participação de representantes de diversas regiões eclesiásticas do Brasil, bem como com a presença de membros das Igrejas: Presbiteriana Independente, Luterana, Católica Romana e Batista. Além das denominações cristãs estiveram presentes representantes de comunidades indígenas e quilombolas, bem como, da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo e do Governo do Estado de São Paulo. O Bispo da Terceira Região Eclesiástica, José Carlos Peres, bem como o Prof. Dr. Paulo Ayres Mattos – Bispo emérito Igreja Metodista, também se fizeram presentes no evento.

Dentre os temas abordados, também foi debatido o relacionamento das comunidades quilombolas, em grande parte seguidora das religiões de matriz africana e a crescente presença evangélica no Brasil. Segundo Vânia Guerra, da Comunidade remanescente do Quilombo de Marambaia, tal relacionamento nem sempre é harmonioso, contudo, há uma forte presença de comunidades e lideranças evangélicas dentro de alguns Quilombos, as quais atuam juntos na luta pelos direitos dos quilombolas.

Além dos militantes negros, o 5º Encontro Afro Cristão contou com a presença do missionário norte-americano, membro da Comunidade Evangélica Garífuna, Maximo Martinez. Martinez é historiador e atualmente pesquisa o Movimento Negro Evangélico em Honduras.

Outro ponto forte do Encontro foi, a participação do moçambicano Antonio Maia, formado em Teologia Sistemática. Maia falou sobre a Missão da Igreja em meio à cultura e religiosidade africana. É uma missão que só pode ser eficaz se for capaz de se despir da visão de mundo européia/ocidental e abraçar a cosmovisão africana, na qual Jesus Cristo é destacado como o "Curador Pleno". Jesus opera a cura do indivíduo todo, restaurando a saúde de forma integral, bem como a transformação de toda a sociedade na qual ele está inserido, mas sem violentar a cultura do povo que recebe a Ele.

Antonio defende que o meio mais eficaz para uma evangelização seria o uso da Inculturação. Em palavras mais simples, “inculturação” significa a assimilação de tradições e conceitos de religiões tribais, dando-se novo nome e novo significado a antigos ritos, objetos, gestos e lugares.

A inculturação permite que os africanos sejam considerados cristãos mesmo mantendo práticas, cerimônias e crenças de suas religiões tribais. Segundo Antonio, a Teologia da Inculturação é uma forma de reivindicar o lugar da cultura no processo de evangelização. Os Teólogos Africanos na atualidade estão preparados para enfrentar, combater e romper qualquer Teologia que nega a cultura africana.

Uma questão que suscitou calorosa participação e questionamento por parte dos encontristas foi à visão africana sobre os “ancestros”.* Manoel destacou que, o missionário precisa compreender a cosmovisão africana sobre família, na qual os mais velhos possuem papeis de profunda importância, servindo como fonte de sabedoria e instrução. Dentro da visão de mundo dos povos africanos, a morte não rompe os laços entre vivos e mortos, e, dentro de tal visão, aquele que viveu e morreu de forma digna torna-se um ancestro.

Antonio destacou que dentro da Cristologia Africana, a Igreja Católica incorporou os ancestros como mediadores entre o povo e Jesus Cristo, o qual é visto como o Proto Ancestral: o Proto-Médico/curandeiro que cura, salva e conduz para o Pai.

Frente à discussão levantada em torno da Igreja e o papel dos Ancestros na evangelização africana, dentre as diversas sugestões encaminhadas para a Cúpula da Igreja Metodista, e principalmente da FaTeo – Faculdade de Teologia, seguiu também a seguinte proposta feita pelo Reverendo José do Carmo da Silva, Zé do Egito:

"Considerando que, a população afro é cada vez mais crescente no Brasil, considerando que há uma sistemática demonização da Cultura Afrobrasileira, ora fruto do preconceito, ora do desconhecimento e natural inicial estranhamento frente ao diferente, proponho que a Faculdade de Teologia realize, assim como já realizou com outros grandes pensadores cristãos europeus, a exemplo de Jürgen Moltmann, uma Semana Wesleyana sobre a Temática: “Teologia Africana em Diálogo com os negros e afrodescententes da forçada diáspora brasileira.” Para tanto, diante do caloroso e riquíssimo debate que se levantou em reação a palestra do Teólogo moçambicano, Antonio Maia, em torno dos Ancestros, sugerimos que esta casa do saber convide como palestrante oficial, o pastor metodista GABRIEL MOLEHE SETILOANE*, o qual é professor adjunto do Departamento de Estudos de Religião, da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul."

Veja abaixo a programação do V – Encontro Afro Cristão

DIA 13 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA

Local: Anfiteatro Capa

8:00 h.      RECEPÇÃO

9:00 h.     CELEBRAÇÃO DE ABERTURA

10:00 h PERSPECTIVAS SOBRE SAÚDE INTEGRAL: DOM DE DEUS E DIREITO DAS GENTES NEGRAS E INDÍGENAS

Moderador: Jose Roberto Alves Loiola

Pra. Patrícia Cristina Alves – psicóloga gestora regional 3ª. RE – Igreja Metodista

Pr. Nicanor – Vice-reitor e Coordenador de Curso de Bacharel em Teologia da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista

Dr. Antonio Carlos Arruda - Coordenador de Políticas para População Negra e Indígena do Estado de S.P. - (CPPNI)

13:30  h. – INTERVENÇÃO CULTURAL

14:00 h - COMUNICAÇÕES - RELATOS   ACADÊMICOS E DE PRÁTICAS SOCIAIS.

TEMA SAÚDE AFRO INDÍGENA E TRANSVERSALIDADES

Coordenação: profa.  Selenir Correa G. Kroubauer, Profa. Juliana de Souza, Dra. Berenice Kikuchi, Prof. Roberto Alves Loiola, Profa. Andréia Fernandes, Profa. Telma Cezar.


19:00 h. - MOMENTO: SAÚDE POPULAÇÕES INDÍGENAS

Moderador: Prof. José Roberto Alves Loiola

Pra. Maria Imaculada Costa – Ref. Nacional Pastoral Indigenista da Igreja Metodista;

Luzia Lima da Silva – indigenista da FUNAI

ONG OPÇÃO BRASIL/Projeto Índios na Cidade

14 DE ABRIL – SÁBADO

LOCAL: Anfiteatro Iota

8:00 h - RECEPÇÃO

8:30 H - MOMENTOS DE ESPIRITUALIDADE

9:30: MOMENTO SAÚDE POPULAÇÕES QUILOMBOLAS

Moderadora: Profa. Vera Maria Roberto – Coordenadora da Pastoral da Negritude do Conselho Latino Americano de Igrejas  - CLAI

Maura Paz – Coordenadoria de Políticas Públicas para populações quilombolas

Prof. Dr. Paulo Ayres Mattos – bispo emérito Igreja Metodista

Vânia Guerra - Comunidade remanescente de Quilombo da Ilha da Marambaia.

Andréa Carvalho de Oliveira – KOINONIA PRESENÇA ECUMÊMICA E SERVIÇO

13:30  h. - INTERVENÇÃO CULTURAL

14:00 h - MOMENTO:  SAÚDE POPULAÇÃO NEGRA URBANA

Moderadora: Juliana de Souza

Pra. Lidia Maria Lima – mestre Ciências da Religião

Maria Luiza Abreu – enfermeira do Programa Saúde da Família

Dra. Berenice Kikuchi – enfermeira especialista



17:00 h - OFICINAS LIVRES

19:00 h –  KIZUMBA – A FESTA

DIA 15 DE ABRIL – DOMINGO

LOCAL: Anfiteatro Iota



8:30 h - SÍNTESES  E AVALIAÇÃO DO ENCONTRO

10:30 h. - CELEBRAÇÃO DE ENCERRAMENTO

_______________________________________

*ANCESTRO - O ancestro não é simplesmente o morto, mas o antepassado vivente. Exatamente porque viveu comunitariamente, o antepassado tornou-se ancestro. E, como tal, continua presente na vivência (história) da comunidade. O ancestro liga o passado ao presente e projeta o futuro. A ancestralidade valoriza a história e, ao mesmo tempo a transcende. O ancestro é um mediador espiritual. Antes das funções litúrgicas ou dos atos religiosos evoca-se a memória dos ancestros. Tudo começa por ali. A invocação dos ancestros faz com que as gerações atuais percebam que a história lhes é anterior e será também posterior. Cada geração não é começo nem fim é um elo, e isso se dá não de maneira isolada, mas comunitariamente.
Na concepção espiritual bantu, vida e morte são igualmente importantes. Viver com dignidade, morrer com dignidade. O que assegura o viver com dignidade é a vivência comunitária, que não suprime o valor do indivíduo descambando em coletivismo, mas o qualifica como ser de relações. A vivência comunitária é o salvo-conduto para a vida eterna e para a condição de ancestro. Portanto, a morte é vista com pesar, sem dúvida, porém, com muito respeito porque ela é acima de tudo o grande trânsito espiritual. Por isso, inclusive, o devido respeito e até veneração para com o morto, depositando cuidadosamente o seu corpo na terra, porém, com a certeza de que pela sua vivência comunitária ele está junto de Zambi, na sua glória eterna. - Antônio Aparecido da Silva é sacerdote orionita, professor de Teologia no Itesp-SP, Assessor da Pastoral Afro, Membro da Equipe Teológica da CRB-Nacional e Presidente do Centro Atabaque de Cultura Negra e Teologia, SP. Revista Missões, edição Nº09 – Novembro 2007 -

* GABRIEL Molehe Setiloane nasceu e cresceu em Kroonstad/Orange, África do Sul, onde se formou em Artes, com especialização em Línguas Africanas, Inglês para Nativos. Fez vários estágios, formando-se em Teologia (bacharelado e pós-graduação) em Forth Hare (1953) e Nova Iorque (1955), complementando seus estudos no Instituto Ecumênico de Bossey do Conselho Mundial de Igrejas e Universidade de Genebra, Suíça. Em retorno à África do Sul, foi Secretário Geral do Departamento de Educação Cristã e Juventude, da Igreja Metodista, em Durban (entre 1963 e 1969). Depois, entre 1969 e 1973, morou na Inglaterra e atuou como Conferencista Visitante em Missões, em Birmingham e em Bristol, onde desenvolveu uma tese de doutorado sobre a imagem de Deus entre os Sotho-Tswana. Desde então, morou na Suíça, servindo às Igrejas como Secretário Chefe da Missão Suíça na África do Sul, entre 1974 e 1976; fundou e chefiou o Departamento de Teologia e Estudos Religiosos na Universidade de Botswana, em Gaborone, e foi Ministro Superintendente da Igreja Metodista da África do Sul em Kroonstad (1980-1984). A partir disso, atuou como Professor Ajunto no Departamento de Estudos Religiosos, da Universidade da Cidade do Cabo. É casado com Ellen Matlalang desde 1948, e eles têm seis filhos (quatro homens e duas mulheres).

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