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Conhecer a Deus implica em amar ao próximo e cuidar da natureza

TEXTO

Ouvi a palavra de Javé, filhos de Israel, pois Javé vai abrir um processo contra os habitantes da terra, porque não há fidelidade, nem amor, nem conhecimento de Deus na terra. 2. Mas o perjúrio e mentira, assassínio e roubo, adultério e violência, e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. 3. Por isso a terra se lamentará, desfalecerão todos os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens, as aves dos céus até os peixes do mar. [Oséias 4,1-3]

EXÓRDIO

Falar de meio ambiente hoje certamente não é demagogia, ou prognosticar o futuro. Antes, é falar de algo que ocorre no presente. Presente este que está marcado pela falta de valorização da vida em todos os aspectos, e com isso quem sofre juntamente com o ser humano é a natureza.

Perdeu-se a dimensão do cuidado o qual Javé confiou ao ser humano. Este que agora prefere agir em favor de seus próprios interesses e não em prol de uma causa maior, a saber, a preservação da vida na sua integralidade!

Em se tratando de uma esfera ainda menor vemos que as pessoas no cotidiano também não têm respeitado a vida. E vida na sua plenitude. Temos desafiado os limites da natureza e ela tem nos respondido. Responde através de “Tsunamis”, por meio de enchentes, de terremotos. Responde através da falta de água que já é sensivelmente perceptível hoje. Enfim, a natureza nos responde.

EXPLICAÇÃO

No texto que lemos do profeta Oséias, também há uma denúncia não só concernente ao ser humano, mas como as relações humanas atingem a natureza. O texto apresentado nos remete à cena de um julgamento em um tribunal, onde, “Javé vai abrir um processo contra os habitantes da terra” (Os. 4.1). Esse processo teve como acusação a falta de “fidelidade, amor e conhecimento de Deus”. E a conseqüência dessa acusação era a destruição total da vida humana, animal em terra, mar e céu, ou seja, tudo voltaria ao vazio, como descrito no Gênesis. A destruição não seria parcial, mas total devido aos acontecimentos que demonstravam a falta de “conhecimento de Deus na terra” (Os 4.1). O predomínio da degeneração do ser humano e de seu relacionamento com Javé culminaria com a destruição da vida e do meio ambiente.

ASSUNTO

Vida

TEMA

Vida e meio ambiente

PROPOSIÇÃO

Diante das circunstâncias supraditas o autor relata que atos corruptos geram males para a vida e o meio ambiente. Como isso se dá?

ARGUMENTAÇÃO

Transição: Em primeiro lugar, Oséias relata...

I – UMA AUSÊNCIA

Verso 1

Este verso destaca que “Não há fidelidade (êmûna), nem amor (hesed) e nem conhecimento de Deus (da’at)”. A infidelidade de Israel para com Javé no âmbito político, religioso e moral gerou a “prostituição” com outros povos e com outros deuses. A infidelidade no caso de Israel, não se restringia aos tribunais ou ao comércio, mas à vida de um modo geral. Logo, como resultado dessa infidelidade, todo o povo, a sociedade, bem como as famílias, perderam seus referenciais.

No texto a falta de amor/bondade não era só para com Deus, mas também para com o/a próximo/a. Nesse contexto a hesed implica na bondade com a qual Israel deveria agir para com o/a próximo/a. Essa bondade nos remete ao primeiro mandamento: Ex 20.1-2 “amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, ou seja, é um amor que age frente às dificuldades do/a outro/a.

A palavra hebraica conhecer nem sempre quer dizer apenas um conhecimento cognitivo, teórico, porém, pode ser um conhecimento experimental, como é o caso da palavra da’at, conhecimento prático. Assim, experienciar uma vida com Javé deveria gerar a prática da solidariedade. Pois, conhecer a Deus é saber de sua intervenção nos momentos difíceis pelos quais Israel passou, reconhecer a ação de Javé nos acontecimentos históricos. Destarte, conhecer a Deus deixa de ser um ato cognitivo apenas, passando a ser uma prática de compaixão, misericórdia e bondade junto àquele/a que sofre.

Transição: Em segundo lugar, Oséias relata...

II – UMA PRESENÇA

Verso 2

O verso lido indica que na sociedade israelita se nota a presença do “perjúrio e mentira, assassínio e roubo, adultério e violência, e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado”. A denúncia do profeta descreve uma sociedade corrompida e sem solidariedade alguma.

Esta presença que Oséias descreve trata-se do não cumprimento da Torá, isto é, Israel estava experimentando o inverso do que prescreve o fundamento de uma sociedade mais solidária. Há uma inversão de valores éticos, morais e sociais. “Mentir”, “matar”, “adulterar” são aspectos que ferem o princípio de uma vida plena.

Quando em uma comunidade não são vivenciados um mínimo de conduta ética, o que ocorre é a desestabilização da mesma. E isso era uma das denúncias do profeta. Se houvesse uma sociedade baseada nas leis universais que aparecem nos mandamentos, ela estaria mais próxima de seu Deus.

O profeta Oséias aponta para os descuidos nos mais variados âmbitos, seja o doméstico, social, econômico e religioso que geram a degradação ambiental. Uma vez que o ser humano é aquele a quem Javé confiou o cuidado para com a sua criação, este deveria vivenciar uma fé fundamentada em relações fraternais que resultaria numa sociedade mais ética e solidária.

Transição: Em terceiro lugar, Oséias relata...

III – UMA CONSEQUÊNCIA

Verso 3

O verso 3 destaca o resultado da corrupção, a saber, “a terra se lamentará, desfalecerão todos os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens, as aves dos céus até os peixes do mar”. Após a constatação de que não há fidelidade, amor, conhecimento de Deus, assim como existe o mentir, o roubar o adulterar, o profeta descreve as conseqüências de tais ações no meio da sociedade.

Oséias denuncia que a terra se lamentará. Ela pranteará por seu estado de abandono. A lamentação na Bíblia insere choro, o pranto torrencial, e a criação lamenta, chora a sua decadência.

Outro aspecto apontado pelo profeta é que os habitantes desaparecerão. No Gênesis o último ato da criação é o ser humano, agora este será o primeiro a experimentar esta destruição, mas por causa de suas condutas.

E como finalização haverá o desaparecimento da criação, isto é, animais, aves e peixes. Em outras palavras, a terra, o ar e a água ficarão comprometidos pelas ações dos seres humanos. Eles não resistirão ao abandono, pois, o ser humano que não mais se preocupa em cuidar, governar a natureza, como é descrito no Gênesis, somente busca seus próprios interesses deixando de lado o cuidado com a criação de Deus e o ideal de convivência fraterna e de mutualidade.

Transição: concluindo...

CONCLUSÃO

O que acabamos de observar não é algo que ocorreu no século VIII a.C. e hoje não existe mais. Muito pelo contrário, a situação denunciada pelo profeta é atualíssima!

Presenciamos cada vez mais a degeneração humana através da corrupção em todos os sentidos, e isso tem afetado diretamente o meio ambiente.

Testemunhamos cotidianamente o lamento do meio ambiente através de enchentes, estações do ano confusas, aquecimento global, a extinção de animais de várias espécies e outros fenômenos da natureza. Nota-se que há uma instabilidade social imperante, porque o ser humano tem buscado seus próprios interesses, não só em esferas macro, mas também micro. Individualmente também somos responsáveis pela “criação que a um só tempo geme”. Somos responsáveis porque em pequenas ações cotidianas demonstramos que não temos governado muito bem a nossa casa, o nosso planeta.

Que possamos, enquanto cristãos/ãs, filhos/as de Deus chamados/as para anunciar as Boas Novas e pregar libertação, também exercer a nossa tarefa de governar a criação e ter atitudes que gerem o bem-estar em todas as esferas.

Para aprofundar nossa reflexão podemos trazer à memória a obra intitulada “O menino do dedo verde”, de Maurice Druon, sintetizando-a da seguinte forma: “O garoto Tistu era filho de D. Mamãe e do Sr. Papai, rico fabricante de armas militares da cidade de Mirapólvora. Tistu naturalmente seria o sucessor dos negócios familiares se não houvesse feito a seguinte descoberta: o seu dedo polegar era verde. Este fato mudou a vida de muitas pessoas, inclusive a sua. Quando se encontrava diante de uma situação de sofrimento, com seu polegar em riste, era capaz de fazer crescer flores e com elas a esperança. Certa vez, ele sabotou uma guerra plantando flores nos canhões vendidos pelo Sr. Papai, a indústria da morte se transformou em próspera floricultura, e sua cidade ganhou o nome de Miraflores. Com esta atitude, Tistu ao invés de destruir a vida passou a embelezar, alegrar e cuidar da vida.

Não nos esqueçamos que conhecer a Deus implica em: amar ao próximo e cuidar da natureza, e que nossas cidades deixem de ser “Mirapólvoras” e se transformem em “Miraflores”.

Que assim seja. Amém!

Revda. Suely Xavier dos Santos - 01/06/05

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