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As Marcas de uma mudança interior, frutos da educação genuína

Sermão elaborado e proferido no culto comunitário da FaTeo por Fernando Lopes Balthar, estudante do 6º período.

Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?

E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.

Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.

Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.

Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.

E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo.

Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.

Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Que daria um homem em troca de sua alma?

Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos. (Marcos 8:27-38)

Exórdio

Por volta do ano 2000 antes de Cristo, um mercador grego, rico, queria dar um banquete com comidas especiais. Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria. O escravo voltou com belo prato, coberto com fino pano. O mercado removeu o pano e assustado disse:

— Língua? Este é o prato mais delicioso?

O escravo sem levantar a cabeça, respondeu:

— A língua é o prato mais delicioso, sim senhor. É com a língua que você pede água, diz “mamãe”, faz amizades, conhece pessoas, distribui seus bens, perdoa. Com a língua, você conquista, reúne as pessoas, se comunica, diz “meu Deus”, ora, canta, conta histórias, guarda a memória do passado, faz negócios, diz “eu te amo”.

O mercador, não muito convencido, quis testar a sabedoria do seu escravo e o enviou novamente ao mercado, ordenando-lhe que trouxesse o pior dos alimentos. Voltou o escravo com lindo prato, coberto por fino tecido, que o mercador retirou, ansioso, para conhecer o alimento mais repugnante.

— Língua, outra vez! Diz o mercador, espantado.

— Sim, língua, diz o escravo, agora mais altivo. É a língua que condena, separa, provoca intrigas e ciúmes. É com ela que você blasfema e manda para o inferno. A língua expulsa, isola, engana o irmão, responde para a mãe, xinga o pai...

A língua declara guerra! É com ela que você pronuncia a sentença de morte.

Não há nada pior que a língua, não há nada melhor que a língua.

Depende do uso que se faz dela.

Explicação

O Evangelho de Marcos foi escrito com o objetivo de responder à pergunta: quem é Jesus? Mostrando ao mesmo tempo o caminho que os discípulos de Jesus deveriam seguir. O ministério de Jesus junto aos seus discípulos foi desenvolvido com o objetivo de que eles pudessem, por si mesmos, responder acerca de Jesus e do Reino de Deus.

Os valores de Cristo e do Reino são valores novos diante da sociedade. Somente por meio da educação é que é possível que esses novos valores sejam fixados no ser humano e, por conseqüência, na sociedade. Acima de tudo a educação prioriza o ser humano. A educação é uma característica do ministério de Jesus. Jesus, em seu processo educativo com os discípulos, valorizava o ser humano.

Entendemos por educação o que nos é proposto no Plano para a Vida e a Missão da Igreja Metodista, que é o documento que fundamenta o proceder metodista nas diversas áreas da missão.

“A educação como parte da Missão é o processo que visa oferecer à pessoa e comunidade, uma compreensão da vida e da sociedade, comprometida com uma prática libertadora, recriando a vida e a sociedade, segundo o modelo de Jesus Cristo, e questionando os sistemas de dominação e morte, à luz do Reino de Deus”.

A educação como parte da missão da Igreja é, portanto, um instrumento de compreensão e reflexão da vida dos que seguem a Jesus. No texto apresentado, os discípulos são confrontados sobre o que pensam acerca de Jesus e do seu Reino. E podemos perceber que algumas atitudes dos discípulos desencontram-se de todo o ensino apresentado pelo próprio Jesus. Podemos aprender com o texto, através do exemplo de Jesus e dos discípulos, que a educação deve deixar marcas que caracterizam os valores de Cristo e do Reino. Quais são essas marcas?

A primeira marca da Educação genuína, que gostaria de refletir, é...

I – A Marca da mudança de expectativas...

Jesus pergunta aos seus discípulos sobre quem diziam que ele era. Respondê-la pode parecer fácil e simples. Entretanto, ao vermos a diversidade de respostas, percebemos ser essa uma pergunta difícil. Afirmamos isso porque, no cerne de cada resposta, ficam subentendidas as expectativas que cada pessoa tem do próprio Jesus. Conforme cada expectativa, aparece uma reposta à pergunta sobre quem é Jesus.

Diante de tantas respostas e expectativas, Jesus transfere a pergunta para os seus discípulos e recebe a resposta de Pedro dizendo: “Tu és o Cristo”. Essa pode parecer uma resposta evidente para essa pergunta. Seria, somente se não ocultasse a expectativa de Pedro que não representa, em nenhum aspecto, a proposta do projeto de Jesus.

Nas entrelinhas da resposta de Pedro está a expectativa do Messias soberano e triunfalista. Nesse caso, certas correções são necessárias e essa é uma das marcas da educação proposta por Jesus. O texto indica que Jesus passa a corrigir a resposta de Pedro, através da educação.

* “Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse”.*

Fica claro que, através do ensino, Jesus muda a expectativa de Pedro, ao afirmar que o Messias não seria reconhecido pelos soberanos de Jerusalém ou de Roma. Pedro não entende isso e tenta repreender Jesus. Isso leva a Jesus censurá-lo duramente, “disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Nossa ilustração, mostra que da mesma língua pode proceder benção e maldição, no exemplo de Pedro, da mesma boca que saiu a confissão de que “Tu és o Cristo” é a boca que revela uma incompreensão com os projetos de Deus.

A obra de Jesus vem confrontar as normas da sociedade vigente e o projeto de Jesus não pode, de nenhuma maneira, se encaixar nessa expectativa. Pelo contrário, o projeto de Jesus se opõe a isso e, somente assim, torna-se possível a libertação e recriação da vida para todos.

Como entendemos acerca de educação cristã e vimos no exemplo de Jesus, nossa escola dominical deve trazer-nos para as verdadeiras expectativas do projeto do reino. Essa é uma marca da educação genuína.

Entretanto essas marcas não param por aí. Outra marca da genuína educação nos é proposta. É ela:

II - A marca da mudança de valores...

Jesus não quer que ninguém seja iludido. Ele usa o exemplo de Pedro e vai além na sua instrução. Chama a multidão e apresenta uma das principais mensagens do reino.

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á”.

Jesus pretende, aqui, uma mudança de valores para seus discípulos. Não existe maneira de seguir Jesus sem negar-se a si mesmo. Precisamos entender essa transição de valores dentro do contexto apresentado pelo texto.

Todo aquele que segue a um líder, pensa que, no momento final de vitória, pode esperar um lugar privilegiado. No caso de Jesus os valores de conquista pessoal são diferentes. A grande conquista no projeto do reino é negar-se a si mesmo. Os valores da sociedade, de vitória e conquista, de ambição e poder, são trocados pelos valores inversos. “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á”. Não há espaço para ambições pessoais dentro do projeto do reino.

Nossos valores precisam ser trocados, transformados. Nós vivemos numa sociedade de inversão de valores. Você vale o que tem e não o que é. Os padrões bíblicos têm sido esquecidos. Muitos valores mundanos têm entrado em nossas igrejas e, o que é pior, têm encontrado lugar entre nós. Ambição e poder são coisas fáceis de ser observadas em nossas relações, principalmente nas esferas mais altas de nossa estrutura. A competição tem tomado o lugar da solidariedade. Isso, muitas vezes é afirmado e confirmado, quando usamos padrões antibíblicos como avaliação de nossos ministérios.

Nesse aspecto, precisamos valorizar nossas escolas dominicais, como espaço de mudança de valores. A inversão de valores começa aqui, ao desprezarmos os espaços de reflexão e estudo como os da escola dominical e priorizarmos os espaços onde o nosso poder pastoral pode ser preservado.

Precisamos não ter medo de apresentar valores bíblicos que negam essa realidade tão presente. E aqui está a terceira e ultima marca que gostaria de compartilhar,

III- A marca da mudança de atitudes...

Diante de todos os desafios propostos pelo texto, somos chamados a mudar nossa atitude. Constantemente tomamos uma atitude de omissão diante de tantas coisas que ferem nossas crenças e ênfases bíblicas. Nos omitimos quando não ensinamos nosso povo o que entendemos como sendo as verdades eternas de Deus, quando não discutimos ênfases e padrões doutrinários que sabemos ter oposição. Depois não vale querer chorar o “leite derramado”.

O texto nos é claro. “Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele”. A palavra é bastante dura, mas a situação requer isso. A partir daí entendemos qual deve ser nossa mudança de atitude. Precisamos ensinar as verdades expressas na palavra, vividas na história da Igreja e recebidas como herança por nós. Precisamos seguir o Exemplo de nossos antepassados, de nosso fundador e principalmente de Jesus. Doa a quem doer, a palavra não pode ser omitida. Não basta ser expectador descomprometido, temos que nos empenhar pela causa de Cristo.

A educação cristã comprometida sempre foi uma marca do Protestantismo. O surgimento da escola dominical somente confirmou nossa intenção em transformar a sociedade. O que temos observado em nosso tempo é que essa sede de transformação tem sido vencida pelo medo que temos de perder a simpatia de todos. Isso não parece em nada com o ensinamento de Jesus. Isso é não ter certeza das prioridades. A prioridade de Jesus era não se envergonhar de sua mensagem, e nós somos desafiados a isso.

Precisamos mudar nossas atitudes, quando não ensinamos nosso povo conforme sua necessidade, quando não levamos certos temas as nossas escolas dominicais, quando não tomamos posição nas questões polêmicas que chegam a nós, quando agimos por conveniência e não pensamos nas verdades eternas de Deus. Estamos envergonhando as palavras de Cristo.

Concluindo...

Jesus é nosso exemplo maior de educador, isso nos é demonstrado nesse texto do evangelho de Marcos. Marcos nos demonstra que podemos ter esperança no projeto de Jesus, basta o colocarmos como padrão no processo ensino-aprendizagem, certamente as coisas serão bastante diferentes. Que estejamos dispostos a mudar de expectativas, de valores e de atitudes. Que de nossa boca proceda à benção e não a maldição. Que nosso ensino seja abençoador. Que sejamos pastores comprometidos com o padrão de ensino de Jesus.




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