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Tirando o pó das palavras

Estudo produzido pelo prof. Tércio Machado Siqueira, professor de Antigo Testamento da FaTeo


As igrejas têm a responsabilidade de celebrar as datas importantes do calendário litúrgico. Há muitas agregações a cada uma dessas festas, impostas pela mídia. Particularmente, o Natal tem recebido tantos novos símbolos que podem levar sua celebração perder a originalidade. Pensando nisso, ofereço um pequeno estudo bíblico de doze palavras que pertencem ao campo semântico do Natal.

Dar, presentear

A celebração do Natal faz lembrar a "dádiva" ou "presente". Ao contrário do que pensam as pessoas de hoje, na Bíblia, a "dádiva" ou o "presente" é expressa, na língua hebraica, por meio de vários substantivos, dentre as quais, xay (Sl 68,18.30; 76,12; Is 18,7), qoreban (Lv 7,15; Ez 20,28; 40,43) e o verbo natan, dar (Et 8,1; Pr 4,2) entre outros. Entretanto, o sentido moderno de "presente" e "presentear" não faz parte da cultura bíblica. O verbo hebraico que mais aproxima de "presentear" é natan, dar (Lv 26,4; Dt 11,14-15). Assim, "dar" pode indicar qualquer ação de Deus em favor do bem estar do ser humano e do mundo. Porém, ao descrever a ação de Deus, como "presentear", os escritores bíblicos não se restringem ao verbo natan, dar, para destacar a extensão da dádiva divina à humanidade.

Na verdade, a Bíblia relata que as benesses de Deus vêm de muitas maneiras: Quando o texto bíblico diz que Deus chamou e enviou Moisés para libertar os hebreus do Egito (Ex 3,14), quando Ele abençoa as pessoas (Dt 7,13; 15,4; Sl 29,11), quando Ele perdoa os pecadores (Sl 25,18; 103,3; Jr 31,34), tudo isso mostra que a Sua dádiva para a humanidade e o mundo é um presente duradouro e que traz bem-estar, felicidade. O presente que as pessoas recebem no Natal tem limites, mas a extensão da dádiva divina é ilimitada em sua ação em favor de homens e mulheres. Paulo fala da dádiva divina ao "enviar" Jesus ao mundo (Gl 4,4). Dessa forma, a soma de tantos presentes que Deus oferece à humanidade torna o mundo mais esperançoso, mais pacífico, mais alegre e mais justo.


Alegrar, alegria

Há muitas palavras na Bíblia para expressar alegria. Na língua hebraica são treze, mas as mais comuns provêm das raízes verbais xamah, alegrar-se (269 ocorrências), gil, gritar de alegria (45 ocorrências; Sl 32,11; Is 65,18; Zc 9,9) e halal, louvar (206 ocorrências; Sl 22,23; 113,1;117,1). A alegria é definida, na Bíblia, como uma emoção que brota no coração de uma pessoa e que faz o seu rosto brilhar e irradiar de satisfação. Os textos bíblicos mostram uma forte relação entre o coração e o brilho dos olhos (Sl 86,4; 105,3; Pr 15,30). O Salmo 19,8 expressa bem isso, quando coloca em paralelo "alegrar o coração" e "iluminar os olhos".

Na história bíblica a alegria tem muitos motivos, mas basicamente ela afirma que a sua origem vem das experiências com Deus. A alegria é uma reação imediata que chega a alguém que experimenta a salvação, após sentir-se ameaçado em sua vida. Para descrever sua felicidade, os salmistas usam freqüentemente a expressão "alegrar-se no Senhor", isto é, alegrar-se pela ação salvadora de Deus (Sl 21,1; 31,7; 40,16; 63,11; 64,10; 70,4). O anúncio do salvador, pelo profeta Isaías, está envolto em expressões de alegria e regozijo pelo povo medroso, aflito e sem esperança (Is 9,1-6). É a sensação da chegada da libertação, tão esperada por longos anos. Por isso o evangelista Lucas registra o auspicioso anúncio do anjo: "Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria... é que hoje vos nasceu... o Salvador..." (Lc 2,10).

Paz

A palavra hebraica xalom, traduzida por paz, tem correspondente em todas as línguas semíticas (grupo de raças que inclui os hebreus, os árabes, entre outros). Nessas línguas, o significado de xalom é amplo e rico: ter suficiente, ser amável, pacífico, paz, amizade, pagar. No AT xalom ocorre na forma de substantivo e verbo 474 vezes. Na Bíblia, xalom é muito mais do que ausência de guerra: é uma relação íntegra e perfeita de comunhão que traz para a comunidade uma experiência concreta de equilíbrio e harmonia, porque xalom é a resposta à todas as reivindicações e necessidades de um povo ou de uma comunidade. Portanto, xalom tem tudo a ver com a vida feliz, prazerosa, ordeira e íntegra de uma comunidade.

Do ponto de vista jurídico da aliança, significa uma comunidade de direito. Teologicamente, xalom é mais do que ordem e direito: é todo esforço divino para formar e promover a vida saudável e harmônica entre os seres humanos, enfim, toda a criação. Esse é o xalom que Deus quer, a saber, Ele nega a abundância para algumas pessoas, mas também nega a falta e condições de vida para os seres humanos. É dentro dessa compreensão que devemos ler o anúncio do nascimento de Jesus: "Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens..." (Lc 2,14). Setecentos anos antes de Jesus, Isaías anunciou a vinda do Imanuel, identificando-o como "maravilhoso conselheiro, Deus forte, Pai do tempo e governo da paz". Apesar de menino, o Imanuel Jesus não seria datado ou relacionado a uma determinada época. Ele seria um verdadeiro patrimônio da história, o "Pai do tempo", porque Ele viria definitivamente trazer a paz, isto é, a vida boa, plena, abundante e prazerosa para todos e todos os seres criados.

Dar à luz, criança

Há várias palavras hebraicas para menino/a, criança, porém a que mais está ligada ao conceito de Messias (Ungido, Cristo) é yeled, menino. Trata-se de um substantivo cuja raiz verbal é yalad que significa dar à luz, gerar. A Bíblia vê no ato de gerar uma criança o cumprimento de uma promessa de Deus devolver ao mundo a esperança perdida. Quando Deus vê o mundo aflito, medroso e andando indeciso em trevas (Is 9,1-2), Ele anuncia a vinda do menino de nome Imanuel (Is 7,14). Surpreendentemente, o profeta Isaías não fala a vinda de um grande líder - político ou guerreiro ou conquistador - mas de uma criança recém-nascida, frágil, mas envolvida pelo espírito de Javé (Is 6,1-9,6; 11,1-16). A partir desse anúncio do profeta, o povo bíblico passou a ver a criança de modo diferente, como um resposta divina e salvadora para toda a humanidade.

O NT acolheu a criança e acreditou nela, como portadora da esperança para toda a humanidade. Por outro lado, Herodes, sabendo dessa tradição, decretou a morte de todas as crianças, porque tinha medo da chegada do menino-salvador. Ao ouvir a notícia do nascimento de um menino, em Belém, a novel comunidade cristã viu naquele recém-nascido pobre e sem teto, o Messias, isto é, Cristo Salvador.

Luz

As palavras hebraicas ner e nir têm a mesma tradução: lâmpada, luz. Na Bíblia, o termo lâmpada ou luz possui dois sentidos: o primeiro tem o significado concreto, isto é, lâmpada ou lamparina como instrumento de barro, usado para iluminar a casa.

A luz fornecida pela lamparina era o mais popular meio usado pelas pessoas para orientarem-se e sentirem-se seguras nas noites escuras (Is 42,3; 43,17). Em segundo lugar, a palavra lâmpada é usada, na Bíblia, com o sentido teológico. O texto de 1Reis 11,36 é um bom exemplo de uso. Ele diz que o rei Davi deveria ter sempre, em Jerusalém, uma lâmpada. A partir do emprego feito pelo autor de 1 Reis 11,36, o termo lâmpada passa a ser muito significativo na história bíblica. Lâmpada, aqui, possui o sentido da permanência da dinastia de Davi, portadora da esperança de restauração do povo de Javé. Para os cristãos, 1 Reis 11,36 deve ser lido à luz de João 8,12: "Eu sou a luz do mundo" (conferir Mt 4,16; Lc 2,32; Jó 3,19). Assim, o uso teológico acrescenta um sentido que vai além do concreto.

O emprego da palavra da palavra hebraica nir, lâmpada, em Provérbios 13,23 e Jeremias 4,3 e Oséias 10,12, sinaliza um novo sentido que esta palavra assume: arar, cultivar a terra pela primeira vez. De modo figurativo, nir quer afirmar um "novo começo" para o povo. A evolução desta palavra não a distancia do significado original, mas a enriquece. O sentido de "novo começo" vai clarear, não somente a promessa sobre Davi, mas especialmente o anúncio da chegada de Jesus: "O povo que jazia em trevas viu uma grande luz..." (Mt 4,16).

Anjo

A palavra hebraica mal`ak, traduzida por anjo, refere-se tanto ao mensageiro divino quanto ao humano. A designação anjo vem da língua grega, angelos, termo usado na Septuaginta (versão grega da Bíblia Hebraica) para traduzir a palavra hebraica mal`ak. A tradução deste termo por mensageiro é mais apropriada. Ela é confirmada pelos verbos que acompanham o substantivo mal`ak: enviar (Ex 23,20; Jz 6,21), vir (Jz 13,9), dizer (Nm 22,35; 2Sm 11,23), falar (2Rs 1,15), sair (Is 37,36).

A Bíblia refere-se a mal`ak, anjo, mensageiro, como um indivíduo que é enviado a alguém com a finalidade de comunicar uma mensagem ou cumprir uma ordem (Jó 1,14; Pr 13,17; Is 18,2; Jr 27,3); segundo, mal`ak é também visto, pela Bíblia, como mensageiro divino que traz uma mensagem (Gn 24,7; Jz 2,1; Sl 34,7). Como mensageiro divino, o termo mal`ak está muito próximo de nabi`, profeta: Ageu é denominado profeta (1,3) e também mal`ak (1,13). O nome mal`ak reafirma que Ageu era um profeta de Javé, e que sua mensagem vinha exclusivamente de Deus. Assim, é possível deduzir que um mal`ak é um agente ou enviado divino para falar ou realizar maravilhas no nome de Deus. Essa relação, mal`ak e nabi`, fica mais evidente quando se percebe que o nome do profeta Malaquias significa "meu mensageiro" (Ml 1,1). Os sacerdotes também são citados como mal`ak de Javé (Ml 2,6-7). No monumental cenário do nascimento de Jesus, os anjos são enviados do Senhor e têm participação destacada (Lc 2,8-20).

Mago

A Bíblia menciona a presença de magos (Gn 41,8; Ex 7,22; Dn 2,2; Mt 2,1; At 8,9; 13,6; 19,13). A origem e etimologia da palavra mago são desconhecidas, mas sabe-se que a arte e a atividade de um mago eram conhecidas, no NT, como magia e feitiçaria, mas no AT como adivinhação (Jr 27,9; Ez 13,18-20; Mq 5,12; Ml 3,5). A prática de magia foi bastante condenada no AT (Ex 22,18; Dt 18,10). É comum atribuir a vasta região da Mesopotâmia como a origem dos magos, porque as suas atividades têm muito a ver com a astrologia. A magia praticada pelos magos proliferou a partir do período de domínio persa (537-330 anos antes de Cristo). Os judeus que estiveram exilados naquela região (597-539 a.C.) receberam essa influência, e, ao retornarem, certamente trouxeram a prática da magia e adivinhação para Israel. O livro Atos dos Apóstolos registra a conversão de muitos magos (At 13,6-8; 19,13-19).

É significativo mencionar que o evangelista Mateus registrou a presença de reis magos no evento do nascimento de Jesus, na cidade de Belém. O Evangelho de Mateus não menciona a quantidade, mas a tradição cristã afirma ser três "reis magos", supondo que cada um trazia uma espécie de presente: ouro, incenso e mirra (Mt 2,1-12). Ao mencionar a presença dos reis magos, no nascimento de Jesus, o evangelista queria afirmar a universalidade da mensagem pregada por Jesus Cristo. A manifestação do interesse dos magos do Oriente pelo nascimento de Jesus é completada pelo registro da conversão de pessoas vindas de todos os cantos da terra.

Filho de Davi

A expressão filho de Davi é um dos títulos messiânicos, entre tantos atribuídos a Jesus (Mt 9,27; 12,23; 15,22). A origem e a razão desse título têm duas explicações: primeiro, a população dos judeus, nos dias de Jesus, era conhecedora das promessas contidas no AT, onde diz que Deus prometeu a Davi e aos seus descendentes um governo sem fim (2Sm 7,12-15). Ainda que essa promessa tenha sido interrompida com o fim da monarquia, em 587 anos antes de Cristo, uma boa parte da população israelita não perdeu a esperança de que um descendente de Davi viesse cumprí-la, restaurando o reino de Israel (At 1,6). Para essas pessoas, Jesus seria o filho de Davi, político e guerreiro, para restaurar pela força do exército o Estado de Israel.

Em segundo lugar, o povo que conheceu, ouviu e andou com Jesus foi, pouco a pouco, reconhecendo nEle, através de suas palavras e atos, o cumprimento da promessa divina, mas de uma forma diferenciada. Esse grupo de seguidores de Jesus continuava afirmar que Ele era da descendência de Davi, mas sua origem era Belém (Jo 7,42). Essa segunda afirmação altera profundamente a primeira, pois em nenhum momento Jesus aceitou cumprir a promessa de restaurar o povo, através de ações guerreiras. A verdade é que Jesus frustrou essa expectativa, mostrando que a Sua missão é comparada a de um pastor (Jo 10,11) que socorre e leva a paz e vida para todas as pessoas (Mt 9,27-31; 15,22-28; 20,30-34; Mc 10,46-52; Lc 18,35-53). Fica muito claro, todavia, que Jesus não deu importância, nem atribuiu a Ele próprio esse título. Certamente, o Seu silêncio deveu-se ao fato do título filho de Davi ser visto, pela maioria da população de judeus, como uma designação pedante e exageradamente política. As passagens bíblicas, relativas ao nascimento de Jesus, priorizam a ligação do recém-nascido com Belém.

Imanuel

As primeiras promessas de Deus aos hebreus diziam algo não pronunciado anteriormente pelos deuses dos povos do Antigo Oriente Médio. A Abrão, Deus afirmou que Ele estaria com toda a sua descendência (Gn 17,7); a Jacó (Gn 28,15) e a Moisés (Ex 3,12), Deus reafirmou Sua presença junto ao povo dizendo: "Eu serei contigo... aonde fores". O cumprimento dessas promessas foi aumentando a confiança do povo. O Salmo 136 mostra o resultado do acúmulo de confiança na ação salvadora de Javé, ao longo de séculos. Foi a partir desse sentimento de fé que o profeta Isaias, descontente com os sucessivos pecados dos reis daviditas, anunciou o nascimento de um menino chamado Imanuel.

No hebraico, este nome é imanuel. Trata-se de um nome hebraico formado pela preposição im, com, mais o pronome nu, nós, e, por fim, el que significa Deus (Is 7,14). Juntando estas três palavras hebraicas, forma-se o nome Imanuel que quer dizer Conosco está Deus. O menino Imanuel nascerá em razão da negativa do rei Acaz em aceitar e confiar no "sinal" de Deus (Is 7,10-17) que trará a salvação para o povo inseguro e aflito que vivia em Jerusalém. Textos paralelos (Is 7,22; Ex 3,8.17; Dt 6,3; 32,13; Sl 81,17) levam a crer que, ao referir-se à alimentação do Imanuel (Is 7,15), o profeta queria dizer que o menino inaugurava uma nova era de governo e uma nova qualidade de liderança. A referência à "coalhada e mel" (v. 15), freqüentemente, está relacionada a alimentos do tempo salvífico. Seu governo, decididamente, será sério e justo: o menino Imanuel decidirá entre o bem e o mal (v.15b). Em vista do anúncio da chegada do Imanuel, a proclamação profética se constitui um juízo contra a Acaz e a dinastia davidita. De agora em diante, a liderança do povo será marcada pela qualidade: "conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno e Príncipe da paz" (Is 9,5).

Portanto, o anúncio do nascimento do menino Imanuel é um juízo sobre os reis, porque eles não crêem e não são fiéis a Javé. Assim, Deus não está mais com os reis daviditas, mas "conosco". A primeira comunidade cristã viu no menino Jesus o Imanuel (Mt 1,23).

Salvar

Salvar é um verbo central na Bíblia. É tão importante que a língua hebraica possui um vasto e rico campo semântico para descrever a diversidade dos atos salvíficos de Deus para com o homem e a mulher, bem como toda a criação. Todavia, o verbo salvar possui muitos sinônimos: yaxa´, salvar (Ex 14,30); ga`al, redimir (Ex 6,6; Os 13,14); padah, resgatar (Ex 13,13.15; Os 13,14); ´azar, socorrer (Js 10,6); nasal, libertar (Sl 59,2); palat, salvar (Sl 37,40), entre outros. Certamente, este rico quadro de palavras sinônimas mostra o grande interesse e importância que o tema salvar desempenha dentro do ensino bíblico. Todavia, o verbo yaxa´ e seu derivados - hosya´, ele salva; yexu´, salvação; moxia´, salvador - constituem-se os termos soteriológicos mais usados na Bíblia. É interessante salientar que yasa´ é o verbo usado somente quando Javé ou o seu Ungido são sujeitos da ação. Por isso o seu uso não é comum fora do âmbito religioso e teológico.

O conceito salvar, no AT, possui uma interessante peculiaridade: salvar não carrega uma reflexão poética ou mitológica, mas somente um testemunho histórico da ação de Deus em favor dos seres humanos. Assim, o ato salvífico de Deus é mostrado, na Bíblia, de forma bastante concreta. O povo sofrido lamenta e clama pela ajuda de Javé (Ex 3,7-22). Em atenção a essa súplica, Deus providencia toda sorte de auxílio: envia a resposta (Sl 20,6); liberta (Sl 71,2); abençoa (Sl 28,9); salva (Sl 37,40); faz justiça (Sl 54,1); protege (Sl 86,2) e redime (Sl 106,1) o povo que lhe pede ajuda. Dessa forma, a Bíblia vê Javé como aquele que age e produz salvação no meio do povo (Sl 12,5). Por essa razão, Ele é designado como Aquele que realiza atos de salvação em toda a terra (Sl 74,12).

Salvador é um dos títulos mais usados, no AT, para retratar Javé. O povo bíblico deveria sempre lembrar que Javé o salvou da escravidão do Egito, bem como toda sorte de outras escravidões (Is 17,10; 43,3). O nome do grande líder Josué carrega no seu nome a afirmação de que "Javé é salvador". O nome Jesus tem este mesmo significado (Lc 1,4).

Esperança

O tema esperança é sempre atual. No AT, esperança é um assunto presente em todos os momentos decisivos da história do povo bíblico. Dentre as muitas palavras hebraicas que comunicam esperança, duas delas têm maior ocorrência nos livros do AT: a primeira é tohelet expressa esperança em meio à angústia (Jó 13,15; Sl 130,7): a segunda palavra é tiqewah que significa esperança em meio à grande expectativa (Sl 27,14; Is 40,31). Ambas palavras expressam o sentido de esperar com confiança.

Na verdade, o grande chão da esperança é a fé e a confiança em Deus em meio às crises e provações. Por isso, esperar com firmeza é visto, na Bíblia, como uma grande expressão de fé. Aos sofridos exilados, na Babilônia, o profeta assim pronunciou: "Os que esperam no Senhor, renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (Is 40,31). Somente os que esperam e confiam crêem no futuro e salvação. Certamente, foi por isso que o profeta Zacarias chamou os crentes ou fiéis de "presos da esperança" (Zc 9,12). O idoso Simeão seria um desses fiéis, pois passou a vida esperando a consolação de Israel (Lc 2,25).

Glória

Glória é uma palavra amplamente empregada na Bíblia, especialmente, com o sentido teológico. Na Bíblia Hebraica, glória é a tradução de kabod. Porém, kabod possui dois significados: primeiramente, esse termo hebraico conduz o significado de peso ou, em outras palavras, força exercita por um corpo sobre qualquer superfície (Ex 17,12; Pr 27,3); o segundo significado, e o mais importante, é teológico. Aqui, o significado de kabod passa a ter o sentido de honra, dignidade, autoridade. Não somente Deus carrega kabod, isto é, honra, autoridade, mas também os reis (Is 14,18; Sl 21,6), os sacerdotes (Ex 28,2.40) e os sábios (Pr 3,35).

Contudo, a tradução mais comum de kabod é glória quando a referência está ligada a Deus, o Templo e a cidade de Jerusalém (Ex 29,43; 40,34-35; Lv 9,6.23; Nm 14,10). Nesse sentido, kabod, com o sentido de autoridade, honra ou glória, é usado, no AT, para descrever a presença, o poder e a reputação de Deus diante de Sua criação. Isaías diz que o kabod, glória, de Deus enche toda a terra (Is 6,3).

O que caracteriza a glória de Deus é a Sua presença carregada de bondade, graça e compaixão (Ex 33,19). O NT confirma o uso da palavra kabod, glória, tal como no AT. A glória de Deus também se manifesta em Jesus (2Co 4,6), e o testemunho da Igreja Primitiva é que Ele é o Senhor da Glória (1Co 2,8). O que, então, significa "dar glória a Deus"? A igreja glorifica-O quando reconhece a divindade e o poder de Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. No Evangelho de Lucas, a glória de Deus iluminou os pastores, em Belém (Lc 2,9). A intenção de Lucas é afirmar que Jesus participa da glória de Deus, isto é, da dignidade e autoridade divina. Isso quer dizer que a presença ativa de Deus está no menino Jesus.


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