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UM SOPRO DE VIDA: A respeito de Pentecostes

“Disse-me o Senhor: profetiza a estes ossos e dize-lhes: ossos secos, ouví a Palavra do Senhor.” (Ezequiel 37.4)

Introdução

Esta mensagem em Ezequiel tem um único objetivo: restauração. Não é uma mensagem que tenta levar o leitor a crer na ressurreição de forma literal, mas é uma mensagem que traz novamente a vida a quem já não tinha vida. Podemos entender a situação do texto e seu real contexto partindo da realidade a qual estava inserido o profeta. Ezequiel era um sacerdote do templo que fora levado em cativeiro para a Babilônia e de lá exerceu o seu ministério profético. Israel era prisioneira de uma nação estrangeira. No versículo 11 está exposto o estado de ânimo de Israel: os ossos secaram, pereceu a esperança e estamos acabados, derrotados, exterminados...

Esta eraa visão que Ezequiel tinha do povo israelita: morte, desespero e sentimento de derrota. Foi nesta situação que Deus convoca Ezequiel para profetizar e de forma estranha e metafórica: profetiza a ossos secos! Ou seja, profetize a esses que estão mortos há muito tempo. Uma figura de linguagem que mostra a condição de quem diz: a experiência de uma vida perdeu todo interesse e valor. Nem mesmo o medo não há! Porque o medo é um sinal de vida, mas ali, longe de suas terras, de suas origens, tudo parece reduzido a ausência de vida, a silêncio, a morte. As pessoas que diziam “tudo está acabado” falavam como fantasmas, sem tom, nem cor, tudo se perde numa luz cinzenta, uniforme e distinta. E nesta paisagem de “um vale de ossos secos ” Deus pergunta: “Filho do homem, porventura tornarão a viver estes ossos?”. A resposta de Ezequiel: “Só tu o sabes, Senhor Deus!” E Deus sabe,como sabe da condição em que hoje se encontram muitas pessoas, como ossos secos, sem vida, sem esperanças, sem expectativas. Sufocados pela opressão que opera em nossos tempos. Mas em Ezequiel temos mais uma vez Deus fazendo sua obra criadora, da mesma forma que em Gênesis. Por que para Deus a criação é movimento continuo e Ele cria, restaura e cria novamente sempre que necessário. “Eu sou a ressurreição e a vida...” disse Jesus.

Assim, a profecia se divide em duas etapas.

Primeira etapa

1 - A Palavra é dirigida aos ossos: vss 4-7

Deus ordena a Ezequiel que profetize aos ossos dizendo: “Ossos! Ouçam...” Vemos que é uma convocação a pessoas sem vida. Um grito de ânimo. É preciso ouvir! Porém afogados que estamos em nossas ambições, não podemos ouvir o chamado legitimo de Deus, não podemos ouvir a Sua Palavra e por isso, quando se ouve entende-se equivocadamente como um chamado à riqueza, ao poder, ao individualismo... mas são “ossos secos”, porque quem vive de forma distorcida a verdade do evangelho, na verdade, não vive. “Perde-se a vida quando não mais flutuamos ao sabor da bondade de Deus” (Rubem Alves). O chamado de Ezequiel é para que o corpo, a carne volte a compor os ossos. Corpo é sinal de dignidade, de beleza divina, é o visível para ser cuidado, é o viver de forma comunitária. Um corpo sozinho é a individualidade dada por Deus, mas o corpo junto a outros corpos é comunidade sonhada por Deus. Não há expressão de amor em uma pessoa que possa ser revelada sem a presença de outro.

Tão valoroso é o corpo que Deus, que é Espírito, assumiu o corpo para falar de amor. O corpo reflete a multidão de sentimentos. Por isso, primeiro, o profeta diz: Ossos secos, ouçama Palavra do Senhor: “Eis que vivereis! Farei crescer carne em vós!” Não serão apenas ossos, mas serão corpos novamente... não serão fantasmas, existirão novamente, serão pessoas!

E o primeiro sinal da profecia de Deus é o barulho dos ossos batendo... movimento! Um corpo em movimento... rumor e animação. Foi quebrado o silêncio da morte... passaram a existir quando já não estavam mais silenciosos... este gesto simboliza que somos chamados a fazermos o movimento pela vida, a fazermos os rumores... Israel cativa, escrava, silenciosa e desanimada não ficaria assim para sempre... teria movimento, teria o som da vida... corpos unidos para mudança,... povo de Deus é um povo preparado sempre para marchar e transformar, a abrir a boca e alterar uma realidade de escravidão. Para isso, é preciso ouvir o chamado, e não ser mais “ossos secos, sem vida”, mas corpos preparados para movimento e instrumentos de Deus, para a mudança e para demonstrar o amor.

O ser humano vive necessariamente em seu corpo, mas é mais do que seu corpo. E o profeta faz a revelação da

Segunda etapa

2 - A Palavra é dirigida ao espírito: vss9-10

Em Gênesis, Deus soprou o espírito para que o ser humano vivesse. Ezequiel invoca o mesmo espírito, o mesmo vento criador (ruah)...o Espírito vivificador! Vejo esse “vento” simplesmente como a Graça de Deus! É o que dávida, é o que dá inspiração e coragem... é o que faz o corpo mover, lutar... é o que faz o ser pensar, criar,... é o que faz a alma transbordar em sentimentos únicos... é o que nos faz sonhar com o possível e com o impossível. O corpo recriado recebe a inspiração divina e caminha novamente. Esse vento traz o significado de “ar em movimento”. Como Jesus disse a Nicodemos na escuridão da noite... “o Espírito, o vento sopra onde quer, em quem ele quer”... O vento misterioso, que traz vida onde antes havia somente um vale de ossos secos. Faz o corpo caminhar rumo a um horizonte a ser conquistado. É a força da ressurreição!

A partir da inspiração do Espírito, volta a nascer a esperança... a escravidão dos corpos não é capaz de conter um espírito sonhador, porque a partir da aptidão de sonhar, a conquista da liberdade ganha um passo enorme para se concretizar. O que “vem dos quatro ventos” é que sopra aos nossos ouvidos a verdade de Deus, verdade do reino de Justiça. É disposição de mente e atitude. E Ezequiel nos faz assistir ao milagre do espírito que vivifica. “O espírito entrou e eles viveram”. Viveram para vida! Pode parecer estranho, mas é assim: Viver para a Vida! O Espírito de Deus nos abre os olhos para enxergarmos a sua existência... pois ele, o Espírito, está na criação...

Um re-nascimento de verdade é o que nos proporciona a profecia de Ezequiel. São as Palavras de Deus que nos sussurra: “Não somos feitos apenas de carne, ossos, sangue. Mas somos os nossos desejos, as nostalgias, o amor que passa por essa carne, pelo sopro maravilhoso de um vento” que passeia pelo mundo e nos convida para um novo viver... “Quem é nascido da carne é carne, mas quem é nascido do espírito é espírito... por isso é necessário nascer de novo”. De um vale de ossos secos pode sim re-nascer a vida... de uma multidão perdida em seus problemas e egoísmos pode sim brotar uma multidão de homens e mulheres dispostos a serem o diferencial a partir do mover do Vento Impetuoso de Deus. Então, quando da morte brota a vida sabemos quem éo Deus a quem adoramos e amamos.

Conclusão

No domingo de Pentecostes, por meio da leitura de Ezequiel, o milagre do renascimento ganha cores de renovação, é o sopro divino para revitalizar ossos secos, corpos mortos, dimensão sem esperança. Assim como o profeta Ezequiel foi chamado para profetizar, nós temos também uma mensagem de restauração e vida... através da inspiração do Espírito Santo de Deus, podemos anunciar que ainda há vida, esperança e conquistas. Porque através do sopro do Espírito, O Deus de todo universo mostrou até onde Ele pode chegar por amor... Olhamos para o nosso mundo hoje e vemos as cenas de violência, fome, injustiça, corrupção... E Deus nos pergunta: “Poderão reviver esses ossos?”. Como o profeta podemos responder: “Somente Tu o sabes Senhor Deus”! E Deus confirma que sim, através de uma cruz e um tumulo vazio: “Sim...a vida é possível onde reina a morte”!

Que assim seja!

Pr. Antonio Carlos S. dos Santos/Altamira-PA

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