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O Batismo

Mt 28. 18-20

Texto produzido pelo Pr. Genildison da Silva Ribeiro, ex-aluno da FaTeo (formandos de 1999), pastor da 4ª Região Eclesiástica da Igreja Metodista (MG/ES)

O Batismo é um elemento de vital importância para a Igreja Cristã. Através dele, declaramos que estamos arrependidos diante de Deus; que aceitamos Seu projeto de vida e estamos desejosos de fazer parte do Seu Corpo, a Igreja.

“Igreja Metodista estabelece em seus documentos (Cânones) que ‘o Batismo é sinal vivível da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual nos tornamos participantes da comunhão com o Espírito Santo e herdeiros da vida eterna”. (COLÉGIO EPISCOPAL. Carta Pastoral sobre os Sacramentos – Biblioteca Vida e Missão. S. Paulo, 2001: Ed. Cedro, pg. 7).

Este sacramento nunca causou polêmica, dificuldade de entendimento e execução na igreja primitiva. Mas hoje, em nossos dias, o Batismo tem sido um divisor de águas. Um ato litúrgico que deveria ser a simples expressão de uma declaração pública de fé genuína, acabou se tornando num objeto de discussão, divisão e preconceito no meio cristão, devido à ênfase naquilo que é trivial, ou sem importância alguma, isto é, a forma como o mesmo é realizado. O nosso desejo neste estudo é eliminar todo preconceito e ignorância em torno deste sacramento, cuja finalidade é comunicar ao ser humano a supremacia da graça de Deus.

A Fé - Elemento Vital no Batismo

A fé é o elemento mais importante em todo tipo de relacionamento do ser humano com o seu Criador. O autor da carta aos Hebreus nos diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11. 6). Uma vez que a fé é o elemento básico para todo tipo de relacionamento com Deus, ela também é no ato batismal. Tanto o batismo, como a Santa Ceia são sacramentos. O sacramento é um veículo de comunicação da graça de Deus, e, como tal, só tem sentido para quem o recebe mediante a fé. Se o elemento fé (confiança/entrega total) não estiver presente no momento da celebração do batismo, não importa a quantidade de água que vai ser utilizada, o indivíduo não estará participando, ou tendo acesso a esta graça. Assim, o elemento vital, que dá força e sentido ao batismo, não é a quantidade de água utilizada, mas a fé que deverá estar presente na vida do batizando.

A fé é tão importante a ponto de anteceder o ato batismal: “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer, já está condenado” (Mc 16. 16). A atitude de não crer (confiar e entregar-se completamente) à manifestação da graça de Deus traz a condenação ao indivíduo mesmo depois de participar do batismo. Neste caso, o ponto básico de discussão que deveria haver entre as Igrejas Cristãs é: “quando é que alguém está apto para receber este sacramento tão vital e importante?” E não a quantidade de água ou tipo de cerimônia que deve administrar o mesmo.

Hoje, as igrejas se preocupam muito com a forma do batismo (aspersão, imersão ou efusão), e se esquecem do batizando. Se ele(a) está preparado?!; Se ele(a) tem consciência de sua fé?!; Se ele(a) se entregou a Cristo inteiramente, ou apenas em parte?!; Segundo Justo González, importante historiador, a Igreja antiga levava a questão de preparação do novo membro tão à sério que no princípio do século terceiro, tal preparação durava cerca de três anos .

Hoje, a ansiedade de muitos ministros do Evangelho de terem igrejas repletas de membros tem feito com que o básico e essencial para a salvação e consolidação do crente no Evangelho seja negligenciado. E, em nome desta negligência, tais ministros desviam a ênfase que deveria estar na fé que é adquirida através de uma vida de piedade prática diante de Deus, para a ênfase na forma do batismo que é ao mesmo tempo excludente, preconceituosa e antibíblica. Porque eu digo isso? Porque determinadas formas de batismo excluem idosos, crianças e enfermos. Tais pessoas não são dignas de participarem da graça de Deus? Ou tais indivíduos não merecem também herdar o Reino? Sobre esta questão falaremos mais adiante.

O Batismo

Para participarmos do batismo de forma consciente e desfrutarmos de tudo o que este sacramento nos oferece em Deus, é necessário sabermos o que é o batismo para a vida da Igreja.

Para a Igreja Cristã, “O batismo substituiu, na nova aliança em Cristo, o sinal de pacto com Deus que a circuncisão representou no Antigo Testamento” (cf. Cl 2. 11-12). Pacto é um compromisso de fidelidade assumido com Deus e o seu povo diante de uma comunidade de fé. Nós podemos definir o batismo como um ato litúrgico de inserção numa comunidade. Para o povo judeu a circuncisão era a forma de inserção do indivíduo na comunidade judaica. Da mesma forma, o batismo com água é o meio de inserção do cristão no corpo de Cristo, a Igreja. É ele que inicia o novo membro no corpo de Cristo. É importante ressaltarmos que, segundo o texto bíblico, o batismo é realizado com água e não nas águas (cf. Jo 1. 26; Lc 3. 16; Mt 3.11). Segundo estes textos e outros da Palavra de Deus, a ênfase bíblica não está na forma, ou no local onde o cristão deve ser batizado, mas com o quê ele é batizado e em nome de quem o batismo é administrado na vida do crente. Ou seja, o elemento que deverá obrigatoriamente estar presente como sinal do pacto entre a pessoa e Deus é a fé, principalmente; em segundo lugar, a menção litúrgica: “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; e em terceiro, a água, não importando a quantidade.

A comunidade cristã preferiu o batismo com água em lugar da circuncisão, por vários motivos. Dentre eles, podemos destacar:

• O uso da água fazia parte da tradição de purificação dos judeus. E, uma vez que a Igreja entendia que Cristo veio para nos purificar de todo pecado e injustiça, nada melhor do que o uso da água para a inserção nesta nova realidade de vida e fé (Nm 19. 9; Ez 36. 25);

• A circuncisão excluía a mulher, uma vez que a mesma era um sinal no órgão genital masculino, o batismo com água passou a incluí-la e coloca-la em termos de igualdade no Reino de Deus;

• A circuncisão exigia o legalismo (observância irrestrita da lei) como meio de salvação. A ênfase da circuncisão era a prática de obras para a justificação. O batismo com água exige simplesmente a fé, confiança na graça de Deus. Nele, os méritos humanos para a justificação são excluídos diante de Deus (Ef 2. 8-9);

• A circuncisão limitava o direito dos gentios (pessoas fora da cultura judaica) em relação ao pacto com Deus. O batismo com água nivela a todos, deixando-os iguais e com o mesmo direito diante de Deus (Gl 3. 27-29).

No projeto do Reino de Deus não há lugar para legalismos, acepção de pessoas, exclusões, etc. Nele (no Reino), todos têm acesso irrestrito à graça e amor de Deus, seja ele, homem, mulher ou criança. O batismo com água foi introduzido na comunidade cristã para que todos(as) tivessem pleno acesso ao Reino de Deus, especialmente os excluídos da sociedade: o estrangeiro, a mulher e a criança (cf. Lc 18. 15-17; At 10. 45-47).

Versículo para Memorizar “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16. 15-16).

Por que a Igreja Metodista Batiza por Aspersão? Ez 36. 25

A Igreja Metodista tem sofrido muito ao longo dos anos por causa de sua opção quanto à forma de batismo – a aspersão. Isto se deve ao fato da má compreensão que muitas denominações e ministros do Evangelho têm acerca do verdadeiro sentido do ato batismal, e também da errônea ênfase dada à forma do batismo como meio para a salvação e validade do mesmo, em vez da ênfase no conteúdo da fé nele expressa e exigido. A nossa intenção, através desta reflexão, à luz da Palavra de Deus, é esclarecermos o porquê da nossa opção, como comunidade metodista, pelo batismo por aspersão, sem, no entanto, querer recriminar as demais formas de batismo, uma vez que, como Igreja, reconhecemos todas elas como válidas diante de Deus neste ato litúrgico.

Nossos documentos expressam o seguinte: “O batismo é com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com aspersão (aplicação de água com a mão sobre a cabeça do batizando), derramamento (com ambas as mãos, derrama-se água sobre a cabeça do batizando, estando este, geralmente com parte do corpo dentro da água) e imersão (o batizando é imerso na água). A Igreja Metodista, embora comumente pratique a aspersão, reconhece como igualmente válido o Batismo por derramamento ou por imersão” (Cânones ed. 1998, pg. 64).

Porque a Igreja Metodista Batiza por Aspersão?

Antes de respondermos à indagação acima, é preciso que haja um entendimento sobre o quê, na verdade, significa e representa o Batismo Cristão. Uma vez esclarecida esta questão, ficará fácil o entendimento de todos(as) acerca da opção que a Igreja Metodista faz pela aspersão como forma preferencial de Batismo.

O que é Batismo?

Batismo é um momento de extrema alegria, algo desejado com ansiedade, pois nele, o batizando dá um dos passos mais importante de sua vida. Através do batismo, a pessoa estará declarando diante de Deus e dos homens/mulheres que sua opção por Cristo é pra valer. Entretanto, a má compreensão de muitos em torno deste ato de fé, tem levado os cristãos à desunião e ao preconceito – dividindo o corpo em vez de unir; derribando em vez de edificar; excluindo em vez de ajuntar o povo de Deus.

A palavra Batismo pode adquirir muitas definições (novo nascimento; regeneração; inserção no Reino de Deus; lavagem de pecados, etc). Ficar preso apenas numa das definições é arriscado, pois coloca em risco a profundidade do termo. Nós metodistas cremos que é a busca por uma total compreensão deste símbolo de fé que garante a sua real interpretação, evitando assim as constantes discussões, divisões e contendas entre o corpo de Cristo. Vejamos algumas definições sobre o significado do Batismo e sua finalidade:

Em primeiro lugar, Batismo é um símbolo de fé: a palavra símbolo (simbalu) no grego significa “lançar as coisas de forma que caiam ordenadas; a palavra também pode ser definida como aquelo que une em si”. Símbolos não podem ser definidos. Definir significa colocar limites, e, quando colocamos limites nos símbolos, eles perdem sua força e sentido. O Batismo é um símbolo de unidade do povo de Deus, ou seja, a vida da Igreja gira em torno deste ato de fé e aceitação da graça de Deus: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16. 16). Quando o símbolo fica preso, ou limitado numa única interpretação/definição absolutista, ele perde o seu poder de união (simbalu). Neste caso, prender o Símbolo do Batismo numa única interpretação ou fórmula, significa exauri-lo do seu poder e força de ação; significa também correr o risco de limitar e privar a muitos(as) da graça de Deus.

A tradição da Igreja, não da Igreja Metodista, mas da Igreja Cristã, reconhece 3 formas que representam o Batismo bíblico:

  • Aspersão: a água é aspergida sobre o batizando;
  • A efusão: a água é derramada sobre o batizando, utilizando-se as duas mãos como concha;
  • A imersão: o batizando é imerso nas águas.


Voltando ao que mencionamos acima, uma igreja que adota ou defende somente o batismo por imersão, por exemplo, como o único e verdadeiro sinal de fé, questionando e desacreditando das demais formas, terá de excluir da graça de Deus muitos idosos, inválidos, enfermos, etc., pois a maior parte destas pessoas não têm condições de ir a um rio ou entrar numa piscina ou tanque para receberem o sinal da fé que salva. Seria Deus tão cruel a ponto de criar um meio de salvação que é excludente? Logo, quando se reconhece que o Batismo é um símbolo de fé, não importa a forma como o mesmo é realizado, o que vale é o conteúdo da fé daquele(a) que está sendo batizado(a). “Quem crer e for...” a fé vem sempre antes do ato.

Nós, Metodistas, entendemos a fé, não somente no seu sentido abstrato, mas principalmente no seu sentido prático de vida, ou seja, para nós, fé adquire o sentido de fidelidade prática à Palavra e projeto do Reino de Deus. Neste caso, não importa se a pessoa recebeu apenas uma gota de água sobre a cabeça, ou foi imersa dentro do oceano, é a sua pratica de vida (fé/fidelidade ao projeto do Reino) que determinará se o Batismo foi verdadeiro ou não.

Em segundo lugar, Batismo é um ritual de inserção ou pertença, ou seja, o Batismo é o sinal que me dá a garantia de que eu pertenço à comunidade de fé ou ao Reino de Deus. Toda religião, não importa qual seja, tem o seu ritual de inserção, ou batismo. É este ritual que garante à pessoa os direitos e também deveres inferidos pela comunidade. Quando Deus firmou o seu pacto com Abraão, Ele estabeleceu um sinal que determinaria que, a partir de então, aquele povo seria de Sua propriedade peculiar – a circuncisão foi este sinal (Gn 17. 10-12). A ausência deste sinal (batismo) significava que a pessoa não pertencia à comunidade judaica.

No cristianismo, o batismo com água, tornou-se este sinal. Não recebe-lo pela fé implica em estar ausente do corpo de Cristo. É preciso entender, no entanto, que Batismo é símbolo, e o símbolo não está preso a nada e o ritualismo não pode nunca anular a dimensão da graça de Deus. Há casos na Bíblia em que vidas foram abençoadas, até mesmo com o Espírito Santo sem nem mesmo terem participado do Batismo (ritual de iniciação) antes. (cf. Lc 23. 42-43; At 10. 44-48). A graça de Deus será sempre algo surpreendente e nunca estará sujeita à manipulação do ser humano.

Deus muda leis e alianças, mas nunca mudará a dimensão e o alcance de Sua graça. É por isso que, nós metodistas entendemos que, uma vez anulado o ritual da circuncisão como sinal de inclusão no seio do povo de Deus, substituindo-o pelo Batismo com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a criança, como na circuncisão, continua com o seu direito garantido de se tornar integrante do pacto de Deus. Deus mudou o ritual, mas manteve firme a dimensão inclusiva da graça – sobre esta questão falaremos adiante. No caso do Batismo Cristão, a graça se tornou ainda mais inclusiva, pois nele, homens, mulheres e crianças se tornaram participantes do pacto.

Em terceiro lugar, Batismo é ritual de purificação. Esta compreensão ou amplitude da simbologia do Batismo foi inserida apenas no cristianismo. Antes da obra realizada por Jesus não havia este entendimento, uma vez que Deus ainda não havia realizado o pleno sacrifício pela purificação dos pecados.

Para o povo judeu, o batismo era a circuncisão. Os rituais de purificação eram feitos constantemente e separados. Neles eram utilizados água e sangue (Ex 24. 6-8). O Batismo Cristão incorporou em si, também esta dimensão simbólica. Talvez seja justamente neste ponto que muitos tropeçam na Palavra de Deus e interpretação da forma do Batismo, pois vêem o Batismo apenas como ritual de purificação e lavagem de pecados, vendo nele apenas um sinal de morte (para o pecado) e ressurreição, esquecendo-se das demais formas e implicações do mesmo. Isto se deve ao fato de muitos estarem acostumados a fazerem apenas uma leitura parcial da Bíblia, buscando nela, não a revelação completa da vontade de Deus, mas a justificação de pontos de vista particulares. A dinâmica da graça de Deus só é entendida quando a Palavra de Deus é lida e compreendida no seu todo e sob o prisma da revelação do Cristo ressurreto.

Uma vez entendidas estas questões, podemos responder à indagação deste tópico do nosso estudo: Por que a Igreja Metodista Batiza por aspersão?

Em primeiro lugar, na Igreja Metodista, nós entendemos que o Batismo, por ser um ato tão importante na vida do ser humano, pois, a partir dele a pessoa estará ingressando, não somente no Reino de Deus, mas na comunhão da Igreja, toda a comunidade deve participar deste momento, pois nele, a própria comunidade também assume votos de compromisso, fidelidade e cuidados com o batizando. Nós entendemos também que, geralmente a família do batizando é convidada a estar presente – e esta também é uma oportunidade para o testemunho do poder transformador de Deus. Neste caso, uma vez compreendidas as questões anteriormente mencionadas sobre o significado do Batismo, a Igreja Metodista entende que a aspersão é a forma de Batismo que melhor atende a esta necessidade, uma vez que ela dispensa a locomoção de todos(as) a um rio, piscina, etc., pois o ato batismal é realizado na própria igreja dando oportunidade a todos(as) de estarem presentes na celebração, e não somente alguns poucos.

Em segundo lugar, a tradição veterotestamentária indica a aspersão como meio de purificação de pecados. Segundo a tradição Bíblica, o sangue era misturado com água e aspergido sobre o povo e objetos a serem purificados e santificados ao Senhor (Ex 24. 6-8). Vejamos alguns textos que nos falam de aspersão:

• Ez 36. 24-27: o texto nos diz que Deus iria aspergir água sobre o sedento, purificando-o dos seus pecados e fazendo com ele uma nova aliança. Neste texto estão presentes os dois batismos: o Batismo com água e no Espírito Santo;

• I Pe 3. 20-21: Pedro fala do dilúvio como símbolo do Batismo. O Dilúvio foi uma grande chuva que caiu sobre a terra (Gn 7. 12). Chuvas são gotas de água que caem, símbolo de aspersão;

• Sl 51. 7: hissopo é um instrumento utilizado pelo sacerdote para a aspersão.

Outro dado a ser analisado é o fato de muitos utilizam erroneamente o batismo de João como justificativa para sua posição em relação ao batismo por imersão. Tais pessoas se esquecem que a imersão nunca esteve presente na tradição bíblica como símbolo e ritual de purificação e João foi filho de sacerdote, ele cresceu sob a tradição sacerdotal, e nela, aprendeu que a purificação de pecado se faz através da aspersão (Lv 16. 15-16 e 30). Outra questão também é que o batismo de João não é o batismo cristão, pois ele não batizava em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, este é o verdadeiro batismo cristão.

Outro detalhe, é que os textos bíblicos nos dizem que João batizava com água e não nas águas (cf. Jo 1. 26; Lc 3. 16; Mt 3.11).

Além disso, entre o povo de Deus havia uma questão muito séria: a contaminação por transferência, ou seja, eles evitavam tocar objetos e pessoas consideradas impuras, para não ficarem impuros também. Como fazer então em relação ao batismo por imersão, como muitos radicais tem defendido, excluindo as demais formas de batismo e chegando a ponto de, para facilitarem a participação de todos(as), construírem tanques batismais em suas igrejas?

O que eu quero dizer com esta indagação é, segundo a tradição bíblica, uma vez que uma única pessoa impura, ou seja, cheia de pecados entrou na água, toda ela se torna contaminada e impura e também quem entra em contato com aquela água. Se a questão é radicalizar, o correto seria esvaziar e encher o tanque batismal toda vez que alguém entrasse nele, para que as demais pessoas não se tornassem ainda mais contaminadas e impuras do que antes!

Nem o povo judeu e nem os judeus-cristãos utilizavam a imersão como ritual de Batismo. Geralmente o batismo era feito através da efusão: a pessoa entra na água e a água é derramada sobre a cabeça do batizando com as mãos em forma de concha; ou aspersão: a água era aspergida sobre o batizando. Era assim, porque a imersão não faz parte de sua tradição e também porque Israel está localizado numa região onde a água é algo valioso e escasso!

Nós estamos falando de um povo que vê na água uma verdadeira fonte de vida e que não pode ser desperdiçada. Para eles, encontrar um poço com água boa era sinal da benevolência de Deus. Nem todos tinham acesso ao rio, não se podia construir tanques batismais por causa da questão da impureza. A construção de tanques batismais só seria viável se o mesmo pudesse ser esvaziado a cada batismo, tal desperdício de água é um absurdo para o povo judeu. Por causa disso, eles encontraram na aspersão uma forma simbólica de representar a purificação, assim, todos(as) podiam ser purificados e a água não era desperdiçada, e também não haveria o contato das pessoas com a água utilizada evitando que a mesma se tornasse impura. João viveu e cresceu dentro desta tradição e foi ela que ele utilizou quando batizava o povo, por isso ele mencionava que batizava com água. Um detalhe importante é que nas pinturas do primeiro século, em nenhuma delas aparece o Batismo de João representado pela imersão, mas pela efusão.

Vejamos alguns textos que nos indicam batismos através da aspersão:

• At 22. 16: este é o Batismo de Paulo. Note que ele foi para uma casa (At 9. 17-18) e lá, colocando-se de pé imediatamente foi batizado. Eu não acho que dentro de uma casa na rua chamada Direita em Jerusalém havia um rio ou tanque batismal, visto que este não era o costume do povo naquela época. O que havia nas casas eram talhas com água utilizadas na purificação – lavagem das mãos e dos pés, e, com certeza Paulo não entrou em nenhuma delas!;

• At 8. 36: O texto fala do batismo do eunuco, os historiadores relatam que na região onde eles estavam no deserto não existia nenhum rio, nem água suficiente para a realização de um Batismo por imersão;

• At 2. 38: Primeiro discurso de Pedro e a conversão de quase 3.000 almas. Todos estavam no, ou nas proximidades do Templo, comemorando o Pentecostes. O Templo fica a alguns quilômetros do rio mais próximo, no nosso caso o Jordão, e há alguns quarteirões dos tanques mais próximos (Tanque de Siloé e Betesda). O texto não relata que ninguém saiu em direção a nenhum destes lugares, também seria impossível organizar todas as quase 3000 almas que se converteram, leva-las a tais lugares e batiza-las das 11:00 da manhã (Pedro iniciou o seu discurso na hora terceira (At. 2. 15), isto é, às 09:00 horas da manhã – eu estou contando umas 2 horas de pregação) até as 18:00 da tarde, visto que o dia do judeu acaba neste horário e o texto nos diz que naquele mesmo dia quase 3000 almas se converteram e foram batizadas (At 2. 41). É impossível organizar, dirigir-se ao rio ou a um dos tanques e batizar por imersão tantas vidas em tão pouco tempo. Além disso, tal movimentação de pessoas seria considerado um motim ou algum tipo de ameaça pelo Império Romano e logo seria rechaçado. O Batismo aqui foi por aspersão visto que Pedro falou de remissão de pecados e a aspersão era a forma que ele conhecia como ritual de purificação (Ex 24. 6-8; Lv 16. 15-16 e 30).

• Além dos textos acima, que são mais do que evidências da realidade do Batismo por aspersão, a Bíblia nos ensina que todos os meios de graça da parte de Deus vieram de cima: O Maná, pão que caiu do céu sobre o povo; o dilúvio que purificou a terra veio de cima; Jesus desceu do céu até nós; o Espírito Santo veio do céu, etc. O Batismo, sendo um sacramento, veículo de manifestação ou comunicação/expressão da graça de Deus também deve vir, ou ser representado por sobre a cabeça, como um símbolo da graça de Deus que desce até o ser humano, esta é a tradição bíblica.

É por estes e muitos outros motivos que a Igreja Metodista fez opção pelo batismo por aspersão, porque biblicamente é a forma que melhor expressa a manifestação da graça de Deus e também mantém viva a tradição bíblica. A aspersão também não exclui ninguém de participar da graça. Através dela, crianças, homens, mulheres, idosos, enfermos, todos(as), não importa a situação em que estejam, podem participar e receber o sinal do Reino.

Entretanto, nós não descartamos nem invalidamos as demais formas, uma vez que reconhecemos que batismo é um símbolo de fé, e havendo fé e água e sendo feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e por ministros de Deus, toda forma de batismo é real e bíblica e nós respeitamos todas elas.
Versículo para Memorizar
“Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos”
(Ez 36. 25).

E-mail: genildison@superig.com.br

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