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A insistente mania de ter esperanças

“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. (Apocalipse 21.1).

Uma das coisas que adquiri nesta minha curta caminhada cristã é a mania de ter esperança. Muitos colegas e amigos, pessoas que admiro, que tenho carinho, já não sentem mais as perspectivas de mudanças. Acredito que o próprio mundo careça de um futuro promissor. Mas... Aqui estou eu, insistente em dizer: A situação vai melhorar...Não voltar ao que era antes, mas seguir um curso mais brilhante. Esta é a escatologia cristã: Uma espera por dias melhores. Moltmann em sua obra “Teologia da Esperança” diz o seguinte: O Cristianismo é total e visceralmente escatologia, e não só a modo de apêndice; ele é perspectiva e tendência para a frente, e por isto mesmo, renovação e transformação do presente. Sinceramente, nosso presente não é muito animador, porém, fico com as palavras de Moltmann e também com o texto de Apocalipse...Creio em um tempo de renovação, de transformação...creio em um novo céu e uma terra. Vejo algo ainda mais interessante na Teologia de Moltmann, a esperança cristã está intimamente ligada a doutrina da cruz. Toda esperança de renovação e mudança é precedida por um tempo de sofrimento. Impossível mudar sem que haja dores. É impossível a ressurreição sem morte. Vejo aqui mais palavras inspiradas como "A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita." (Mahatma Gandhi)

Até que venha um novo céu e uma nova terra, antes virão bestas, falsos profetas, anticristos, guerras, lutas, intolerância...a própria literatura apocalíptica encontrada na Bíblia nos ensina isso. Os olhos voltados para cruz nos fortalecem na caminhada árdua e imprevisível que ainda temos que trilhar. Quando minha razão enfraquecida e cansada pede para desistir, meu coração apaixonado me impulsiona a continuar... Entregue-se à vida...Viva com intensidade... O que devo fazer? Entregar-me a minha razão fadigada ou alimentar-me das esperanças de meu coração apaixonado? O que devo fazer senão continuar? Contemplo meu, nosso presente e sinto a vontade de abandonar tudo, mas me deixo levar por essa estranha mania de ter esperança! Grandes palavras de Voltaire quando disse: Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão. Hoje vivemos uma ilusão, mas não é hoje que espero e sim amanhã...então tudo será excelente. Não é isso que nos transmite o livro de Apocalipse? Em meio aos temores e receios do presente, mantenha guardada tua esperança: Mesmo que o temor reúna maior número de sufrágios, inclina-te sempre para o lado da esperança (Sêneca- O temor combate-se com esperança).

E assim vou caminhando: Esperando amanhã. Não posso viver de outra forma. Deus me trouxe longe demais para que agora eu volte atrás. E certamente agora não conseguiria voltar. Não quero fugir das minhas dores, apenas peço que tenha forças para suportá-las. Ou como diria um trecho do poema de Rabindranath Tagore:

Não seja eu tão covarde, Senhor, que deseje a tua misericórdia no meu triunfo, mas apertar a tua mão no meu fracasso!

Que a possibilidade de fracassar, não seja determinante para que eu não prossiga. Abra meus olhos para o que está por vir, que minha alma não se abata com o presente, que meus pés não voltem no caminho e que minhas mãos não se encolham aos que no caminho encontrar caído... Pois no final de tudo “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Não tenho outra opção a não ser ter esperança, essa insistente mania de ter esperança e isso não me larga de maneira alguma!

Rev. Antonio Carlos Soares dos Santos

Igreja Metodista Açude II- Volta Redonda-RJ

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