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CARACTERÍSTICAS DOS EMPREENDIMENTOS BRASILEIROS

Texto do Prof. Antero Paulo dos Santos Matias - coordenador do Projeto Farol Empreendedor

utilizar quando for falar de mudança e inovaçãoO GEM (Global Entrepreneurship Monitor: http://www.gemconsortium.org/) é um consórcio internacional que publica frequentemente uma pesquisa sobre o Empreendedorismo no Mundo, a partir de dados provenientes de 69 países e que tem por objetivo apresentar alguns indicadores importantes sobre o tema. Em sua última edição, 2013, traz diversos comentários sobre o empreendedorismo no Brasil e um desses comentário chamou muito a minha atenção: as características dos empreendimentos brasileiros. Trata-se do capítulo 4 do livro onde consta a pesquisa e que apresenta alguns dados são importantes:

  • Os empreendedores brasileiros atuam principalmente em atividades da indústria de transformação ou em serviços orientados ao consumidor (p. ex., comércio varejista, serviços de alimentação e cabeleireiros);
  • Entre os chamados empreendimentos iniciais (aqueles em que seus proprietários ainda estão estruturando uma empresa ou que já a gerenciam por menos de 42 meses) em 98,8% deles o produto não é novo para ninguém, 99,5% utiliza uma tecnologia existente nos últimos 5 anos e 98,6% tem como consumidor o mercado brasileiro;
  • O quadro não se modificada muito se tomarmos os chamados empreendimentos estabelecidos (aqueles que são gerenciados por seus proprietários por mais de 42 meses), em que 99,7% dos casos o produto não é novo para ninguém, 99,9% a tecnologia existe nos últimos 5 anos, 98,9 tem como consumidor o mercado brasileiro.

Pode-se concluir que os empreendimentos brasileiros têm baixo grau de uso de tecnologia, com pequenas barreiras de entrada, voltados para o mercado interno ou para a prestação de serviços ao consumidor.

Outro dado importante é a formalização dos empreendimentos no Brasil. Aproximadamente 80% deles não são formalizados, e aqui a pesquisa questionou qualquer tipo de formalização (junto a prefeitura, conselho de classe, CNPJ), ou seja, apenas 20% dos empreendedores preocupam-se em manter seus negócios conforme a lei. É provável que tal situação tenha origem na desinformação de como formalizar seu negócio, da alta taxa tributária no país, dentre outros fatores.

Por conta desses dados, que considero alarmantes quando falamos em Inovação, o governo tenta, por meio de suas agências e entidades (FINEP, SEBRAE, MCT entre outros) incentivar o uso de novas tecnologia e inovação nas empresas.

Inovar não e somente criar um novo produto. Para o Manual de Oslo Inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. (Manual de Oslo, 2013 p.55 http://download.finep.gov.br/imprensa/manual_de_oslo.pdf). Desta forma posso inovar em minha organização propondo um novo método de contratação, por exemplo. Participei de um curso sobre Inovação da Innoscience (http://www.innoscience.com.br/) e fui apresentado a Matriz da Inovação e Melhoria, que classifica assim os movimentos de inovação:

  • As adequações são movimentos que tem menor grau de novidade e que trazem resultado. As empresas não vivem somente de inovações radicais;
  • As melhorias são movimentos de ajustes que a empresa faz naquilo que ela faz.
  • As inovações são movimentos com alto grau de novidade tanto para a empresa quanto para o mercado e que geram alto resultado.
  • As invenções geram alto grau de novidade mas que não conseguiram incorrer em resultado e portanto não gerando inovação.

A matriz permite que você observe que tipo de iniciativa você tem em mãos e que tipo de gestão de projeto que você faz destas iniciativas. Gerenciar um projeto de melhoria ou adequação é muito mais fácil do que gerir um projeto de inovação, mas se a empresa começa a desenvolver processos de adequação, verificando algo diferente que seu concorrente direto ou não desenvolve, e adequa sua empresa para fazê-lo, já é um bom início para a inovação.

O que não podemos mais como empreendedores é tocar nosso negócio como se o mundo “lá fora” não existisse. É necessário disponibilizar alguns momentos da gestão da empresa para buscar informações com o objetivo de modificar sua empresa.

 

Não fique aí parado! Mexa-se. 

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