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Revestimento de remédios é um processo delicado e protege o paciente

02/10/2014 19h00 - última modificação 10/10/2014 17h39

Uma combinação de fatores de risco, entre os quais excesso de plastificante no revestimento, volume de ar na secagem e até o formato do comprimido, pode tornar vulnerável a cobertura de um medicamento e comprometer a assimilação no organismo. O revestimento de comprimidos e pílulas preocupa a classe farmacêutica. Produtos de alta comercialização nem sempre estão 100% seguros, já que são produzidos em grande escala e giram em período integral na caçamba  -- onde são secos e recebem camadas de cobertura.

“Só duas fabricantes no Brasil têm revestidoras contínuas, mais modernas, onde o comprimido entra numa ponta, recebe a solução de cobertura de maneira uniforme, e sai na outra ponta garantido. Com exceção dos remédios gastro-resistentes, que têm que chegar ao intestino para abrir e fazer efeito, os demais nem sempre recebem cuidados necessários, podem dissolver pelo caminho da ingestão e causar desconforto”, advertiu a farmacotécnica Eliana Bernardes, que falou na abertura da VI Jornada Acadêmica do Curso de Farmácia da Universidade Metodista, dia 1º de outubro. Ex-aluna da Metodista e hoje na JRS Pharma, Eliana discorreu sobre “Revestimento de Comprimidos – Formulação e Processo”.

A importância do revestimento também é desconhecida dos pacientes, sobretudo dos mais velhos, que cortam ou esmagam comprimidos para facilitar a ingestão. Como a cobertura de um fármaco é feita por substâncias variadas cujos efeitos ocorrem de acordo com sua liberação no organismo, se houver sua destruição a assimilação do medicamento pode ser reduzida ou potencializada, prejudicando a dose que foi administrada. “Cortadores de comprimidos são um crime”, reclamou Eliana Bernardes.

O maior controle do revestimento e o desuso das drágeas (formas sólidas sem cobertura) são fatos recentes, de 2008 para cá. Entre outros benefícios, o cuidado em se revestir um fármaco está exatamente em evitar a irritação da mucosa do estomago, impedir a alteração da liberação do princípio ativo, proteger contra a umidade e melhorar a estabilidade do produto.

 

Lotes no lixo

 

O comprometimento de um fármaco mal revestido reflete também na indústria, na medida em que lotes inteiros defeituosos podem acabar no lixo. Conforme expôs a farmacêutica da JRS Pharma, o revestimento é basicamente composto de polímero, plastificante, corante e solvente. A dosagem certa de cada ingrediente é o que garante a eficácia do medicamento. Embora toda indústria farmacêutica disponha de revestidora, nem sempre essa dosagem é calibrada.

“O plastificante dá movimentação para a película não trincar e comprometer a integridade do comprimido. O excesso de plastificante pode resultar em um comprimido pegajoso. Da mesma forma, se houver alta concentração de pigmentos, a permeabilidade do comprimido aumenta”, exemplificou Eliana Bernardes.

São também relevantes o tamanho da caçamba e a velocidade com que os comprimidos rolam em seu interior para receber cobertura. Se o revestimento não for homogêneo ou a secagem, nesse processo, estiver em desacordo, o comprimido pode se romper e vazar no organismo ou criar uma camada resistente que não vai dissolver e exercer o efeito medicamentoso. “Até o formato conta: a melhor cobertura se dá nas esferas, porque secam rápido e se movimentam mais na caçamba. Formatos capsulares e do tipo efervescente são os piores”, definiu a especialista.


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