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Custo de um bem não se encerra na compra, ensina consultor da FAB

14/05/2015 21h55 - última modificação 17/03/2016 14h32

Engana-se quem pensa que o gasto com uma máquina, um veículo e até um imóvel encerra-se no ato da aquisição. Essa é a primeira – e a menor – das partes. A manutenção desse bem custa muito mais. O desembolso com a compra de um ativo representa 40% de seu custo, geralmente simbolizado pelo investimento em pesquisa e desenvolvimento, além do processo de produção. Os 60% restantes são efetivamente o que se vai gastar com a operação e suporte do bem durante sua vida útil.

É o popular provérbio: o barato pode sair caro. “Vamos exemplificar com um avião que custou menos, mas que vai exigir mais manutenção, ou seja, ficará mais indisponível para uso. Na ponta final, seu custo será maior, porque exigirá dessa companhia ter mais aviões na frota para dar conta dos voos que realiza”, citou Paulo José Sanches em palestra dia 13 último na Semana Facet 2015. “Uma decisão estratégica tomada no início sobre o tipo de bem a comprar pode impactar todo o orçamento”, disse em palestra sobre “Life Cycle Costing”, ou Custo de Ciclo de Vida de Ativos (CCV, em português).

O conceito é bastante utilizado em países desenvolvidos no planejamento orçamentário, pois representa todos os custos associados a um equipamento, máquina ou edificação. Mas só agora chama a atenção no Brasil, embora de forma tímida. Principalmente a administração pública tropeça nesse tema frequentemente. É comum Prefeituras licitarem compra de ambulâncias e esgotarem os recursos na aquisição. Sem verba para manutenção, as ambulâncias deixam de rodar e viram sucata antes do tempo. “O político usa aquela compra como plataforma de campanha e passa a bola dos custos durante a vida útil dessa ambulância para o próximo prefeito”, exemplifica Sanches, professor da Metodista e consultor em logística de Aquisição da FAB (Força Aérea Brasileira).

Bens indisponíveis

A incorporação de ativos ignorando previsão de custos durante sua vida útil vai implicar em deterioração e até descarte precoce ou, pior, na indisponibilidade do bem ainda novo por falta de reparos necessários. Uma frota de veículos que passa por revisões preventivas pode ser reaproveitada em um leilão ao final de 10 anos, e esses recursos retornam para a empresa. Do contrário, viram sucata, citou Sanches.

Não existe fórmula pronta para o CCV, pois depende do equipamento e do contexto de seu uso. Um veículo nas mãos de um particular tem obviamente menos desgaste do que o utilizado em rondas públicas da Polícia Militar. Mas para passar na prova de fogo de um investimento automotivo, por exemplo, um modelo de Custo de Ciclo de Vida deve mensurar as seguintes variáveis: custo de aquisição, combustível, seguro, licenciamento, manutenção preventiva (revisões), manutenção corretiva (consertos), valor residual (envelhecimento).

“Em casos de navios, há ainda o custo de desativação. Quando vai para sucata, é necessário fazer antes a descontaminação da embarcação, pois há muito amianto nas tubulações”, citou o professor.

Definir o tempo de uso do ativo é outra variável importante no cálculo de uma aquisição. Se o aproveitamento de uma ambulância for por apenas cinco anos, vale a pena adquirir modelo de menor porte, mas se o período estender-se para 15 anos e quilometragens altas de uso, é recomendável um veículo mais potente e resistente.

O CCV é ferramenta auxiliar importante na tomada de decisões de uma aquisição, mas tem limitações, admite o consultor da FAB. Entre as restrições estão a necessidade de intensa coleta de dados, o fato de que cálculos são só estimativas, além da dificuldade em prever o que ocorrerá muito tempo à frente, descreve professor Paulo Sanches.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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