Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Escola de Engenharias, Tecnologia e Informação / Gestão da bacia hidrográfica é fundamental para o equilíbrio ecológico das cidades

Gestão da bacia hidrográfica é fundamental para o equilíbrio ecológico das cidades

Especialista em hidráulica e saneamento falou na Metodista sobre drenagem sustentável para combater enchentes, como jardins de chuva e telhados verdes

20/06/2016 22h00 - última modificação 20/06/2016 22h05

Especialista em hidráulica e saneamento, Rafael Guimarães falou sobre piscinões, telhados verdes e recuperação de rios como formas de gerir as águas em uma cidade

Enquanto não houver ações de saneamento que façam a água infiltrar-se no solo no maior volume possível, as cidades continuarão esculpidas sobre o caos de enchentes e esgoto correndo a céu aberto. A impermeabilização do solo por meio de avenidas e construções cada vez mais densas precisa ser combatida com tecnologias alternativas para restabelecer a bacia hidrográfica onde as cidades estão instaladas.

“Jardins de chuva e telhados verdes são algumas formas de resgatar os aquíferos”, cita Rafael de Souza Guimarães, do programa Jovens Profissionais do Saneamento, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-SP), sobre técnicas compensatórias para gerir a bacia hidrográfica das metrópoles impactadas pela urbanização desenfreada.

“Há 462 anos, os rios eram importantes para a economia e o desenvolvimento das cidades. Com o surgimento dos automóveis, os rios acabaram se tornando meros condutos de esgoto, pois tiveram o curso retificado e mudado para dar lugar às avenidas e moradias”, historiou Rafael sobre a cidade de São Paulo, cuja área urbana multiplicou-se 10 vezes de 1930 para 1980, de 180 km2 para 1.710 km2, o que fez aumentar a vazão da água pluvial devido à impermeabilização do solo e, consequentemente, as áreas de inundações. A infiltração de chuva no solo da Capital paulista caiu de 50% para 30% nesse período.

Trabalhando na Piezom Hidráulica e Saneamento com projetos de infraestrutura e instalações hidráulicas em urbanização de favelas, Rafael Guimarães falou na Semana 2016 da Escola de Engenharias, Tecnologia e Informação da Universidade Metodista de São Paulo. Ele discorreu sobre “Drenagem Sustentável para a Gestão das Águas”, um novo conceito de drenagem que propõe soluções de engenharia para reduzir os efeitos da urbanização sobre os processos hidrológicos.

SemanaFacet2016DrenagemSustentavelrios.jpg
Em vez de condutor de esgoto, rio urbano deveria servir como manancial e lazer (pixabay.com)
Jardins aéreos

Telhados verdes, por exemplo, são construções com jardins aéreos que captam e conduzem a água de chuva até um reservatório para ser reutilizada na lavagem de um prédio, por exemplo. Já os jardins de chuva são reservatórios abaixo das ruas ou calçadas feitos com camadas de pedras e terra que funcionam como filtros e absorvedores de água.

Iniciativas que se popularizam entre condomínios residenciais são o solo permeável de asfalto poroso e o poço de infiltração – uma vala com manta e tubo que filtra e conduz a água para o subterrâneo. Piscinões e trincheiras sob a sarjeta (tanques nas bocas-de-lobo para puxar a água e reduzir a vazão para os rios) são também alternativas viáveis.

O ponto central da drenagem sustentável é transformar o saneamento no principal instrumento de equilíbrio ecológico de uma cidade. Significa abandonar o tradicional conceito higienista de afastar água e esgoto do meio urbano e conviver com eles por meio de manejo sustentável. “Temos que ver os rios não como condutores de esgoto, mas como ambiente de lazer, de manancial para consumo, de desenvolvimento de ecossistema. Em vez de canalizar e drenar, temos que armazenar, infiltrar, tratar e renaturalizar essa água”, aconselha.

Para isso, poluição de rios e enchentes não devem ser pensados como algo pontual, mas dentro de um planejamento global de toda a bacia hidrográfica. Isso significa uma gestão integrada do esgoto, lixo, abastecimento de água, uso do solo e políticas sólidas de meio ambiente, disse o palestrante.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
Conheça Outras.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: , , , , , ,
PÓS-GRADUAÇÃO

Acesso Restrito

Portal do Aluno / Docente
Portal CAPES