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Além de redes sociais, Bolsonaro usou vácuo de projeto alternativo de PT e PSDB, diz analista político

Professor Kleber Carrilho falou na série de palestras do Metô XP

07/11/2018 19h35 - última modificação 08/11/2018 15h45

Professor Kleber Carrilho falou na série de palestras do Metô XP

Não foram só as redes sociais que projetaram os campeões de votos nas eleições de 2018. Deram-se bem candidatos que surfaram na onda conservadora do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que por sua vez soube se apropriar do sentimento antipetista dominante no País.

O grave nesse cenário é que o PT não conseguiu construir respostas às críticas que vinha recebendo. Exemplo pode ser constatado quando o candidato Fernando Haddad, no final do 2º turno, começou a alardear a capacidade de magicamente tabelar o botijão de gás a R$ 49. “A impossibilidade de vitória do PT ficou clara nesse momento tão decisivo, uma gravidade enorme porque jogou a eleição no varejo do R$ 1,99 e negou as quatro vitórias anteriores do partido”, entende o coordenador do curso de Marketing Político e Eleitoral da Universidade Metodista de São Paulo, Kleber Carrilho, que falou na noite de 6 novembro sobre Que país é esse? – O que vivemos e aprendemos nas eleições de 2018, na série de palestras Metô XP.

Segundo professor Kleber, Bolsonaro venceu a partir do vácuo em que entrou a campanha do PT devido à falta de sensibilidade para compreender o que ocorria no País. Do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef em 2016 ao discurso do rapper Mano Brown às vésperas do pleito de 2018 sobre o distanciamento do partido das classes populares, não teria havido autocrítica para montar alerta para este ano. “Daí a guinada conservadora, porque não houve construção de uma alternativa”, afirmou.

O tamanho do antipetismo é bem representado pelo vencedor João Dória (PSDB) em São Paulo, que conseguiu associar o adversário Márcio França (PSB) ao PT, acrescentou professor Kleber, que também atribuiu a vitória de Bolsonaro ao que chamou de “incompetência do PSDB”. Disse que em 2014 houve “mimimi de Aécio Neves” ao não aceitar a derrota para Dilma, em 2016 o partido enfileirou-se na corrente do impeachment, mas neste ano “vendeu-se para João Dória”.

Analista político, o professor da Metodista disse que ele próprio projetou outro cenário nestas eleições, mas que o desfecho não surpreende. Bolsonaro foi o substituto do momento para o caráter populista que caracteriza as eleições no Brasil, como o foram Fernando Collor como “caçador de marajás”, Fernando Henrique Cardoso como “pai do Real”, o hoje presidiário Luis Inácio Lula da Silva como “herói dos pobres” e Dilma Roussef como “mãe do PAC”.

Compartilhe sem dó

Citando que os eleitos com maior votação também para os Legislativos foram youtubers e blogueiros, Kleber Carrilho admitiu a força das plataformas digitais, que tornaram a propagação de informações mais ágil e com alcance infinito para o bem e para o mal, como no caso das fake news. Mas lembrou que boatos e notícias falsas sempre existiram.

Além da onda antipetista, teria prevalecido um “espírito de concordância” com o que os eleitores recebiam em suas redes. “Não houve discussão ou troca de argumentos. Houve muita briga ou disseminação daquilo que se acreditava ou não”, citou o coordenador da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Metodista. Ele destacou que pesaram ainda a campanha do “compartilhe sem dó” e do que estudiosos definem como “lei da simplificação e do inimigo único” usada pelo presidente eleito.

Professor Kleber também mostrou que Jair Bolsonaro não veio do lugar nenhum. Ele se transformou em celebridade self-made há pelo menos quatro anos, quando começou a trabalhar componentes importantes numa campanha, entre os quais o tempo necessário para a troca de poder, a interação com o cidadão-eleitor e a capacidade de encarnar personagem com discursos populistas -- no caso, o anticomunismo e questões de gênero como o kit-gay. O atentado a faca sofrido em Juiz de Fora teria acrescentado músculos à narrativa de Bolsonaro, pois acrescentou  o sentimento de "humanidade" ao candidato e muitas horas de exposição no noticiário nacional.

Kleber Carrilho também enfatizou que, ao contrário do propagado, marqueteiros não têm qualquer controle do ambiente político. Sem horário eleitoral e membro de partido nanico, Bolsonaro é prova disso, emendou.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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